Temporada 2019
setembro
s t q q s s d
<setembro>
segterquaquisexsábdom
262728293031 1
23 4 5 6 7 8
91011 12 13 14 15
161718192021 22
2324 25 26 27 28 29
30123456
jan fev mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez
PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
03
ago 2017
quinta-feira 21h00 Pau-Brasil
Temporada Osesp: Guerrero, Staneck e Gandelman


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Giancarlo Guerrero regente
José Staneck gaita
Leo Gandelman saxofone


Programação
Sujeita a
Alterações
Marlos NOBRE
Passacaglia
Heitor VILLA-LOBOS
Concerto para Harmônica e Orquestra
Fantasia para Saxofone e Orquestra
Carlos CHÁVEZ
Sinfonia Índia
INGRESSOS
  Entre R$ 46,00 e R$ 213,00
  QUINTA-FEIRA 03/AGO/2017 21h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

NOBRE

Passacaglia


A minha Passacaglia, composta em 1977, segue a ideia fundamental dessa forma musical, sendo, portanto, baseada em um único tema que, anunciado nos baixos, se repete praticamente inalterado nos graves da orquestra no decorrer de toda a obra. Sobre ele construo uma série de cerca de 120 variações, recorrendo também a diversos processos de ampliação constante do material. Desde o início utilizo duas variantes dos hinos do Brasil e da França, cujas notas iniciais, curiosamente, são praticamente as mesmas. [...]


Outras inspirações são tomadas das grandes tradições populares da música do Brasil, como é o caso da rítmica do samba carioca, do maracatu do Recife, do carimbó do Pará, do Peixe Vivo de Minas Gerais, da Prenda Minha do Rio Grande do Sul. Todas essas recordações sonoras vão se agregando e provocando em minha mente novos motivos derivados, modificados e ampliados em momentos de grande intensidade sonora que contrastam com algumas seções e variações líricas e cantantes.


Na última seção, após uma grande suspensão do fluxo orquestral, duas variantes dos hinos do Brasil e da França explodem no meio da reexposição com fragmentos tematicamente transformados de todos os elementos utilizados até então.

 

Marlos Nobre nasceu em 1939 no Recife (PE). Um dos compositores brasileiros

de maior prestígio, é autor de Sacre Du Sacre (Encomenda Osesp, 2013)

e Kabbalah (Tocada pela Osesp nos Proms, de Londres, no ano passado),

entre muitas outras obras.

 


VILLA-LOBOS

Concerto Para Harmônica e Orquestra

 

[...] O Concerto para Harmônica [1955] de Villa-Lobos, encomendado pelo famoso virtuose norte-americano John Sebastian, estreou em Washington, com a Orquestra Sinfônica da Força Aérea dos Estados Unidos, dirigida por Guillermo Espinosa. [...] Organizado em três movimentos, o Concerto tem uma orquestração discreta e explora intensamente as possibilidades cantantes do instrumento, bem como os efeitos de oitavas, notas duplas e acordes.


O “Allegro Moderato”, que alterna 7/4 e 4/4, possui dois temas principais, um à entrada da orquestra e outro à do solista, ambos de ambientação modal, mas sem referências folclóricas. Na seção central do movimento, o solista retoma o tema da introdução orquestral, e a partir daí explora as possibilidades cromáticas do instrumento, contra solos das madeiras. Na seção final, é a orquestra que inicia com o tema do solista, que faz sua entrada em arpejos, e prossegue em floreios sobre a melodia dos violinos, até o breve final.


O “Andante”, também em Lá Menor, traz um tema eloquente, em oitavas, nas cordas e madeiras, logo retomado de maneira ampla pelo solista, acompanhado discretamente pelas cordas. [...]


O “Allegro” final, rítmico e dinâmico, com um tema em sequência, típico de Villa-Lobos, tem como novidade a cadência, que reapresenta o material inicial do primeiro movimento, após o quê, a volta do tema do “Allegro” encerra o Concerto em Dó Maior.

 

Roberto Dante Cavalheiro Filho é pianista e professor da

Escola Municipal de Música de São Paulo.

 

 

VILLA-LOBOS

Fantasia Para Saxofone e Orquestra


Escrita em 1948, sete anos antes do Concerto Para Harmônica, a Fantasia Para Saxofone de Villa-Lobos foi pouco a pouco ganhando importância e é hoje peça fundamental no repertório do instrumento.


A exploração rítmica é a característica predominante do movimento inicial. Por meio de uma engenhosa escrita, Villa-Lobos propõe sobreposições entre diferentes ciclos e subdivisões de tempo, explorando situações ora de acordo, ora de atrito entre o solista e a orquestra. Três trompas preenchem o território que se abre entre o saxofone e as cordas, cumprindo uma função de agente agregador, conciliando os enfrentamentos, reforçando ideias, amalgamando as texturas.


No segundo movimento o ritmo se acomoda sobre um pulso lento e o foco criativo se desloca para a harmonia e para as sutilezas da orquestração. Se a sonoridade resultante lembra Debussy — que também escreveu uma rapsódia para o instrumento (1903) —, o material composicional incorpora escalas muitas vezes utilizadas por Bartók.


O último movimento recupera elementos do início com novas assimetrias (ciclos de sete tempos). Uma série de imitações, desencadeadas por um motivo rítmico proposto primeiramente pelos contrabaixos, prepara o encerramento em que se destaca o extremo virtuosismo das passagens solo.

 

CARLOS CHÁVEZ

Sinfonia Índia


Nascido na Cidade do México, Carlos Chávez teve decisiva participação na vida musical de seu país ao longo do século XX. Sua Sinfonia Índia — a segunda —, estreada em 1936 com o próprio compositor à frente da Columbia Broadcasting Symphony Orchestra, é uma música que se impõe pela própria força de sua massa orquestral, construída pouco a pouco ao longo da peça.

 

Assim como acontece na Fantasia Para Saxofone de Villa-Lobos, aqui há uma utilização especial do ritmo, que neste caso se dá por meio de encaixes e desencaixes entre diferentes células justapostas. Ainda que sejam reconhecíveis determinados elementos de estilo que remetem à escrita de Stravinsky, chamam a atenção o tratamento meticuloso que Chávez dá ao naipe de percussão e a condução da narrativa a partir de temas derivados da música indígena mexicana.


Nos dois últimos minutos, com a harmonia e o ritmo estabilizados, o foco enfim se concentra no adensamento da textura, que se intensifica até o inevitável corte do silêncio final.


SERGIO MOLINA é compositor, Doutor em Música pela USP,
coordenador da Pós-Graduação em Canção Popular na FASM (SP)
e professor de Composição no ICG/UEPA de Belém.