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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
SEG A SEX – DAS 9h ÀS 18h
23
ago 2015
domingo 16h00 Recitais Osesp
Recitais Osesp: Nelson Goerner


Nelson Goerner piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Georg Friedrich HÄNDEL
Chaconne em Sol Maior
Robert SCHUMANN
Fantasia em Dó Maior, Op.17
Frédéric CHOPIN
Dois Noturnos
Scherzo nº 3 em Dó Sustenido Menor, Op.39
Alexander SCRIABIN
Dois Poemas, Op.32
Sonata nº 5 em Fá Sustenido Maior, Op.53
INGRESSOS
  Entre R$ 71,00 e R$ 92,00
  DOMINGO 23/AGO/2015 16h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

Como você pensa um recital de piano?

Vivemos numa época em que são habituais grandes produções no palco, e quando vemos um músico sozinho em cena, pode até parecer estranho. Mas não há experiência que iguale um recital de piano. Nele se pode oferecer ao público a essência de um artista.

 

O repertório escolhido para este recital possui coesão musical e, ao mesmo tempo, contrastes. Sou apaixonado pela obra de Händel e ouvi pela primeira vez esta Chacona na magnífica gravação de Edwin Fischer. Desde então quis incluí-la nos meus programas. Depois seguimos com a Fantasia de Schumann, uma obra que me acompanha há muitos anos, além de peças
de Chopin e Scriabin.

 

Qual é sua estratégia para estudar obras compostas para um instrumento que não é o piano atual, como a Chacona de Händel?

Penso que para abordar essas obras é preciso levar em conta tudo o que aprendemos com a musicologia histórica e tudo o que sabemos do instrumento para o qual a obra foi composta. Mas, se tentarmos imitar o som do instrumento original, corremos o risco de fazer uma interpretação caricata. É preciso assumir que estamos tocando no piano moderno e utilizar toda a gama de cores que ele permite. Acredito que a grande música transcende a questão do instrumento em que é tocada. No momento, preparo um registro discográfico da Sonata Hammerklavier, de Beethoven, escrita para um instrumento que só existia na imaginação do compositor. Os instrumentos da época não podiam produzir o que a Sonata requer. Não podemos esquecer que os compositores olhavam para o futuro, raramente para trás.

 

E qual a origem dessa relação tão especial com a Fantasia de Schumann?

Diria que ela é uma das peças mais apaixonadas já escritas para nosso instrumento. Desde a primeira frase, acompanhada por essa mão esquerda esmagadora, é uma obra que transporta o ouvinte, sobretudo o primeiro movimento. O segundo movimento é vigoroso, com um ritmo marcado, mas também com melodias inesquecíveis e mudanças de caráter que muitas vezes acontecem de uma nota à outra. O intérprete deve ter muita mobilidade psicológica para saber enfrentá-las sem perder coesão. O terceiro movimento traz uma atmosfera onírica, é para se tocar de olhos fechados. Não estamos mais
na realidade, estamos em outro mundo.

 

Por que a escolha desses dois Noturnos e desse Scherzo de Chopin, de caráter tão contrastante?

Absolutamente contrastante. Quando programamos um recital, é importante que haja lógica narrativa, mas que também se tenha contrastes. Não podemos permanecer no mesmo estado de espírito. O Scherzo nº 3 é uma das obras mais dramáticas, mais furiosas e moribundas escritas por Chopin — muito diferente desses noturnos. Mesmo que o Noturno em Fá Menor tenha uma seção intermediária apaixonada e inquietante, o Noturno em Mi Bemol é uma obra essencialmente lírica — um dos mais belos escritos pelo autor. Temos aí um contraste muito interessante, dois mundos completamente diferentes do mesmo criador.

O ano de 2015 marca o centenário de morte de Scriabin. O que pode nos dizer sobre as peças que vai tocar?

