Temporada 2017
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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
02
abr 2017
domingo 11h00 Concertos Matinais
Matinais: Osesp e Arvo Volmer


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Arvo Volmer regente


Programação
Sujeita a
Alterações
Heitor VILLA-LOBOS
Uirapuru
Claude DEBUSSY
La Mer
INGRESSOS
  Gratuito
  DOMINGO 02/ABR/2017 11h00
 

Ingressos disponíveis na bilheteria do 1º subsolo da Sala São Paulo a partir da segunda-feira anterior ao concerto, limitados a quatro por pessoa. A partir de cinco ingressos, será cobrado o valor de R$ 2,00 por ingresso, também limitados a quatro por pessoa.

No dia do concerto, havendo disponibilidade, a distribuição de ingressos será a partir das 10 horas, limitado a um ingresso por pessoa.
Informações: T 55 11 3223 3966.
Devido à grande procura, recomendamos que verifique se há disponibilidade de ingressos.

Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

Notas de Programa

HEITOR VILLA-LOBOS [1887-1959]

Uirapuru [1917]

 

Uirapuru (1) foi concebido como um poema sinfônico e um balé, e teve sua estreia em 1935, com Villa-Lobos à frente da orquestra do Teatro Colón em Buenos Aires. O fato de essa performance somente ter ocorrido dezoito anos após a criação da peça (1917), coloca em questão a data correta de sua composição. Paulo de Tarso Salles, especialista na obra de Villa-Lobos, identifica na própria partitura tanto o “academicismo franco-wagneriano dominante no Brasil no início do século XX”, quanto o “modernismo stravinskiano/varèsiano” (2) que o compositor brasileiro só viria a conhecer efetivamente na França, nos anos 1920. Como elemento característico wagneriano podemos citar o paradigmático “acorde de Tristão”, que pode ser ouvido logo nos primeiros momentos da peça depois do glissando inicial de trombones, cordas e xilofone. Já a melodia estilizada criada por Villa para o “canto do uirapuru” na flauta, que flutua sobre a textura orquestral edificada em oito camadas, aparenta-se mais com os volteios do fagote que abre A Sagração da Primavera de Stravinsky do que com o próprio canto do pássaro brasileiro. Mas é a presença inconteste de uma inventividade plural, traço marcante do compositor carioca, que faz de Uirapuru uma das peças mais representativas de sua versatilidade na criação de paisagens sonoras.

 

 

 

CLAUDE DEBUSSY [1862-1918] [Compositor Transversal]
La Mer [1905]

 

Escrita no início do século passado, La Mer [O Mar] ocupa, na produção de Debussy, o espaço equivalente àquele que uma sinfonia relevante ocupava para compositores dos períodos clássico e romântico. Excluindo-se o fato comum de se tratar de uma peça para grande orquestra, aqui tudo mais difere. O crítico norte-americano Alex Ross sugere que o ponto de virada para o compositor francês foi provavelmente a experiência da escuta, ainda no século XIX, da música de uma trupe teatral vietnamita e de um conjunto de gamelão javanês: “contém todas as gradações, até mesmo algumas que já não sabemos mais nomear, de modo que tônica e dominante não passam de fantasmas vazios para uso de crianças espertas”, escreveria o próprio Debussy naquela ocasião. (3) La Mer flui, assim, nesse tênue vai e vem de sensações sutis das gradações suavemente distintas, nos movimentos pendulares entre os blocos harmônicos, nos tons pastel de sua orquestração com nuanças e transparências únicas. Em La Mer de Debussy é a insistência na leveza que provoca os estados mais profundos, atravessando pouco a pouco antigas escutas, sedimentadas pelo tempo. E ainda hoje pode ser assim.

 

SERGIO MOLINA é compositor, doutor em música pela USP, coordenador da pós-graduação em canção popular na Fasm (SP) e professor de composição no ICG/UEPA de Belém.

 

1. Peça gravada pela OSESP, selo NAXOS, 2015. Regência Isaac Karabtchevsky.

2. SALLES, Paulo de Tarso. Villa-Lobos: Processos Composicionais. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009, p. 25 e 113.

3. ROSS, Alex. O Resto É Ruído: Escutando o Século xx. Tradução de Claudio Carina e Ivan Weisz Kuck. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 55.

 

 

 

Leia sobre o compositor Claude-Achille Debussy no ensaio "A Revolução Suave de Claude Debussy", de Paulo da Costa e Silva aqui.