Temporada 2018
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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
17
mai 2018
quinta-feira 20h30 Cedro
Temporada Osesp: Alsop e Coros


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Coro Acadêmico da Osesp
Coro da Osesp


Programação
Sujeita a
Alterações
Gregorio ALLEGRI
Miserere Mei, Deus
Igor STRAVINSKY
Sinfonia dos Salmos
Pyotr Il'yich TCHAIKOVSKY
Sinfonia nº 6 em si menor, Op.74 - Patética
INGRESSOS
  Entre R$ 50,00 e R$ 222,00
  QUINTA-FEIRA 17/MAI/2018 20h30
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

ATENÇÃO!

Confira aqui as rotas de trânsito na região por ocasião da Virada Cultural.

 

Falando de Música
Quem tem ingresso para o concerto da série sinfônica da temporada da Osesp pode chegar antes para ouvir uma aula em que são abordados, de forma descontraída e ilustrativa, aspectos estéticos das obras, biografia dos compositores e outras peculiaridades do programa que será apresentado em seguida.

Horário da palestra: uma hora antes do concerto.

Local: Salão Nobre ou conforme indicação.

Lotação: 250 lugares.

Notas de Programa

GREGORIO ALLEGRI [1582-1652]

Miserere Mei, Deus [1630-40]


12 MIN


IGOR STRAVINSKY [1882-1971]


Sinfonia dos Salmos [1930 - edição de 1948]

SALMO 38: VERSÍCULOS 13 E 14 - EXAUDI ORATIONEM MEAM (ATTACCA)
SALMO 39: VERSÍCULOS 2, 3 E 4 - EXPECTANS EXPECTAVI DOMINUM (ATTACCA)
SALMO 150 - ALLELUJA. LAUDATE DOMINUM

21 MIN


/INTERVALO


PYOTR IL’YICH TCHAIKOVSKY [1840-93]

Sinfonia nº 6 em Si Menor, Op.74 - Patética [1893]

ADAGIO. ALLEGRO NON TROPPO. ANDANTE

ALLEGRO CON GRAZIA


ALLEGRO MOLTO VIVA

CE
FINALE: ADAGIO LAMENTOSO

46 MIN

 


ALLEGRI

Miserere Mei, Deus


Gregorio Allegri viveu no Renascimento e trabalhou na capela papal em Roma. Ele é conhecido quase unicamente por sua composição Miserere Mei, Deus, que distribui os versos do Salmo 51 em dois coros, alternando-os a seções de cantochão (1). A obra sofreu muitas modificações ao longo da história: à época de Allegri, era comum que os cantores adicionassem ornamentações às suas partes, que foram se tornando cada vez mais elaboradas. Os contornos dessas melodias, transmitidos de intérprete a intérprete por gerações, foram por muito tempo guardados em segredo: reza a lenda que quem copiasse a partitura poderia ser punido com excomunhão. Até meados do século XIX, a peça era tradicionalmente cantada durante a Semana Santa — há quem diga que o jovem Mozart teria conseguido transcrever a peça em uma dessas ocasiões.


A partir de 1820, a partitura começou a ser difundida em diferentes edições. Entre elas está uma transcrição de Mendelssohn, transposta a um intervalo de quarta acima das outras: tudo indica que essa distância se deva à prática dos cantores da capela papal de afinarem suas vozes a partir de uma referência mais aguda que a usual. Em 1880, a primeira edição da mais importante enciclopédia de música (2) incluiu um verbete que erroneamente misturava um trecho da obra no registro original a um trecho da transcrição mais aguda de Mendelssohn. Uma edição posterior da partitura incorporou o erro à peça completa — e funcionou: dele é fruto uma nota Dó agudíssima, cantada solo em uma frase lânguida, que agradou tanto o público que hoje integra a maioria das performances da obra — como a escolhida para este programa.

 


STRAVINSKY

Sinfonia dos Salmos


Na década de 1920, radicado em Paris, Stravinsky converteu-se ao ortodoxismo russo – religião de sua esposa Yekaterina, que convalescia de tuberculose — inspirado, segundo ele, pela cura milagrosa de um abcesso na mão às vésperas de um concerto. Sua devoção transparece nas obras Oedipus Rex, Apollo e Sinfonia dos Salmos, compostas no final da década. A última é uma composição não litúrgica para coro e orquestra (sem clarinetes, violinos e violas) sobre três salmos, cantados em latim, que aludem às ideias de arrependimento, fé e exaltação. As vozes agudas do coro podem ser infantis ou femininas, sendo a segunda opção a mais praticada.


