PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
13
set 2015
domingo 16h00 Quarteto Osesp
Quarteto Osesp e Caio Pagano


Quarteto Osesp
Caio Pagano piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Antonio RIBEIRO
Homenagem a Koechlin [Encomenda Osesp]
Felix MENDELSSOHN-BARTHOLDY
Quarteto nº 1 em Mi Bemol Maior, Op.12
Antonín DVORÁK
Quinteto com Piano em Lá maior, Op.81
INGRESSOS
  Entre R$ 71,00 e R$ 92,00
  DOMINGO 13/SET/2015 16h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

Optei pelo título Homenagem a Koechlin porque a peça não possui as características que se esperam de um quarteto de cordas tradicional, geralmente pensado em diversos movimentos, com formas e ambientes diferentes. Quis homenagear o compositor francês Charles Koechlin (1867-1950), um criador formidável e ainda pouco conhecido, apesar de ter sido assistente de Fauré, amigo de Debussy, Ravel, Dukas e tantos outros, e muito respeitado por todos.

 

Para além da admiração, tenho uma ligação com Koechlin, pois ele foi professor de Camargo Guarnieri e, este, meu mestre. Guarnieri falava bastante e com profundo respeito de Koechlin. Tentou até mesmo trazê-lo ao Brasil para uma série de concertos, projeto que nunca chegou a se concretizar.

 

O catálogo do mestre francês é caudaloso. Compôs de tudo, de sinfonias a variadíssima música de câmara. Sua escrita altamente refinada é marcada por gostar da polifonia e por usá-la constantemente.

Pesquisou com afinco o universo modal em suas múltiplas possibilidades e matizes e, para tanto, abarcou o período medieval e o renascentista, além da música tradicional francesa. E é aqui que conecto a obra de Koechlin com a minha Homenagem, pois o quarteto que escrevi ecoa bem suas ideias.

 

Composta em dois movimentos — “Cantilena” e “Fuga Dupla” —, a peça possui densa textura polifônica. É pautada em vários momentos pelo ambiente modal, evocando de forma sutil e difusa algumas imagens sonoras do Brasil. Uso, na verdade, diversos procedimentos harmônicos: modalismo cromático, tonalidade expandida, atonalidade livre, acordes quartais, entre outros. Contudo, não há experimentalismos. O que pretendi nesta obra foi prestar um tributo sincero a um compositor do passado, com seus maneirismos e idiossincrasias.

 

Para finalizar, creio ser interessante mencionar que, em vários aspectos, Guarnieri também figura nas entrelinhas da Homenagem, pois muito da sua música pode ser encontrada lá. É como se Koechlin, Guarnieri e eu próprio estivéssemos plasmados numa mesma obra, fruto de um DNA passado de geração a geração.
ANTONIO RIBEIRO

 

 

 

 

Schumann dedicou seus três quartetos de cordas compostos em 1842 a Felix Mendelssohn-Bartholdy. Provavelmente, o compositor queria demonstrar a seu conterrâneo a admiração que nutria por sua música de câmara. De fato, é talvez nesse gênero que se encontre o melhor da produção de Mendelssohn, que exibe nas peças de câmara uma intensidade emocional que muitas vezes falta a suas obras maiores.

 

O Quarteto de Cordas nº 1 em Mi Bemol Maior foi escrito em 1829, época em que Mendelssohn, com 20 anos de idade, já tinha produzido os três Quartetos Com Piano, Op. 1, 2 e 3, o Sexteto Para Piano e Cordas, o Octeto Para Cordas, o

Concerto nº 1 Para Piano e, mais importante que todas as obras anteriores, a abertura Sonho de Uma Noite de Verão, escrita aos seus 18 anos, que já dava sua dimensão como compositor. Portanto, quando compôs o Quarteto nº 1, Mendelssohn já possuía uma respeitável bagagem composicional.

 

De forma geral, a peça é mais lírica do que o seu quarteto anterior, em Lá Menor — que, apesar de composto dois anos antes, em 1827, leva o nº 2. É possível sentir aqui a influência de Beethoven, gigante que faria sombra a quase todos os compositores alemães de gerações seguintes. A introdução lenta do primeiro movimento, “Adagio Non Troppo”, é semelhante à do Quarteto nº 10 – “Harpa”, de Beethoven — aliás, escrito na mesma tonalidade de Mi Bemol Maior. No entanto, o “Allegro Non Tardante” que se segue, em forma-sonata, distancia-se do modelo do mestre.

 

No segundo movimento, Mendelssohn substitui um provável scherzo por uma “Canzonetta”, que se tornou popular para além do quarteto. O movimento lento fica na terceira parte, com um breve “Andante Espressivo” que leva sem pausa ao animado “Molto Allegro e Vivace” do movimento final — que, por sua vez, retoma material temático do primeiro movimento.

 

No Quarteto nº 1, é possível observar certas características que podem ser estendidas a toda a obra de Mendelssohn: seus dotes de melodista e o domínio da escrita musical, que resultam numa obra que prima pela perfeição e, ao mesmo tempo, pela emoção.

