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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
29
jun 2017
quinta-feira 21h00 Cedro
Temporada Osesp: Alsop e Ozone


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Makoto Ozone piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Alberto GINASTERA
Variações Concertantes, Op.23
André MEHMARI
Variações Concertantes
Leonard BERNSTEIN
Fancy Free
George GERSHWIN
Rhapsody in Blue
INGRESSOS
  Entre R$ 46,00 e R$ 213,00
  QUINTA-FEIRA 29/JUN/2017 21h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

GINASTERA
Variações Concertantes, Op.23

 

Professor de Piazzolla e aluno de Copland, Ginastera é o principal nome da música de concerto argentina do século XX. Em sua consistente obra, o nacionalismo de dicção sul-americana e o modernismo europeu se fundem em equilíbrio, abrindo eventuais frestas para expansões cromáticas mais radicais.


Escritas em 1953, suas Variações Concertantes — mesma forma encomendada a André Mehmari na estreia a seguir — fazem menção explícita à cultura popular logo nos primeiros sons da harpa — Mi, Lá, Ré, Sol, Si, Mi —, as seis notas das cordas soltas do violão. Após a apresentação do tema no violoncelo, as variações se sucedem em caráter concertante, ou seja, cada uma delas é dedicada a um instrumento solista principal: flauta, clarinete, viola, oboé (com fagote), trompete (com trombone), violino e trompa, respectivamente.


Ao final, o tema é recapitulado no contrabaixo antes da última seção, em que são evocados ritmos característicos de dança das planícies gaúchas do sul da América.

 

SERGIO MOLINA é compositor, Doutor em Música pela USP,
coordenador da Pós-Graduação em Canção Popular na FASM (SP)
e professor de Composição no ICG/UEPA de Belém.

 


MEHMARI
Variações Concertantes Sobre um Tema de Ernesto Nazareth/ENCOMENDA OSESP /ESTREIA MUNDIAL

 

A música do pioneiro-pianeiro Ernesto Nazareth é das mais antigas e fortes lembranças musicais que consigo acessar. A verdade é que essa música me chegava já pelo cordão umbilical, de maneira que dela não pude escapar. Em casa, minha mãe fazia soar as valsas e tangos brasileiros do mestre carioca, alternando eventualmente com um Chopin, um Jobim ou um Joplin. Tudo isso se amalgamou no meu coração-ouvido, de modo que estabeleci uma conexão muito natural com todas as músicas que brotavam dos martelos surrados do pequenino piano da sala.


Talvez minha predileção pela técnica de tema e variações esteja ligada à minha brasilidade e ao fato de estar o tempo todo exposto a muitos contrastes. Observar e encontrar as variações sobre cada experiência é um exercício diário: uma flexão natural do meu olhar, do meu ouvido interno.


Meu afeto por este simpático e bem-humorado maxixe é evidente em cada uma das variações que se desenvolvem na narrativa musical ininterrupta. Uma imagem que sempre me invadia durante a composição era a figura de Nazareth tecendo em tempo real a trilha sonora para os filmes mudos do Cine Odeon.


Citações entram e saem com naturalidade e fluidez deste trem a vapor chamado Fon-Fon!. Em cada uma das variações, a conexão com o tema é sempre muito clara, pois confesso que durante o processo criativo não sentia vontade de me distanciar do tema magnético, sempre presente em meus recitais: de Quito a Quioto essa música é sempre muito bem recebida.


Com o convite da Osesp, posso agora viajar muito além das teclas pretas e brancas e expandir o som do meu piano para a paleta orquestral. Após essa longa viagem, um reconfortante “da capo”. Assim, ao final, retomamos o tema tal qual exposto inicialmente, num movimento que sugere eterno recomeço, um sentimento muito familiar ao brasileiro.

 

ANDRÉ MEHMARI é pianista e compositor. Além dessa peça,

também terá uma obra para coro interpretada nessa Temporada Osesp 2017:

The Rainbow Rose, com o Coro Acadêmico da Osesp e Marcos Thadeu (28-30/set)

 

 

BERNSTEIN
Fancy Free

 

O enredo do balé Fancy Free [Sem Compromisso], apresentado aqui em uma nota de programa escrita por Bernstein em 1946, retrata a juventude norte-americana na época da Segunda Guerra [...]: “A cortina sobe e revela uma esquina com um poste de luz, um bar numa rua pequena e os arranha-céus de Nova York desenhados com um ousado jogo de luzes, compondo um pano de fundo vertiginoso. Três marinheiros surgem de maneira explosiva no palco. Eles estão na cidade para aproveitar uma licença de 24 horas, e naturalmente saem em busca de mulheres”. (1)


Em carta enviada a Robbins em dezembro de 1943, o compositor comenta aspectos do trabalho em andamento: “Decidi dar ao piano um papel de solista. Ele fica cada vez mais importante [...] (nunca permanece sozinho mais do que uns poucos compassos); e parece ser a chave para a audição do balé [...]”. (2)


Estreado em 1944, foi o primeiro de muitos projetos em parceria com o produtor, diretor e coreógrafo Jerome Robbins, como os balés Dybbuk e Facsimile e os musicais On The Town e West Side Story.


[2015]


RICARDO TEPERMAN é Doutor em Antropologia pela USP

e Editor na Companhia das Letras

 

1. Tradução de Rogerio Galindo.


2. SIMEONE, Nigel (org.). The Leonard Bernstein Letters. Tradução de Rogerio Galindo. New Haven: Yale University Press, 2013.

 


GERSHWIN
Rhapsody in Blue

 

Em 1924, a obra de George se enriquecia com uma peça de fôlego, Rhapsody in Blue, concebida numa viagem de trem para Boston. Era um lance bastante ousado para um cancionista da Tin Pan Alley, o célebre centro do comércio musical de partituras de Nova York.


O acorde de sétima menor que George empregara em 1922, em I’ll Build a Stairway to Paradise, já prenunciava a rapsódia composta pouco depois, para piano e jazz band. Ampliada em arranjo para grande orquestra por Ferde Grofé, foi ouvida pela primeira vez no concerto An Experiment in Modern Music, a cargo da orquestra de Paul Whiteman. Naquela tarde de 12 de fevereiro, no Aeolian Hall de Nova York, o próprio compositor estava ao piano. O som inicial das 17 notas executadas em glissando pela clarineta, ideia sugerida pelo clarinetista Ross Gorman num ensaio e aprovada por Gershwin, soou como um guincho suplicante totalmente inesperado.


Abusando de síncopes e efeitos exóticos, Gershwin usava principalmente a escala de blue notes (com a terça, a quinta e a sétima bemolizadas), emblema do grande legado da música americana, o jazz. Mesmo não sendo rigorosamente uma peça de jazz, com Rhapsody in Blue o gênero marcou presença nas salas de concerto, ganhando a respeitabilidade das plateias.


[2012]

 

ZUZA HOMEM DE MELLO é jornalista musical e escritor,

autor de A Era dos Festivais (São Paulo: Editora 34, 2003)

entre outros livros. Atua na área há mais de 60 anos.