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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
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24
set 2015
quinta-feira 10h00 Ensaio Aberto
Ensaio Aberto: Alsop rege Brahms


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente


Programação
Sujeita a
Alterações
Johannes BRAHMS
Sinfonia nº 1 em Dó Menor, Op.68
Sinfonia nº 2 em Ré Maior, Op. 73
INGRESSOS
  R$ 10,00
  QUINTA-FEIRA 24/SET/2015 10h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

A música de Brahms tem um lugar muito especial no meu coração. Aos 12 anos, participei de um acampamento de música. Indo para o dormitório pelo corredor, ouvi uma gravação vinda do quarto de alguém e fiquei pasma. Sentei no chão para ouvir e fui tomada pela emoção, a ponto de começar a chorar. Foi a primeira vez que me lembro de ter sido tocada por uma obra musical e de ter entendido o poder transformador da música. A peça era o Sexteto de Cordas em Si Bemol Maior de Brahms, que logo estava adorando tocar, e que ainda me comove profundamente.


Minha reação visceral ao Sexteto de Brahms se estendeu a toda sua música, principalmente suas quatro sinfonias mágicas. Para mim, são quatro planetas no mesmo universo — cada uma com sua atmosfera e sua topografia únicas, mas ligadas num nível fundamental.


Que realização fantástica, especialmente considerando a enorme luta que Brahms precisou enfrentar para escrever a primeira delas. Tentou muitas vezes, mas só quando todos tinham virtualmente desistido de acreditar que um dia escreveria uma sinfonia foi que surgiu sua monumental Sinfonia n° 1. Quando a peça estreou, ele já tinha 43 anos!

 

Reger todas as quatro sinfonias de Brahms é um verdadeiro privilégio e uma experiência realmente especial. Espero que nossos ouvintes possam ser transportados para aquele corredor em que me apaixonei por Brahms pela primeira vez.
MARIN ALSOP. Tradução de Rogério Galindo.

 


Schumann caracterizou as primeiras sonatas para piano de Brahms como “sinfonias veladas” e incentivou o amigo a escrever para grupos maiores. Mas se passariam 23 anos até que Brahms brindasse o mundo com sua Sinfonia nº 1. Já em 1854, o compositor havia reagido à sugestão de Schumann orquestrando o primeiro movimento de uma sonata para dois pianos, que logo se tornou o movimento de abertura de seu Concerto n° 1 Para Piano. Uma nova tentativa veio logo a seguir, quando Brahms experimentou transformar sua Serenata nº 1 numa sinfonia — mas avaliou que era uma resposta inadequada à tradição sinfônica beethoveniana que tanto valorizava. No verão de 1862, o primeiro movimento de uma sinfonia em Dó Menor estava pronto para ser mostrado aos amigos, ainda sem a introdução lenta que seria acrescida à versão final da obra, concluída 14 anos depois.


No início dos anos 1870, Brahms disse ao regente Hermann Levi: “Nunca vou escrever uma sinfonia! Você não tem ideia de como é ouvir sempre os passos daquele gigante Beethoven marchando atrás”. O impulso final veio de Wagner, que, tendo afirmado que os verdadeiros sucessores da sinfonia beethoveniana eram seus próprios dramas musicais, abriu seu teatro em Bayreuth em agosto de 1876. Talvez Brahms tenha se sentido no dever de mostrar que a tradição beethoveniana ainda era capaz de suportar originalidade e profundidade no gênero sinfônico. Finalmente, em 4 de novembro de 1876, a Sinfonia nº 1 teve sua estreia, em Karlsruhe, com regência de Otto Dessoff.


Brahms aproveitou a ideia do início pré-temático que Beethoven usou na Nona e a adaptou nas linhas cromáticas divergentes que soam sobre os terríveis toques de tímpano que abrem sua Sinfonia nº 1. Também usou esse material pré-temático em todos os movimentos como uma força de ligação, com uma evocação especialmente forte no início do finale.


A peça também renova as formas beethovenianas dos movimentos, especificamente a forma-sonata do primeiro e do último movimentos, e a forma ternária para os movimentos internos. Isso se dá de uma maneira que levaria seus primeiros críticos a sugerir que a obra tinha um “programa secreto”. Embora não fosse o caso, a observação aponta para a natureza evocativa dos temas e dos tratamentos de Brahms.

 

O último movimento, por exemplo, começa com contrastes extremos: uma sombria evocação do material pré-temático combinada com uma amostra do tema principal do “Allegro”, levando ao tema da trompa e ao coral solene que se segue. O tema principal do “Allegro” indubitavelmente ecoa a melodia da “Ode à Alegria”, de Beethoven, com Brahms novamente evocando e reinterpretando o predecessor. A costura de todos esses elementos díspares é notável: a volta do tema da trompa é o clímax de recapitulação, e a volta do coral garante a euforia do final. O regente Hans von Bülow chamou essa sinfonia de “Décima”, o que foi muitas vezes visto como um aval a Brahms como herdeiro de Beethoven.

 

A Sinfonia nº 2 foi escrita menos de um ano depois da Primeira. Como em outros casos de obras que vieram aos pares, o envolvimento criativo com um gênero específico tinha resultado em ideias demais para uma única peça, levando o compositor a produzir obras contrastantes que, apesar disso, têm ligações sutis entre si. Comparada à monumentalidade dramática da Primeira, a Segunda prioriza o lirismo e a alegria — Brahms a chamava de “sinfonia feliz”. Isso dito, o material pré-temático de abertura, um tema de quatro notas nos violoncelos que fornece o ponto de partida para vários temas na obra, é essencialmente uma simplificação da abertura do tema beethoveniano no finale da Primeira.


Brahms provocava os amigos que ainda não tinham ouvido sua nova sinfonia dizendo que era especialmente lúgubre, mas de fato achava que a obra também tinha um lado mais sombrio. Chegou a afirmar que as entradas de trombone no primeiro movimento refletiam sua própria melancolia. No movimento lento, os quatro instrumentos graves de metal realçam a suntuosa melodia de abertura. Para o terceiro movimento, Brahms inverte e estende esse tema num gracioso minueto, que depois transforma em diferentes seções mais rápidas, trazendo à tona novos tipos de danças — um galope, que inclui material semelhante ao de uma marcha, e uma valsa rápida. Cada seção do finale começa de maneira discreta, com a elaboração do motivo que serve como tema; na exposição, isso leva a uma variante enérgica e jovial e a um segundo tema arrebatador, com o motivo novamente invertido. Na coda, um arroubo de glória nos trombones e nos trompetes traz um desfecho apaziguador. A estreia ocorreu em Viena, em 30 de dezembro de 1877, com regência de Hans Richter.
ROBERT PASCALL é professor honorário de filologia da música na Universidade de Cambridge e autor de Brahms: Biographical, Documentary And Analytical Studies (Cambridge University Press, 2008). Tradução de Rogério Galindo.

 

 

PROGRAMA
OSESP
MARIN ALSOP
REGENTE


JOHANNES BRAHMS [1833-97]
Sinfonia nº 1 em Dó Menor, Op.68 [1854-76]
- Un Poco Sostenuto. Allegro
- Andante Sostenuto
- Un Poco Allegretto e Grazioso
- Adagio. Piu Andante. Allegro Non Troppo, ma Con Brio
45 MIN
_____________________________________
Sinfonia nº 2 em Ré Maior, Op.73 [1877]
- Allegro Non Troppo
- Adagio Non Troppo
- Allegretto Grazioso, Quasi Andantino
- Allegro Con Spirito
40 MIN