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SEG A SEX – DAS 9h ÀS 18h
24
nov 2017
sexta-feira 21h00 Sapucaia
Osesp 60: Bruno Procópio e Judith Van Wanroij


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Bruno Procópio regente
Judith Van Wanroij soprano


Programação
Sujeita a
Alterações
Luigi CHERUBINI
Médée: Abertura
Niccolò PICCINNI
Didon: Ária
José Mauricio NUNES GARCIA
Abertura Zemira
Antonio SACCHINI
Renaud: Excertos
Antonio SALIERI
Les Danaïdes: Excertos
Luigi CHERUBINI
Sinfonia em Ré maior
INGRESSOS
  Entre R$ 46,00 e R$ 213,00
  SEXTA-FEIRA 24/NOV/2017 21h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

Esse concerto conta com o apoio do Centro de Música Barroca de Versalhes.  

 

Notas de Programa

CHERUBINI

Médée: Abertura

PICCINNI

Didon: Ária


NUNES GARCIA

Abertura Zemira

SACCHINI

Renaud:  Excertos 

SALIERI

Les Danaïdes: Excertos

CHERUBINI

Sinfonia em Ré Maior


Os Italianos em Paris são o tema do concerto desta semana. Na entrevista a seguir, o cravista e regente Bruno Procopio comenta o contexto histórico e estético desse repertório do período Clássico.


1 - Com o passar do tempo, o repertório de concerto mais executado do classicismo do final do século XVIII acabou se consolidando em torno de Haydn, Mozart e Beethoven. Em que medida a produção dos compositores italianos, no programa desta semana, se diferencia desse modelo?


Em todo o decorrer do século XX, a música alemã sempre foi a referência, sobretudo se tratando de 
música orquestral. No entanto, a música que mais viajou e influenciou foi a italiana. Beethoven e Mozart eram quase desconhecidos no sul da Europa; Mozart teve grande êxito como criança prodígio, mas suas óperas eram pouco executadas. Todos os compositores deste programa foram grandes “vedetes” em muitos países da Europa. Depois de confirmadas carreiras na Itália, foram chamados e aclamados em grandes teatros da França, de Portugal e da Inglaterra. Antonio Salieri, em sua época, foi um compositor muito admirado, escreveu em torno de 50 óperas e foi professor de composição de Beethoven, Schubert, Moscheles, Hummel, Liszt e Meyerbeer, entre outros.


2 - Que contexto musical havia em Paris, no final do século XVIII e início do XIX, favorecendo a atuação dos compositores italianos?


Depois da famosa Querelle des Bouffons — uma discussão intelectual entre os que apoiavam a música francesa e os defensores da música italiana —, que teve seu apogeu na metade do século XVIII, não parou mais a disseminação da ópera buffa nos teatros franceses. A grande promotora da música italiana foi sem dúvida a rainha Maria Antonieta, que convidou e protegeu compositores como Sacchini e Gluck. Mesmo Napoleão, tendo dúvidas em relação às ideologias políticas de Cherubini, não deixou de encomendar algumas obras e convidá-lo para concertos oficiais.


3 - Você poderia salientar algumas particularidades dos estilos de Cherubini, Piccinni, Sacchini e Salieri?


Todos os compositores italianos deste programa foram consagrados compositores de óperas. Uma nova música se elaborou na Itália na segunda metade do século XVIII, um estilo no qual as proezas vocais dos cantores eram o foco. O desenrolar da trama passava pelo recitativo, deixando para as árias toda a parte virtuosa. Poucas palavras e muito show!


No entanto, mesmo em uma França completamente seduzida pelo estilo italiano, estes compositores tiveram que adaptar sua escrita. O texto, a declamação — uma tradição que remonta a Lully —, ainda prevalecia. Os interlúdios musicais, as famosas Suites-Ballet, tinham o papel de divertir, criando um espetáculo bailado, dentro do espetáculo principal. Os recitativos dos compositores italianos em Paris não eram “recitativos secos”, 
como tinham costume de fazer, mas sim recitativos acompanhados por toda a orquestra, que não somente sustentava harmonicamente o cantor, mas também contribuía com contexto emocional. As árias não eram escritas com grandes vocalises como se fazia na Itália, o foco era o texto, a transmissão dos afetos através do texto. Os cantores eram chamados de Atores na França.


4 - Além do repertório dos “Italianos em Paris”, o concerto desta semana terá uma das poucas peças profanas e instrumentais de que se tem registro na obra do brasileiro José Maurício Nunes Garcia, a Abertura Zemira [que está sendo gravada para lançamento no Selo Digital Osesp].


Em Portugal se recebiam constantemente obras escritas na Itália. Parte desse acervo chegou ao Brasil e certamente influenciou nosso compositor autodidata. José Maurício escreveu inúmeras missas para grande orquestra, mas poucas foram as oportunidades de montar obras cênicas — e grandes foram os incêndios que consumiram parte de sua obra.

 

Esta será uma ocasião especial para o nosso José Maurício, a de participar de um programa junto às maiores estrelas de sua época!


[Entrevista a Sérgio Molina.]


Leia sobre José Maurício Nunes Garcia no ensaio "Padre José Maurício: 250 anos", de Carlos Alberto Figueiredo aqui.


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