DEPOIMENTOS


ROBERTO MINCZUK

JULIANA COUTINHO

"Fico muitíssimo feliz em poder voltar a reger a Osesp em um ano e com um programa tão especiais. A estreia mundial da obra de Ronaldo Miranda com o solista Cláudio Cruz e a apresentação da 1ª de Mahler, no ano deste compositor, com a grande Osesp e seu caloroso público será um programa imperdível!"

Roberto Minczuk


CELSO ANTUNES

DIVULGAÇÃO

"A cantata religiosa Stabat Mater, escrita entre 1876 e 1877, é a primeira obra sacra de Antonín Dvorák, concebida em circunstâncias pessoais absolutamente trágicas, após a morte de três de seus filhos. Trata-se de uma composição de incomparável profundidade emocional e, ao mesmo tempo, escrita com a habitual riqueza de ideias musicais, característica do grande compositor tcheco. Já tive a oportunidade de reger este Stabat Mater algumas vezes na Europa e tenho a honra de poder dizer que desenvolvi uma relação pessoal com esta obra. Será um enorme prazer realizar este projeto em 2010: ele marcará meu retorno à frente da Osesp e ao palco da Sala São Paulo -além, é claro, da minha estreia diante do Coro da Osesp! Até breve."

Celso Antunes


Isaac Karabtchevsky

DIVULGAÇÃO

"Se vivo fosse, Villa-Lobos teria sido um fantástico Ministro do Meio Ambiente. Uma afirmação incontestável e indiscutível, visto que suas obras são o testemunho de suas preocupações em relação à preservação da natureza, sua intuição o alertava para os perigos da devastação da Floresta Amazônica, seus anseios humanistas clamavam justiça para os índios. Basta manusear algumas de suas geniais partituras para depreender sua postura, sua lógica em relação ao nosso povo e à sua riquíssima história. Tantas vertentes, tantos contrastes permeando um tecido social variado e complexo, tantas vozes e acentos! Villa-Lobos não se contentava apenas em utilizar estes elementos em função de um impulso tão somente estético, o mais importante era, sim, sua vocação de homem político, alguém que falava mais alto, clamava por socorro! A combinação das Bachianas brasileiras nº 4 com a cantata profana Mandú-Çarará coloca em evidência o constante fluir de tendências e gêneros na sua produção musical -ele atuava como uma esponja, à maneira de Béla Bartók na Hungria. Os dois compositores evocam os mesmos anseios estéticos, a mesma visão de que a música de concerto não poderia vir dissociada dos elementos da música popular, aquela que sempre se constituiu em rico amparo às suas formas e estruturas. Separados pelo oceano, mas vivendo um mesmo momento histórico definido, ambos compositores absorveram todas as técnicas e foram capazes de moldá-las às suas personalidades -seus temas eram tão contaminados pela invenção e fantasia que se tornava difícil relacioná-los às formas que lhes deram origem. Estou me referindo especificamente à forma de sonata, ligada às sinfonias clássicas, ou aos prelúdios e fugas do período barroco. Villa-Lobos escreve uma música onde os traços barrocos de sua personalidade estão todos lá. Os contrastes violentos, a energia transbordante, suas máximas de que "o folclore sou eu", tudo isso encontra eco nas famosas Bachianas brasileiras, em número de 9, e das quais uma das mais pujantes é a nº 4, famosa pelo seu início pleno de ternura e seu final apocalíptico. Já Mandú-Çarará é baseada nos mitos dos índios do Amazonas na qual ele é a encarnação mágica da dança. A combinação das duas obras, uma das quais em primeira audição na Osesp, poderia parecer apenas um divisor de temáticas, mas resulta em um fantástico todo, uniforme e coeso. Bach, onipresente, representa simbolicamente também o fim de uma época, um adeus à velha Europa que se desintegrava com seus conflitos e que propiciaria a Villa-Lobos a visão de um novo futuro, não moldado pela dissolução da tonalidade, mas por uma forma de se expressar diferente do expressionismo, sempre envolto nas sombras do inconsciente -deste novo futuro, e as Bachianas nº 4 e Mandú-Çarará são bem o exemplo, emanavam a alegria e nostalgia, o amor pelo seu país e pelo seu povo."

Isaac Karabtchevsky