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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
08
mar 2015
domingo 16h00 Coro da Osesp
Coro da Osesp: Celso Antunes


Celso Antunes regente
Coro da Osesp


Programação
Sujeita a
Alterações
Robert SCHUMANN
Romances e Baladas
Aurélio EDLER-COPES
Vox Schumann [Encomenda Osesp]
Robert SCHUMANN
Romances para Vozes Femininas
Canções Para Vozes Masculinas
Toshio HOSOKAWA
A Flor de Lótus - Hommage à Robert Schumann
Robert SCHUMANN
Quatro Canções Para Coro Duplo, Op.141
INGRESSOS
  R$ 40,00
  DOMINGO 08/MAR/2015 16h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

A presença da voz humana, solitária ou em corais, associada a um instrumento ou à orquestra, é um polo essencial na música de Schumann. O compositor era tomado por uma paixão pelo canto e escreveu sublimes Lieder, dentre os mais importantes jamais concebidos. Talvez sua contribuição para o repertório coral seja menos conhecida.


O ano de 1849 foi intensamente produtivo para Schumann. Dele, datam seus Romances e Baladas, como “Der König von Thule” [O Rei de Tule], sobre poema de Goethe, “Im Walde” [Na Floresta] e “Der traurige Jäger” [O Caçador Triste], sobre poemas de Eichendorff, e “Ungewitter” [Tempestade], sobre poema de Chamisso. São também de 1849 os Romances Para Vozes Femininas, dos quais fazem parte “In Meeres Mitten” [No Mar Aberto], com texto de Rückert, e “Die Kapelle” [A Capela], de Uhland. Ambos os ciclos de peças trazem a marca lúdica de suas invenções originais e nuançadas.


Já as Canções Para Vozes Masculinas foram escritas no ano de seu casamento com Clara Wieck: 1840. “Rastlose Liebe” [Amor Incansável] tem texto de Goethe, e “Die Lotosblume” [A Flor de Lótus], de Heinrich Heine, tratada por Schumann também como um Lied (canção para voz solista).


Três poetas (Rückert, Zedlitz, Goethe), quatro poemas, quatro cantos, duplo coro. Um compositor, Schumann, no apogeu da criação. Não é à toa que ele exaltou 1849 — data das Quatro Canções Para Coro Duplo — como “ano fecundo”.


Além da composição, eram múltiplas as atividades de Schumann; entre elas estavam o jornalismo, que o projetou como um núcleo reflexivo crucial sobre a música alemã e do resto da Europa, e a organização de concertos. Com energia, ele fundou em Dresden, onde vivia, o Verein für Chorgesang [Círculo de Canto Coral], grande coral misto para o qual escreveu várias partituras, entre elas as Quatro Canções Para Coro Duplo.


Na sua sucessão, as Quatro Canções formam uma sequência de movimentos diferentes. A primeira, “An die Sterne” [Às Estrelas], é calma, aérea, espiritual; a segunda, “Ungewisses Licht” [Uma Incerta Luz], heroica, corajosa, marcial; a terceira, “Zuversicht” [A Confiança], retoma o tom da primeira, em sua aspiração para o alto, com uma cor de prece; enfim, “Talismane” [Talismã], o apogeu, para o qual convergem as aspirações expressas em texto do maior poeta alemão, Goethe. É proclamação firme da grandeza divina: Deus Oriente, Deus Ocidente, Deus mostra o caminho certo.

 

Afirmativas, as canções podem ser percebidas como um oásis na vida do compositor, atormentado por doenças e ameaçado pela loucura que terminaria por dominá-lo. Ações sugestivas da dificuldade de estar no mundo, que o espírito romântico expressou tanto, surgem insistentes nos poemas: fugir para as estrelas; caminhar, vencendo asperezas, encontrando uma luz na noite; transformar em êxtase a dor mais profunda.


Os temas são a desorientação e a transcendência espiritual. “Talismã”, o poema de Goethe, conclui com as duas Graças que vivem na respiração e equilibram o que pesa e o que liberta. Mas há uma menção perturbadora: o espírito é forçado a voltar para dentro de si.


Esses cantos luminosos repousam sobre um pesadelo: o dentro de si, tema constante do Romantismo alemão (Novalis refere-se a “esse caminho misterioso que vai em direção ao interior”). Dentro do criador, há um tesouro que ele deve atingir. Para Schumann, esse tesouro se encontra no meio de tormentas obscuras. As Quatro Canções Para Coro Duplo mostram-se, em consequência, como joias luminosas feitas dessa luz que os poemas escolhidos elegem como guia e salvação e que o artista soube extrair de suas trevas.


