Temporada 2019
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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
16
out 2014
quinta-feira 21h00 Pau-Brasil
Temporada Osesp: Oue e Ozone


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Eiji Oue regente
Makoto Ozone piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Leonard BERNSTEIN
Divertimento Para Orquestra
George GERSHWIN
Concerto Para Piano em Fá Maior
Sergei RACHMANINOV
Danças Sinfônicas, Op.45
Bis
quinta
Tom JOBIM e Vinicius de MORAES 
Chega de Saudade [arr. e improviso de Makoto Ozone]
sexta
Tom JOBIM e Vinicius de MORAES 
Insensatez [arr. e improviso de Makoto Ozone]
sábado
Makoto OZONE
My Witch’s Blue 
Tom JOBIM 
Luiza [arr. e improviso de Makoto Ozone]
   
INGRESSOS
  Entre R$ 36,00 e R$ 166,00
  QUINTA-FEIRA 16/OUT/2014 21h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa
Leonard Bernstein evocava frequentemente imagens do ambiente eletrizante e acelerado da Nova York em meados do século XX, mas este nativo de Massachusetts manteve por toda sua vida ligações com instituições da Nova Inglaterra que desempenharam um papel proeminente em sua formação. Uma dessas foi a Sinfônica de Boston, para cujo centenário de fundação foi convidado a escrever uma peça curta. Como de costume, acabou se entusiasmando e produziu uma ode inacreditavelmente inventiva à paleta sonora da orquestra moderna (com quinze minutos de duração), que também é uma ode à densidade do espírito norte-americano e às suas incontáveis paixões: o Divertimento Para Orquestra.

Os oito breves movimentos que compõem o Divertimento são habilmente organizados em duas seções de quatro movimentos cada. A escrita é expansiva: a orquestra inteira está presente nos movimentos externos de cada seção, cabendo uma paleta mais reduzida aos movimentos centrais. Uma célula concisa de duas notas — o semitom ascendente Si-Dó, utilizado para representar a frase “Boston Centenary” [Centenário de Boston] — fornece unidade ao panorama orquestral grandemente variado. 

Um subtítulo evoca o “caráter” de cada movimento, começando com “Sennets And Tuckets”, expressão antiquada que remete aos toques de trompete ou corneta que sinalizam o início de alguma cerimônia ou a entrada de um personagem importante nas peças elisabetanas. O humor da escrita de Bernstein arma jogos de alusão e perspicácia musical. A “Valsa” remete à Sinfonia Patética, de Tchaikovsky, e seu padrão métrico sincopado. A seguir, em “Mazurka”, de escrita mais discreta, o autor propõe uma incursão ao primeiro movimento da Quinta Sinfonia de Beethoven. A primeira parte termina com uma piscadela à América Latina: “Samba”. 

“Turkey Trot” dá início à segunda parte do Divertimento citando uma sentimental e antiquada dança folclórica norte-americana (que parece ecoar o ritmo de America” em West Side Story). A sequência é surpreendente: o sinuoso tema dodecafônico de “Sphinxes” [Esfinges], sombrio momento de atonalismo, é sucedido por “Blues”, um tributo ao legendário gênero norte-americano. No último movimento, “In Memoriam; March: ‘The BSO Forever’”, um trio de flautas dedicado aos grandes regentes da história da Sinfônica de Boston, incluindo o mentor de Bernstein, Serge Koussevitzky, serve como prelúdio para uma recriação da linguagem divertida das marchas da Boston Pops,1 encerrando de forma festiva o Divertimento
THOMAS MAY é jornalista, autor de Decoding Wagner: An Invitation To His World of Music Drama (Amadeus Press, 2004) e organizador de The John Adams Reader (Amadeus Press, 2006). Tradução de Ricardo Sá Reston. © Thomas May 

1. Orquestra “irmã” da Sinfônica de Boston, especializada em música clássica ligeira e melodias populares.


Vejam só: o jazz nasce da dança e se torna a “música norte-americana” por excelência. Mesmo sendo o blues e o improviso a mãe e o pai de tudo no jazz, Gershwin não deixa o pianista improvisar uma nota sequer em seu Concerto Para Piano em Fá Maior. Ele nos entrega uma obra de natureza leve e surpreendentemente neoclássica, em três movimentos, com estrutura tradicional rápido-lento-rápido.

