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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
09
jul 2015
quinta-feira 21h00 Pau-Brasil
Temporada Osesp: Alsop e Fabio Martino


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Fabio Martino piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Johannes BRAHMS
Abertura Trágica, Op.81
Sergei RACHMANINOV
Rapsódia sobre um Tema de Paganini em Lá Menor, Op.43
Richard STRAUSS
O Cavaleiro da Rosa, Op. 59: Suíte

bis do solista

quinta

Frédéric CHOPIN
Noturno em Dó Menor, Op.48 nº 1
sexta
Franz LISZT
Noturno nº 2 em Mi Maior, S.541 – Liebesträume
domingo
Franz LISZT
Noturno nº 3 em Lá bemol Maior, S.541 – Liebesträume

 

bis da Orquestra

quinta
Sergei PROKOFIEV
Valsas, Op.110: Valsa nº 3
domingo
Oscar LORENZO FERNANDEZ
Reisado do Pastoreio: Batuque

INGRESSOS
  Entre R$ 45,00 e R$ 178,00
  QUINTA-FEIRA 09/JUL/2015 21h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

Leia o ensaio Richard Strauss, de Edward Said.

Notas de Programa

Brahms consagrou-se como um dos grandes defensores da chamada “música pura”, que não precisaria se apoiar em narrativas literárias (ou de qualquer ordem) para “fazer sentido”. Não espanta que a escolha de títulos para suas poucas obras que fogem da simples catalogação por número de opus (ou sequência de obras em determinado gênero) tenha sido sempre algo fortuita.

 

Em 1879, Brahms recebeu da Universidade de Breslau (atual Wroclaw, na Polônia), o título honorário de doutor em Filosofia. No verão do ano seguinte, em retribuição à homenagem, compôs uma abertura sinfônica de espírito leve, que chamou de Abertura do Festival Acadêmico, Op.80. Em carta, o compositor perguntou a seu velho amigo Bernhard Scholz, diretor da sociedade sinfônica de Breslau: “Não gosto muito do título, você teria algum outro para propor?”.

Poucos meses depois de compor seu Op.80, Brahms escreveu uma nova abertura, de caráter oposto. Mais uma vez, escreveu a Scholz, apresentando a recente criação: “É uma abertura ‘Dramática’, ou ‘Trágica’, ou ‘Fúnebre’. Veja que, mais uma vez, sou incapaz de encontrar um título — pode me ajudar?” Sem solução melhor, o Op.81 acabou ficando conhecido como Abertura Trágica.

 

A peça inicia com dois acordes tocados pela orquestra completa; dois ataques secos, que surpreendem o ouvinte desatento. Os tímpanos rugem e as cordas em uníssono apresentam o vigoroso primeiro tema, marcado por uma certa ambiguidade harmônica e pela austeridade da orquestração. O segundo tema tem caráter mais lírico e é harmonizado com maestria, garantindo o contraste característico da forma-sonata. Brahms desacelera o andamento e propõe um desenvolvimento em ritmo de marcha, numa seção central de extrema delicadeza. A recapitulação não abandona o clima camerístico do desenvolvimento e os elementos dramáticos (ou “trágicos”) reaparecem apenas na coda, garantindo um desfecho enfático.
RICARDO TEPERMAN é editor da Revista Osesp e doutorando no Departamento de Antropologia Social.

 

 

Logo após a estreia de Elektra, em 1909, Richard Strauss, cansado de tragédias em forma de ópera, afirmou: “Da próxima vez, escreverei uma comédia mozartiana.” Ele encomendou um texto sob medida a seu libretista Hugo von Hofmannsthal, que criou uma saborosa comédia romântica ambientada na Viena da imperatriz Maria Teresa.


A Marechala, senhora da alta aristocracia, tem um amante bem mais jovem do que ela, o conde Octavian, recém-saído da adolescência. O primo da Marechala, o barão Ochs, homem grosseiro e aproveitador, está arruinado, e resolve pedir a mão de Sophie, filha de um comerciante burguês que aspira à nobreza. Para concretizar o noivado, é preciso que um jovem nobre represente o noivo na cerimônia da entrega da rosa de prata, que formaliza o pedido e sua aceitação. Atendendo ao primo, a Marechala designa Octavian como o Cavaleiro da Rosa. Quando Octavian conhece a pequenina e delicada Sophie — são praticamente da mesma idade —, ambos se apaixonam. Após muitas peripécias, em meio às quais o barão metido a conquistador barato é ridicularizado, Sophie e Octavian se casam, enquanto a Marechala, mais velha, se afasta.


Estreada em Dresden em 1911, a partitura de O Cavaleiro da Rosa é repleta de valsas irresistíveis, que a fazem deliciosa. Strauss utiliza com uma elegância raras vezes repetida a técnica do leitmotiv. Graças à riqueza de seus jogos de timbres e acordes ousados, o compositor permite à orquestra grandes exibições
de virtuosismo.

 

Atribui-se a compilação da suíte de O Cavaleiro da Rosa a Artur Rodzinski (1892-1958), diretor artístico da Filarmônica de Nova York, que dirigiu a estreia da peça em 5 de outubro de 1944. No entanto, alguns pesquisadores afirmam que quem realmente a elaborou teria sido seu assistente na ocasião, Leonard Bernstein (1918-90).

 

A suíte se inicia da mesma forma que a ópera, com o erótico apelo da trompa, logo seguido pelas cordas fervilhantes, que descrevem o embate amoroso recém-terminado entre a Marechala e Octavian e seu subsequente diálogo. A seguir, vem a mágica da delicada música da apresentação da rosa, com cintilantes acordes no solo de violino e das flautas em companhia das harpas e da celesta, figurando a atração entre Sophie e Octavian.

 

Depois de um pouco de turbulência orquestral representando a fúria de Ochs ao saber que Octavian é seu concorrente, vem o momento da famosa valsa do segundo ato, associada a Ochs — quando ele afirma à assustada Sophie: “Comigo, nenhuma noite será longa demais para você”. O tema é o cartão de visitas da ópera.

 

Uma evocação do início agitado do segundo ato serve de ponte para a melodia de “Ist ein Traum” [É um Sonho], o famoso trio Marechala-Sophie-Octavian, logo seguido pelo dueto entre os dois jovens enamorados que finaliza a ópera. A suíte se encerra, então, com uma coda que traz o tema de uma valsa ouvida no início do terceiro ato.
SERGIO CASOY é autor de Ópera em São Paulo: 1952- 2005 (Edusp, 2007), Óperas e Outros Cantares (Perspectiva, 2006), A Invenção da Ópera ou a História de um Engano Florentino (Algol, 2007), entre outros livros. Produz e apresenta, diariamente, na Rádio Cultura FM, o programa Bravo, dedicado ao canto lírico.