Seu estilo é considerado neoclássico, tendência que marcou a segunda fase composicional de Stravinsky, e que se caracteriza pela negação do romantismo alemão por meio da inspiração em estéticas de períodos anteriores (feitas não sem ironia e sátira), especialmente dos séculos XVIII e XVII. Se o adjetivo adequa-se bem a peças dos compositores franceses do Grupo dos Seis (3), ele define a música de Stravinsky apenas parcialmente. Após a morte de seu mentor Rimsky-Korsakov, o compositor pôde libertar-se do primitivismo presente em suas obras anteriores para vislumbrar uma nova música russa, civilizada, personificada para ele no jovem Tchaikovsky — “o mais russo dos compositores russos”, em suas palavras de então (4).


A Sinfonia dos Salmos foi encomendada para a comemoração dos 50 anos da Orquestra Sinfônica de Boston, mas acabou sendo estreada dias antes em Bruxelas, na única apresentação que Yekaterina pôde vivenciar.

 


TCHAIKOVSKY

Sinfonia nº 6 em Si Menor, Op.74 - Patética


Com formação cristã, Tchaikovsky também viu na doutrina de São Tomás de Aquino um caminho para unir sua fé aos seus questionamentos filosóficos. A última de suas seis sinfonias, Patética, foi estreada nove dias antes de seu falecimento precoce aos 53 anos — Stravinsky esteve presente no concerto e no velório —, deixando sobre ambas uma aura de mistério.


Tchaikovsky morreu oficialmente de cólera, que contraiu pela ingestão (talvez proposital) de água contaminada. A teoria do possível suicídio baseia-se na perseguição que sofria por sua homossexualidade, então materializada em uma acusação que poderia levá-lo ao exílio na Sibéria. A música é repleta de silêncios que, metaforicamente, ainda ecoam nos dias de hoje.

 

Considerada pelo compositor como sua melhor e mais sincera obra (5), a Sinfonia nº 6 foi concebida rapidamente a partir de uma ideia programática preexistente (6), não publicada: a oposição entre vida e morte, talvez aludindo à adequação ou inadequação social de Tchaikovsky às constrições da época. O título Patética, adicionado após a estreia, remete à ideia de apaixonante — se no sentido literal ou figurativo de impulso à vida, não sabemos.


O início lúgubre, protagonizado pelo fagote, silencia para dar lugar a motivos animados das cordas. O primeiro movimento cresce para um clímax colossal, citando um tema da liturgia de réquiem ortodoxa, e se desfaz paulatinamente. O segundo movimento inspira-se nos minueto-trios mozartianos, e o terceiro é um tour de force contínuo. O caráter pungente do quarto movimento vem inspirando alusões à premente morte do compositor, especialmente pelo decrescendo pesaroso que silencia após um pianíssimo quase inaudível no final. Podemos imaginar, contudo, que ali a música se esvanece para continuar a soar em outras paragens, daqui incompreensíveis.


1. O cantochão é um tipo de melodia vocal praticado na liturgia católica desde, pelo menos, o século VI.


2. O Grove Dictionary of Music and Musicians, cuja última edição é de 2004.
3. Georges Auric, Louis Durey, Arthur Honegger (que era, na verdade, suíço), Darius Milhaud, Francis Poulenc e Germaine Tailleferre.


4. “Para fazer música russa não é necessário vestir uma túnica oriental. Refiro-me, sobretudo, a Rimsky- Korsakov. Admirei-o sinceramente enquanto foi meu professor, mas agora percebo a artificialidade de seu russianismo e orientalismo.” Stravinsky in CRAFT, Robert. Stravinsky: Discoveries and Memories. Naxos Books, 2013, versão digital.
5. BROWN, David. Tchaikovsky: The Man and His Music. Faber & Faber, 2007, versão digital.


6. Tchaikovsky concebera a ideia para uma sinfonia que nunca se concretizou, reaproveitando parte dos materiais no Concerto para Piano nº 3.


JÚLIA TYGEL é pianista e professora na Faculdade de Música Souza Lima

e na EaD da UFSCar.
 É doutora em música pela USP com estágio

na City University of New York, como bolsista CAPES/Fulbright.

 


Leia o ensaio "Improviso em Homenagem a Stravínski", de Milan Kundera, aqui.


Leia o ensaio "Dialética da Sagração e Paradoxos da Primavera", de Jorge de Almeida, aqui.


Leia a entrevista com Marcos Thadeu, realizada por Paulo Verano e Renato Roschel, aqui.