Achei muito interessante depois dos Noturnos de Chopin tocar os Dois Poemas de Scriabin, duas joias raramente apresentadas. São miniaturas de grande riqueza harmônica e variedade de climas. O primeiro é um devaneio que parece ter saído diretamente da pena de um Chopin que tivesse vivido mais 50 anos. É resultado de um estudo profundo do compositor que Scriabin tanto admirava. Com os anos, sua forma de compor evoluiu, como na Sonata nº 5, uma obra diabólica, fogo puro — que não tem nada a ver com o mundo chopiniano.

 

Scriabin tinha muito orgulho dessa composição e cita na partitura um excerto do seu Poema do Êxtase:

EU VOS CHAMO À VIDA, Ó FORÇAS MISTERIOSAS! AFOGADAS NAS PROFUNDEZAS OBSCURAS DO ESPÍRITO CRIADOR, TEMEROSAS SOMBRAS DA VIDA, A VÓS TRAGO A AUDÁCIA.

 

Acredito que não exista melhor entrada à obra do que essas frases, tão bem ilustradas nas primeiras notas da Sonata com trinados sinistros e ameaçadores. Parece que o autor está roubando o fogo sagrado dos deuses. É impressionante, porque não lida somente com o divino, mas também com o satânico, e incorpora uma diversidade de climas que o associam, de certa forma, ao espírito schumanniano. O poema nos faz pensar na natureza da música e no fazer musical…

 

Nós, intérpretes, estamos continuamente chamando à vida notas escritas num pentagrama. Creio que “arriscamos a vida” no momento em que entramos no palco. Mas também fazemos isso diariamente, porque temos a ilusão de chegar um pouquinho mais fundo no que um autor quis dizer ao compor uma peça. É uma busca dolorosa, que devemos realizar sozinhos perante a obra.

 

Acho que a frase de introdução descreve essa procura dolorosa que enfrentamos todos os dias quando sentamos ao piano e tentamos enxergar um pouco além das notas escritas. A música desperta todo o espectro de emoções que o ser humano é capaz de sentir, e são essas as forças que estamos chamando à vida, muito além de uma ou outra peça em particular.

 

Quais são suas expectativas com o retorno à Sala São Paulo?

Estou ansioso pelo reencontro com o público de São Paulo, que sempre achei muito acolhedor. Há algo muito lindo na sua forma de demonstrar ao artista o que sente, e essa espontaneidade chega ao palco. A Sala São Paulo é um espaço maravilhoso, com uma acústica excelente — sem sombra de dúvida, uma das melhores salas de concerto da América.
ENTREVISTA A LUCRECIA COLOMINAS, bacharel em música pela Unesp e ex-assessora artística da Osesp (2011-4).

 

 

 

Scriabin estava disposto a observar a música como a mais abstrata, mas também como a mais abrangente das formas de arte. Assim, assumia riscos para os quais outros compositores de sua época realmente não estavam preparados. Por isso,
acredito que, de muitas formas, muito da música do século XX que veio depois deve a ele algum tipo de reconhecimento — um aceno de cabeça ou pelo menos um toque na aba do chapéu.

MARIN ALSOP

 

 

 

 

 

PROGRAMA

GEORG FRIEDRICH HÄNDEL [1685-1759]
Chacona em Sol Maior [1733]
10 MIN


ROBERT SCHUMANN [1810-56]
Fantasia em Dó Maior, Op.17 [1836]
- I. Durchaus phantastisch und leidenschaftlich vorzutragen
[Para ser Tocado de Maneira Inventiva e Apaixonada]
- II. Mäßig [Moderado]
- III. Langsam getragen [Lenta e Solenemente]
30 MIN
_____________________________________
FRÉDÉRIC CHOPIN [1810-49]
Noturno nº 15 em Fá Menor, Op.55/1 [1842-4]
5 MIN


Noturno nº 2 em Mi Bemol Maior, Op.9/2 [1830-2]
5 MIN


Scherzo nº 3 em Dó Sustenido Menor, Op.39 [1839]
9 MIN


ALEXANDER SCRIABIN [1872-1915]
Dois Poemas, Op.32 [1903]
- Nº 1 em Fá Sustenido Maior
- Nº 2 em Ré Maior
5 MIN


Sonata nº 5 em Fá Sustenido Maior, Op.53 [1907]
12 MIN