PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
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SEG A SEX – DAS 9h ÀS 18h
30
ago 2016
terça-feira 20h00 Osesp Masp
Osesp Masp: Atmosfera de Sonho


Coro da Osesp
Geoffroy Jourdain regente


Programação
Sujeita a
Alterações

Com a delicadeza do Impressionismo e suas nuances românticas a música se sobrepõe às mudanças que ocorrem no mundo. Aos poucos, os acordes surpreendentes envolvem a todos e a modernidade desejada se mescla à busca de tranquilidade com momentos de apogeu, melancolia e deslumbramento.

Maurice RAVEL
Ballade de la Reine Morte d'Aimer [Arranjo de Vincent Manac'h]
Três Canções
Ma Mère l'Oye: Le Jardin Féerique [Arranjo de Thierry Machuel]
Philippe HERSANT
L'Infinito
Jean-Louis FLORENTZ
Asmara
INGRESSOS
  Entre R$ 25,00 e R$ 50,00
  TERÇA-FEIRA 30/AGO/2016 20h00
Auditório MASP Unilever
São Paulo-SP - Brasil

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista
São Paulo –SP

Notas de Programa

O repertório francês do século xx para coro de câmara a cappella é bastante escasso. Três canções de Debussy, três de Ravel e nada mais muito importante digno de registro, exceto pela obra de Francis Poulenc.

 

É verdade que, na segunda metade do século, por impulso da atuação de Marcel Couraud na Radio France, ocorreu uma importante renovação do interesse pela escrita vocal polifônica, mas destinada sobretudo a pequenos conjuntos vocais em dispositivos essencialmente solísticos. De uns vinte anos para cá, vários coros profissionais de câmara surgiram na França e são órfãos de repertório.

 

As Três Canções de Ravel foram escritas entre 1914 e 1915, quando o compositor aguardava a partida para a guerra. Publicadas em 1916 e cantadas pela primeira vez em outubro de 1917, são um dos últimos testemunhos (em especial, “Três Belos Pássaros do Paraíso”) do mundo que caminharia definitivamente para o horror do conflito mundial. Cabe notar que os poemas, cheios de estranheza, mas também de humor, são do próprio Ravel.

 

Compostos em 1913 e apresentados pela primeira vez no ano seguinte, os Três Poemas de Stéphane Mallarmé destinavam-se originalmente a soprano e pequeno conjunto instrumental. Ravel dizia: “Considero Mallarmé não só o maior poeta francês, como também o único, pois […] exorcizou essa língua, como mágico que era. Libertou os pensamentos alados e os devaneios inconscientes de sua prisão.”

 

Tal como o Pierrô Lunar, de Schoenberg, ou os Três Poemas da Lírica Japonesa, de Stravinsky, que estrearam na mesma ocasião dos Poemas de Ravel, esse ciclo é considerado uma obra vocal fundadora da modernidade. O arranjo para coro de “Suspiro” é de Clytus Gottwald, um dos maiores regentes corais do século xx, com grande participação na cena contemporânea, conhecido hoje em dia por suas hábeis transcrições para coro a cappella.

 

Já a Balada da Rainha Morta de Amar é uma obra de juventude, da época em que Ravel estudava no Conservatório de Paris. Escrita em 1893, é considerada frequentemente a primeira obra significativa do compositor, ainda muito influenciado pelo estilo de Erik Satie.

 

A peça ficou inédita até 1975, dois anos depois do nascimento de Vincent Manac’h, compositor representativo da renovação da arte coral francesa. Manac’h revisita a Balada, orquestrando-a de maneira muito sutil para dois coros: o coro “que ressoa” age sobre o coro principal (ao qual é confiado o texto) como seu reflexo, mais ou menos como o pedal sobre a tábua harmônica de um piano.

 

Philippe Hersant estava trabalhando em L’Infinito, obra inicialmente prevista para conjunto de solistas, quando chegou a notícia da morte de Federico Fellini, em 1993. Seu último filme, A Voz da Lua, estava impregnado da poesia de Giacomo Leopardi (1789-1837), motivo da escolha desse texto magnífico. A ele se somam um prólogo e um epílogo que se valem dos primeiros versos de um hino à lua, também de Leopardi, recitado pelo personagem principal no filme de Fellini.

 

Há alguns anos, sugeri a Philippe Hersant adaptar essa peça para coro de câmara, pois me parecia que as texturas se prestavam mais a isso. L’Infinito estreou em sua nova versão (que substitui a antiga no catálogo do compositor) na interpretação do grupo Les Cris de Paris.

 

Asmarâ, de Jean-Louis Florentz, foi composta e apresentada pela primeira vez em 1992 e é, sem dúvida alguma, a obra mais original de música sacra francesa da segunda metade do século xx. Além de compositor de talento, Florentz é também um etnomusicólogo respeitado, autor de importantes pesquisas no nordeste africano.

 

Asmarâ é um salmo cantado em ge’ez (ou etíope litúrgico). Os cristãos ortodoxos da Etiópia são depositários da liturgia considerada a mais antiga da cristandade (com frequência esquecemos que essa parte do mundo foi evangelizada antes da Europa). Todos os motivos melódicos e rítmicos utilizados aqui por Florentz são extraídos dessa esplêndida tradição.

 

GEOFFROY JOURDAIN. Tradução de Ivone Benedetti.