Curiosamente, o saxofone alto (instrumento-símbolo do mundo jazzístico) aparece no primeiro movimento das Danças Sinfônicas, de Sergei Rachmaninov – que de jazzista não tinha nada –, porém de maneira lírica e sóbria, talvez como um primo distante do fagote. Aqui, a textura contrapontística leve e transparente remete ao segundo movimento do Concerto de Gershwin. Na bela peça do compositor russo, o papel de solista lírico é dado ao trompete, acompanhado com comovente singeleza por três clarinetes, numa espécie de “lamento-choro-negro”.

Naturalmente, existia por parte de Rachmaninov a intenção de transformar suas Danças Sinfônicas num balé. A ideia foi levada a Michel Fokine, que recebeu com entusiasmo a música brilhante e variada, totalmente adequada para uma leitura coreográfica. Com o falecimento de Fokine, a parceria não se concretizou. 

Rachmaninov, mestre absoluto da tradição de orquestração russa, revela na sua obra derradeira (de 1940) uma escrita que abrange desde suas típicas harmonias amplas e modulantes até gestos bem rítmicos e angulares, associados à música de modernos conterrâneos, como Stravinsky e Prokofiev. É interessante pensar na profundidade religiosa universal das últimas obras de mestres como Strauss (Quatro Últimas Canções) e Beethoven (Missa Solemnis, últimas Sonatas e Quartetos): Rach nos deixa uma obra de leveza notável, de um bom humor contagiante, sem abrir mão da escrita densa e de refinado virtuosismo técnico. 

A suíte de Danças Sinfônicas, escrita poucos anos depois da arrepiante Sinfonia nº 3, é uma síntese de tudo o que mais amamos na música russa: o vigor e a lírica sempre pintada em cores de contraste extremo. Teria essa música também nascido de uma dança ancestral, como o tal do jazz? Provavelmente sim! 

Do outro lado estava George Gershwin, que, embora em 1925 já fosse um compositor bastante bem-sucedido, ainda não havia se aprofundado na arte da orquestração (designava a tarefa a terceiros, experientes e rápidos). Num momento em que estava bastante ocupado com trabalhos na Broadway, Gershwin se viu diante da responsabilidade de uma encomenda importante: um concerto para piano e orquestra. Recorreu a livros de teoria e tratados de orquestração como caminho para enfrentar a tarefa, que cumpriu com brilho e genialidade. Organizando forças sinfônicas similares às utilizadas por Rachmaninov em sua suíte, não só levou a cabo a orquestração do Concerto Para Piano em Fá Maior, como demonstrou uma escrita eficaz e de muita personalidade.

O resultado é uma obra que, felizmente, jamais quer ser “jazz sinfônico” ou “vestir o jazz de casaca”. Não pretende levar a música livre e lindamente mestiça à sala de concertos para conferir a ela um lugar junto à “grande música”. O que quer, e consegue, é propor uma síntese humanista e genuína da grande arte a que podemos dar, por conveniência, o nome de jazz.

Aliás, há muito tempo a palavra “jazz” é apenas um escape, um pretexto, uma fuga: foram tantos os desdobramentos, são tantos os filhos desta potente mistura afro-americana que o pobre nome já não basta para tantos descendentes de abundante beleza e variedade. O Concerto é uma homenagem ao feliz casamento de tradições grandiosas, ecoando até nossos dias como algo fundamental e necessário, que transcende a música: mestiçagem contínua e infinita, como aquela dos deliciosos tangos brasileiros de Ernesto Nazareth.
ANDRÉ MEHMARI é pianista e compositor.



EIJI OUE
regente
MAKOTO OZONE piano

LEONARD BERNSTEIN [1918-90] compositor transversal
Divertimento Para Orquestra [1980]
15 MIN
GEORGE GERSHWIN [1898-1937]
Concerto Para Piano em Fá Maior [1925]
- Allegro
- Adagio
- Allegro Agitato
31 MIN
______________________________________
SERGEI RACHMANINOV [1873-1943]
Danças Sinfônicas, Op.45 [1940]
- Non Allegro
- Andante Con Moto
- Lento Assai - Allegro Vivace
34 MIN