PRÓXIMOS CONCERTOS
PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
28
out 2017
sábado 16h30 Imbuia
Temporada Osesp: Stuztmann e Meneses


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Nathalie Stutzmann regente
Antonio Meneses violoncelo


Programação
Sujeita a
Alterações
Antonín DVORÁK
Concerto Para Violoncelo em Si Menor, Op.104
Sinfonia nº 7 em Ré Menor, Op.70
INGRESSOS
  Entre R$ 46,00 e R$ 213,00
  SÁBADO 28/OUT/2017 16h30
 
Venda a partir de 28/08/2017
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

ENTREVISTA COM ANTONIO MENESES

 

Em 2017, o grande violoncelista brasileiro Antonio Meneses celebra seus sessenta anos. O pernambucano comemora a data com a Osesp em três concertos, sob regência de Nathalie Stutzmann. No programa, uma das obras mais queridas do público: o Concerto Para Violoncelo, de Dvorák. Duas horas antes dos concertos com a Orquestra, Meneses interpreta, a cada noite, duas Suítes Para Violoncelo Solo de Johann Sebastian Bach, apresentando assim, ao final dos três dias, a integral das Suítes do compositor alemão. Leia abaixo trechos da entrevista que Meneses concedeu em janeiro à Revista Osesp.


TODA EFEMÉRIDE É TAMBÉM UMA OPORTUNIDADE PARA BALANÇOS E PROSPECÇÕES. COMO VÊ A CENA MUSICAL BRASILEIRA, ÀS VÉSPERAS DE SEU ANIVERSÁRIO DE SESSENTA ANOS?
Bem, minha opinião é de alguém que sempre morou na Europa. O que pude observar ao longo dos últimos vinte anos é que, de maneira geral, houve uma melhora. Os casos mais notáveis são o das orquestras que temos hoje e que, quando eu era jovem, não existiam ou não tinham essa qualidade. Penso sobretudo na Osesp e na Filarmônica de Minas Gerais.


Por outro lado, o Brasil é sempre cheio de altos e baixos. Estamos num vale, e há ainda muitos “baixos”, o que é uma pena. Para ficar num exemplo recente: o fato de que a Oficina de Música de Curitiba, depois de 34 anos, tenha sido cancelada, é muito triste.


Os projetos têm que ter continuidade, não há outra maneira. Mas tudo ainda depende muito da política.


A OSESP TEM O PRIVILÉGIO DE CONTAR COM SUA PRESENÇA COM ALGUMA FREQUÊNCIA; COMO VÊ A PARCERIA ENTRE SOLISTA, ORQUESTRA E REGENTE?
Sempre tive uma ótima relação com a Osesp, desde antes da nova Osesp. Toquei muitas vezes com Eleazar e guardo belas recordações. A parceria com a orquestra e os maestros com quem pude colaborar — tanto os diferentes regentes titulares quanto os convidados — foi sempre muito boa. E as turnês de que participei com a orquestra, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, foram para mim memoráveis.


NO CONCERTO PARA VIOLONCELO, DE DVORÁK, A OSESP SERÁ REGIDA POR NATHALIE STUTZMANN, OUTRA ARTISTA COM QUEM A ORQUESTRA MANTÉM RELAÇÃO DE PROXIMIDADE. VOCÊ TAMBÉM INTERPRETARÁ A INTEGRAL DAS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO, DE BACH. QUAL É SUA EXPECTATIVA COM RELAÇÃO A ESSAS APRESENTAÇÕES?
Vai ser a primeira vez que me apresento com Nathalie. Aliás, nunca vi um concerto dela ao vivo: conheço e admiro seu trabalho de gravações e de vê-la na televisão. É uma musicista maravilhosa, tanto como cantora como regente: vê-se que a música sai realmente da alma dela. E é isso que tento fazer também, que a música saia do coração. Por isso, estou convencido de que será um encontro muito feliz.


Para tocar as Suítes de Bach na Sala São Paulo, vou me apresentar com um violoncelo barroco.


E no caso da Sexta Suíte, em Ré Maior, há uma particularidade: Bach escreveu essa peça para um instrumento de cinco cordas, que hoje não se usa mais. Geralmente, toca-se a Suíte nº 6 nas quatro cordas, mas é uma tortura do começo ao fim. É maravilhoso poder tocar essa obra da maneira que Bach a concebeu: isso abre possibilidades sonoras incríveis.


Não há muitas obras escritas para o violoncelo de cinco cordas, por isso é complicado se ter um instrumento desses. Pedi a um luthier que transformasse um instrumento barroco que eu já tinha, de maneira que se possa tocar tanto com quatro como com cinco cordas.


O desafio em São Paulo será tocar as suítes no instrumento barroco e, em pouquíssimo tempo, passar para o violoncelo moderno para tocar o Concerto de Dvorák. Tenho estudado todos os dias com ambos os instrumentos: assim a passagem de um a outro se torna natural.

 

Entrevista a RICARDO TEPERMAN