 

Se Mendelssohn é um importante representante da primeira fase do período romântico, com o tcheco Antonín Dvorák já estamos no limiar do século XX. Ainda no Romantismo, é verdade, mas num período que se caracterizou, a partir de meados do século XIX, pelo surgimento das escolas nacionais. E se Smetana (1824-84) foi uma espécie de fundador da música nacionalista tcheca, Dvorák foi seu representante máximo. Sua produção compreende nove sinfonias, poemas sinfônicos e concertos para piano, violino e violoncelo, além de dezenas de peças orquestrais. No ramo da música de câmara, deixou dez quartetos de cordas, trios e quartetos com piano, bem como quintetos e sextetos de cordas.

 

No início dos anos 1870, Dvorák escreveu um primeiro Quinteto Com Piano em Lá Maior, publicado como Op.5. Insatisfeito com a obra, tentou revisá-la em 1887, mas acabou compondo um novo quinteto na mesma tonalidade. O Quinteto Com Piano em Lá Maior, Op.81 tornou-se um sucesso e uma obra-prima central da música de câmara do Romantismo, ombreando com outras obras do gênero, como o Quinteto Com Piano em Fá Menor de Brahms.

 

O Quinteto Op.81 de Dvorák é escrito nos tradicionais quatro movimentos, e o “Allegro ma Non Tanto” inicial parte de uma melodia ao violoncelo acompanhada pelo piano que logo captura o ouvinte. Aliás, se algo em comum pode ser apontado entre Mendelssohn e Dvorák é o talento com melodias.

 

O segundo movimento intitula-se “Dumka” — expressão recorrente nas peças de Dvorák, designando uma espécie de balada ou lamento ucraniano que muitas vezes continha várias seções, com estados de espírito contrastantes. Segue-se um “Scherzo” que também leva um segundo título, “Furiant”, referência a uma dança da Boêmia. O “Finale”, empolgante e com sua fuga contrapontística, encerra em grande estilo essa obra magnífica, na qual se percebe o melhor da música do Romantismo, com ecos de Brahms, Schumann e, mais uma vez, Mendelssohn.
CAMILA FRÉSCA é jornalista, doutora em Música pela ECA-USP e autora de Uma Extraordinária Revelação de Arte: Flausino Vale e o Violino Brasileiro (Annablume, 2010).

 

 

 

Em 2015, Caio Pagano completa 75 anos. Ele é um dos grandes músicos braslieiros de nossa época e sua história com o piano começou aos cinco anos. “Minha mãe era a inspiração”, declarou recentemente. “Ela tocava piano, e eu ficava encostado no instrumento, sentindo as vibrações. Lembro-me de pensar que era muito acolhedor e confortável.” Pagano nasceu em São Paulo em 1940 e foi aluno da Escola Magda Tagliaferro, na classe de Lina Pires de Campos.

 

Após vencer alguns prêmios nacionais, uma bolsa de estudos o levou à Alemanha e, posteriormente, a Portugal, onde venceu o Concurso Internacional Beethoven, em 1970. Aliás, Beethoven é um dos compositores pelos quais Pagano tem especial admiração.

 

Ao lado de Olivier Toni e Willy Corrêa de Oliveira, ajudou a criar o Departamento de Música da USP, do qual foi professor de 1970 a 1984. Em seguida, mudou-se para os Estados Unidos, onde, desde 1986, é professor de piano na Universidade do Estado do Arizona. Em 1997, recebeu o título de Regents’ Professor, a mais alta honraria concedida por universidades norte-americanas. Além da respeitada carreira de professor, Caio Pagano é um prestigiado pianista, que já esteve em quatro continentes para mais de 900 apresentações como solista de orquestras, músico de câmara ou recitalista solo.

 

Além do repertório romântico e de Beethoven, Caio Pagano é um artista ligado à música de seu tempo e já estreou mais de 30 obras pelo mundo, sendo a maior parte delas escrita e dedicada a ele, incluindo vários concertos para piano e orquestra.

 

Pagano foi o primeiro pianista a interpretar as obras completas de Schoenberg em várias capitais do mundo. Numa entrevista de 1977, ao ser perguntado sobre sua posição em relação à música contemporânea, declarou: “Meu trabalho é fazer as pessoas não esquecerem que existe uma música viva, atuante, que está sendo escrita agora”.
CAMILA FRÉSCA

 

 

 

 

PROGRAMA
QUARTETO OSESP
CAIO PAGANO PIANO

 

ANTONIO RIBEIRO [1971]
Homenagem a Koechlin [ENCOMENDA OSESP. ESTREIA MUNDIAL]
- Cantilena
- Fuga Dupla
8 MIN


FELIX MENDELSSOHN-BARTHOLDY [1809-47]
Quarteto nº 1 em Mi Bemol Maior, Op.12 [1829]
- Adagio Non Troppo. Allegro Non Tardante
- Canzonetta: Allegretto
- Andante Espressivo
- Molto Allegro e Vivace
24 MIN
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ANTONÍN DVORÁK [1841-1904]
Quinteto Com Piano em Lá Maior, Op.81 [1887]
- Allegro ma Non Tanto
- Dumka: Andante Con Moto
- Scherzo (Furiant): Molto Vivace
- Finale: Allegro
37 MIN