Temporada 2019
setembro
s t q q s s d
<setembro>
segterquaquisexsábdom
262728293031 1
23 4 5 6 7 8
91011 12 13 14 15
161718192021 22
2324 25 26 27 28 29
30123456
jan fev mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez
PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
12
mar 2015
quinta-feira 10h00 Ensaio Aberto
Ensaio Aberto: Antunes, Meneses e Grange


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Celso Antunes regente
Antonio Meneses violoncelo
Marion Grange soprano
Coro da Osesp


Programação
Sujeita a
Alterações
Franz SCHUBERT
Tov LeHodos
Ernest BLOCH
Schelomo - Rapsódia Hebraica
Arnold SCHOENBERG
Sinfonia de Câmara nº 2, Op.38
Felix MENDELSSOHN-BARTHOLDY
Salmo 42, Op.42
INGRESSOS
  R$ 10,00
  QUINTA-FEIRA 12/MAR/2015 10h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

ENTREVISTA COM O MAESTRO CELSO ANTUNES

 

Como surgiu a ideia para este programa?
O programa teve origem num pedido de Antonio Meneses, que queria tocar Schelomo — Rapsódia Hebraica, de Ernest Bloch. A partir dessa sugestão, Arthur Nestrovski e eu pensamos em peças que pudessem compor uma espécie de homenagem à presença da cultura judaica na música ocidental. Temos então obras de três compositores de origem judaica, além de uma pequena peça coral de Schubert, Tov LeHodos [Cantemos ao Senhor], muito pouco conhecida mesmo entre regentes corais.


Fale um pouco sobre essa peça.
Tov LeHodos foi encomendada a Schubert para a celebração do Rosh Hashanah [Ano-novo judaico] de 1828, na Sinagoga de Viena. Pode parecer estranho que alguém como Schubert, compositor de origem católica e autor de muitas obras sacras, tenha escrito uma peça especificamente para uma sinagoga. De fato, trata-se de um caso raríssimo: Tov LeHodos é a única obra escrita em hebraico por um compositor cristão do século XIX.

 

O autor da encomenda foi Salomon Sulzer, um excelente hazzan [cantor], que estabeleceu um novo padrão para a liturgia na Sinagoga de Viena. Tendo recebido uma sólida formação musical, Sulzer se intitulava Kantor — termo alemão usado para designar os diretores musicais das igrejas cristãs —, e não apenas hazzan, como é o costume na comunidade judaica. Ele adaptou os cânticos hebraicos tradicionais, escrevendo para três ou mesmo quatro vozes.

 

Nos anos 1820, a música na igreja em Viena e arredores estava “em baixa”, a qualidade era péssima — e Sulzer transformou a Sinagoga de Viena num notável polo de produção musical.

 

Ernest Bloch é o menos conhecido dos quatro compositores que integram o programa — e sua peça é talvez a mais “marcadamente judaica”, tanto pelo título quanto pelas características musicais. Quem foi Bloch e quais são as particularidades dessa peça?

Bloch nasceu em Genebra e, mesmo tendo mais tarde se naturalizado norte-americano, nunca negou suas raízes judaicas. É um compositor de alta qualidade, e Schelomo [Salomão, em hebraico] — que, aliás, é a peça que o revelou para o mundo — faz parte de um ciclo de peças judaicas. A melodia é cheia de referências à música hebraica, com intervalos de segunda menor — e vale notar que se trata aqui de algo muito diferente das referências à música klezmer que aparecem tantas vezes em Mahler, por exemplo. Bloch planejava escrever uma peça vocal em hebraico quando conheceu, em Genebra, Alexandre Barjansky, um violoncelista judeu-russo. Impressionado com o talento de Barjansky, optou por compor pensando nele. A palavra cantada não deixa de ser um limitante: reduz os sentidos do discurso musical ao significado do texto. Tendo o violoncelo como “cantor”, só a música falaria.


