Temporada 2017
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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
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17
ago 2017
quinta-feira 21h00 Carnaúba
Temporada Osesp: Peleggi e Schwizgebel


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Valentina Peleggi regente
Louis Schwizgebel piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Joseph HAYDN
Abertura em Ré
Camille SAINT-SAËNS
Concerto nº 5 Para Piano em Fá Maior, Op.103 - Egípcio
Nikolai RIMSKY-KORSAKOV
A Lenda da Cidade Invisível de Kitej e a Donzela Fevronia: Suíte
Capriccio Espagnol, Op.34
INGRESSOS
  Entre R$ 46,00 e R$ 213,00
  QUINTA-FEIRA 17/AGO/2017 21h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

HAYDN

Abertura em Ré /HAYDN EM FOCO


Há uma fina ironia na escrita de Haydn que se revela à medida que o ouvinte se familiariza com seu estilo e as nuances do classicismo. Pequenos desvios de rota, pausas inesperadas e cadências interrompidas são apenas alguns dos gestos sutis subvertendo elegantemente uma prática que o próprio Haydn foi o principal responsável por consolidar: “suas composições são fruto de uma mente sofisticada, sempre muito atenta à percepção de seus ouvintes e à recepção de suas peças [...]”, afirma Laura Rónai em seu ensaio “Haydn, um Compositor Solar”. (1)


Várias dessas características podem ser observadas na breve Abertura em Ré, cuja origem ainda hoje é objeto de discussão entre os pesquisadores. Organizada em forma sonata, foi composta possivelmente na década de 1770 e publicada como uma versão alternativa para o movimento final da Sinfonia nº 53.

 

1. Revista Osesp 2017, pp. 32-40.

 

SERGIO MOLINA é compositor, Doutor em Música pela USP,
coordenador da Pós-Graduação em Canção Popular na FASM (SP)
e professor de Composição no ICG/UEPA de Belém.

 


SAINT-SAËNS

Concerto nº 5 Para Piano em Fá Maior, Op.103 – Egípcio


É possível olhar a vida de Camille Saint-Saëns com 
igual medida de admiração e temor. O compositor era surpreendentemente multidimensional: além de pianista virtuosístico e prolífico criador, Saint-Saëns escreveu livros sobre diversos temas, era um linguista reconhecido e um insaciável viajante. Foi, de fato, uma de suas viagens ao norte da África, em 1896, que inspirou este concerto.


[...]


A despeito do segundo movimento, o Concerto Egípcio permanece dentro do modelo típico de Saint-Saëns, ou seja, é melodioso e de fácil fruição. Pleno conhecedor de sua própria identidade artística, o compositor coloca seu credo em perspectiva quando escreve: “O artista que não se sente completamente satisfeito por linhas elegantes, por um colorido harmonioso e por uma bela sucessão de acordes, não entende a arte da música”.


Como vários outros concertos de Saint-Saëns, o 
início deste não revela imediatamente suas intenções virtuosísticas. Ao contrário, o primeiro movimento abre com uma melodia despretensiosa, a qual, contudo, logo cede aos característicos arpejos e às rápidas escalas, e a um sentido de urgência. O início do segundo movimento, o “Andante”, com seu exotismo dramático do Oriente, explica a razão do concerto ter sido apelidado de “Egípcio”. Diz-
se que a melodia lírica de sua seção central seria de uma canção tradicional, que o compositor ouviu quando cruzava o Nilo em um barco. Para o movimento final, Saint-Saëns retorna a seu estilo natural de brilhos franceses, melodias cativantes e pirotecnias no teclado, que devem deixar a plateia “completamente satisfeita”.


ORRIN HOWARD

Nota de Programa gentilmente cedida pela Filarmônica de Los Angeles

 

 

RIMSKY-KORSAKOV

A Lenda da Cidade Invisível de Kitej e a Donzela Fevronia: Suíte


Esta suíte foi extraída da 12ª ópera de Rimsky-Korsakov, A Lenda da Cidade Invisível de Kitej, libreto de Vladimir Belsky. A ópera, escrita entre 1903 e 1904, estreou no Teatro Mariinsky, de São Petersburgo, em 20 de fevereiro de 1907, um ano antes da morte do compositor.


Conforme o biógrafo Rostislav-Michel Hofmann, (2) Kitej, ao contrário de quase todas as demais óperas de Rimsky, não é um conto, mas uma lenda de inspiração religiosa.


[...] O enredo narra a história do príncipe Vsevolod, de Kitej, que pede em casamento a campesina Fevronia. Mas a invasão bárbara dos tártaros impede a boda e dizima vidas, inclusive Fevronia e o príncipe. A cidade renasce (!) no plano divino. Celebra-se lá a boda, aos olhos do povo. Kitej poderia ter como epígrafe as palavras de Fevronia: “Deus não abençoa as lágrimas da tristeza. Ele abençoa as lágrimas da alegria celeste”.


A suíte dessa ópera, arranjada por Glazunov e Steinberg, discípulos de Rimsky-Korsakov, contempla a rica paleta original, recapitulando episódios cruciais da narrativa: “Hino à Natureza”; “Cortejo Nupcial de Fevronia”; “Batalha dos Tártaros”; “O Fim Glorioso de Fevronia”.

 

[2005]

 

2. HOFMANN, Rostislav-Michel. Rimsky-Korsakov: Sa Vie, Son Oeuvre. Paris: Flammarion, 1958.


MARINO MARADEI JR. é jornalista.

 


RIMSKY-KORSAKOV

Capriccio Espagnol, Op.34


No verão de 1888, o pintor Vincent Van Gogh escreve a seu irmão Théo dizendo que o “pintor do futuro é um colorista como jamais houve”. Para ele as paisagens, os temas, não passam de um lugar tranquilo sobre o qual elabora e trabalha detalhadamente suas cores. Os tons quebrados, os tons vivos, as cores elementares, tudo é contraposto para fazer vibrar a luz.


Se o problema da cor ronda a pintura, não será diferente com a música. O problema da cor aqui é o do timbre, o das sonoridades. E se Van Gogh escolhe as paisagens de Auvers-sur-Oise, Korsakov escolhe a música espanhola e a música russa [...].


No verão de 1887, Korsakov acabara de compor sua Fantasia Russa e já imaginava uma fantasia espanhola a partir de temas que encontrara na Coletânea de Canções Espanholas e Canto Cigano, de Izenga. Garantido o ambiente espanhol, no entanto, o interesse da obra recai, segundo o próprio compositor, na orquestração. [...]


São ao todo cinco movimentos em ambiente espanhol para fazer brilhar a orquestra: “Alvorada”, “Variação”, “Alvorada Com Variações”, “Cena e Canto Cigano” e “Fandango Asturiano”. A “Alvorada” pinta o nascer do dia e a grande alegria do nascer do dia. A “Variação”
faz os temas da alvorada desaparecerem em invenções orquestrais. Novamente a “Alvorada”, agora atravessada por solos de violino. Segue a “Cena e Canto Cigano”. Finalmente o “Fandango”: novos solos de violino entremeados à fanfarra, e uma gama de invenções sonoras na percussão, até que o tema da “Alvorada” volte em fragmentos.


[2003]


SÍLVIO FERRAZ 
é professor titular do curso de

Composição da Universidade de São Paulo

e pesquisador da Fapesp e do CNPQ.


Leia sobre Joseph Haydn no ensaio "Haydn, um compositor solar", de Laura Rónai aqui.