A matéria e o sensível, as trevas e a luz. Essas oposições permitem compreender a composição de Toshio Hosokawa, A Flor de Lótus - Homenagem a Robert Schumann. A origem está numa canção de Schumann com poema de Heine, que o compositor também criou para coro masculino. Há o amor de Hosokawa por Schumann, há a atração oriental pela flor de lótus. No poema, a flor teme o sol e espera a noite, para abrir-se, como uma amante, em direção à lua.

 

O luar, nas trevas, é o guia. Hosokawa intui algo de espiritual nessa relação. Ele diz: “No budismo, Buda está sentado sobre uma flor de lótus, como um símbolo do transcendental. O lótus afunda as suas raízes no solo lamacento, cresce através da água e se abre para o céu. À luz da lua, o broto fechado é uma reminiscência das mãos de um homem absorto em suas orações.”

 

Sua composição faz o som gradativamente brotar do silêncio, ampliar-se evocando a flor que se abre para o luar e, enfim, transformar-se em prece.
JORGE COLI é professor na área de História da Arte e da Cultura na Unicamp e autor de A Paixão Segundo a Ópera (Perspectiva, 2003).

 

 

 


Anos atrás, quando estudei pela primeira vez a vida e a obra de Robert Schumann, deparei-me com a intrigante questão do limite entre loucura e genialidade. Existem poucos relatos objetivos sobre o caso específico de Schumann, visto que a psiquiatria ainda não era uma ciência totalmente estabelecida na época. Segundo as mais confiáveis biografias e a correspondência entre Clara e Robert Schumann, consta que, desde 1844, o compositor sofria de fortes crises de angústia, constantes zumbidos no ouvido (em torno à nota “lá”) e alucinações musicais que lhe perseguiram de forma cada vez mais intensa até o final de sua vida. Ao mesmo tempo que muitas dessas alucinações sonoras originaram os temas de algumas das suas mais brilhantes obras, elas lhe afastaram da realidade e selaram seu destino para sempre.


Quando recebi a encomenda da Osesp para compor uma obra em torno a Schumann, para mim foi evidente desde o início que trataria desse tema. Assim, em Vox Schumann, quis explorar um universo sonoro particular, repleto de pressão auditiva, de vozes alucinatórias e de mensagens sonoras insistentes. Para isso, trabalhei numa escritura vocal que se centra nos harmônicos e envelopes que acompanham as notas fundamentais do canto, numa escritura de percussão baseada em instrumentos metálicos, que fusionam e amplificam os espectros sonoros vocais, e na inclusão pontual de quatro megafones.


A obra conflui numa citação do tema das Geistervariationen [Variações Fantasma] - Tema e Variações em Mi Bemol Maior, WoO 24, a última obra para piano de Schumann, na qual ele elabora um tema supostamente oriundo de suas alucinações. Em contraponto a esse tema, incluo uma citação literária do compositor: “Licht senden in die Tiefen des menschlichen Herzens — des Künstlers beruf!” [Enviar luz às profundezas do coração humano — eis a vocação do artista!], que aparece no décimo quinto número da revista Musikalisches Wochenblatt, publicado em 1884.
AURÉLIO EDLER -COPES

ROBERT SCHUMANN 
Romances e Baladas [1849]
- Op.67 nº 1: Der König von Thule [O Rei de Tule] (Goethe)
- Op.75 nº 2: Im Walde [Na Floresta] (Eichendorff)
- Op.75 nº 3: Der traurige Jäger [O Caçador Triste] (Eichendorff)
- Op.67 nº 4: Ungewitter [Tempestade] (Chamisso)
14 MIN

 

AURÉLIO EDLER -COPES 
Vox Schumann [2015] [Encomenda Osesp. Estreia Mundial]
10 MIN

 

ROBERT SCHUMANN 
Romances Para Vozes Femininas [1849]
- Op.91 nº 6: In Meeres Mitten [No Mar Aberto] (Rückert)
- Op.69 nº 6: Die Kapelle [A Capela] (Uhland)
5 MIN

 

Canções Para Vozes Masculinas
- Op.33 nº 5: Rastlose Liebe [Amor Incansável] (Goethe)
- Op.33 nº 3: Die Lotosblume [A Flor de Lótus] (Heine)
4 MIN
______________________________________
TOSHIO HOSOKAWA
A Flor de Lótus - Homenagem a Robert Schumann [2006]
14 MIN

 

ROBERT SCHUMANN
Quatro Canções Para Coro Duplo, Op.141 [1849]
- An die Sterne [Às Estrelas] (Rückert)
- Ungewisses Licht [Uma Incerta Luz] (Zedlitz)
- Zuversicht [A Confiança] (Zedlitz)
- Talismane [Talismã] (Goethe)
15 MIN