Como Schoenberg se insere neste programa?
A Sinfonia de Câmara nº 2 é uma das obras mais maduras de Schoenberg: é quase uma peça neoclássica, ainda que tonalmente muito avançada. Digamos que o atonalismo da peça é aplacado por certos momentos quase tonais. Schoenberg começou a escrever o primeiro movimento ainda em Viena, em 1906, e só foi concluir o segundo — que é muito impactante — em 1916. Em 1939, fez algumas correções nesses dois movimentos e começou a escrever um terceiro, mas acabou desistindo e deu a peça por concluída. Nela, o conceito de “harmonias vagantes”, sobre o qual Schoenberg vinha trabalhando, se realiza plenamente — o que coloca um enorme desafio para o regente, principalmente pela questão da afinação. A peça é uma ótima porta de entrada para a obra desse grande compositor. Se alguém no público tiver medo de Schoenberg, essa é uma boa oportunidade para perder o medo.

 

Aproveitando sua brincadeira com o título do ciclo “Quem Tem Medo de Schoenberg?”, poderia dizer algumas palavras sobre Gurre-Lieder, que a Osesp vai apresentar em setembro?

Gurre-Lieder é uma das obras capitais do século XX — uma peça gigantesca, com um coro enorme. Foi escrita entre 1900 e 1911, ou seja: Schoenberg ainda não tinha formulado as teorias do dodecafonismo. Os primeiros compassos fazem pensar em Debussy, têm uma atmosfera meio impressionista. A peça também evoca Wagner, mas elevado à sétima potência. Gurre-Lieder tem um aspecto visionário, é uma peça bombástica: parece Richard Strauss ligado em 220. Mas ainda não é o Schoenberg que virá, por exemplo, com Pierrot Lunaire [que será interpretado pelos Alunos da Academia da Osesp em setembro].


O programa que abriu com uma peça em hebraico, de um compositor cristão, fecha com uma obra cristã, de um compositor de família judia. Pode falar um pouco sobre a peça de Mendelssohn?
Apesar de sua posição de destaque em Berlim, como um importante banqueiro (ou justamente por causa dela), o pai de Mendelssohn optou por abandonar suas origens judaicas: se converteu e batizou seus quatro filhos como cristãos. Mendelssohn compôs muita música ligada ao protestantismo. O Salmo 42 é uma obra coral-sinfônica maravilhosa, com um solo de soprano inesquecível. Vale dizer ainda que, no fim de sua curta vida, Mendelssohn tomou consciência de suas origens judaicas, como é possível depreender da leitura de suas últimas cartas.
ENTREVISTA A RICARDO TEPERMAN.


FRANZ SCHUBERT
Tov LeHodos [Cantemos ao Senhor] [1828]
4 MIN


ERNEST BLOCH
Schelomo - Rapsódia Hebraica [1916]
18 MIN
______________________________________
ARNOLD SCHOENBERG
Sinfonia de Câmara nº 2, Op.38 [1906; rev. 1939]
- Adagio
- Con Fuoco
22 MIN


FELIX MENDELSSOHN-BARTHOLDY
Salmo 42, Op.42 [1837-8]
- Coro: Wie der Hirsch schreit [Assim Como Brama o Cervo]
- Ária: Meine Seele dürstet nach Gott [Minha Alma Tem Sede de Deus]
- Recitativo: Meine Tränen sind meine Speise [Minhas Lágrimas Servem-me de Mantimento]
- Ária: Denn ich wollte gern [Quando me Lembro Disto]
- Coro: Was betrübst du dich [Por Que Estás Abatida?]
- Recitativo: Mein Gott, betrübst ist meine Seele in Mir [Ó Meu Deus, Dentro de Mim Está Abatida Minha Alma]
- Quinteto: Der Herr hat des Tages verheissen seine Güte [Contudo, o Senhor Mandará a Sua Misericórdia]
- Coro: Was betrübst du dich [Por Que Estás Abatida?]
27 MIN