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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
SEG A SEX – DAS 9h ÀS 18h
11
mai 2018
sexta-feira 20h30 Sapucaia
Temporada Osesp: Alsop e Pahud


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Emmanuel Pahud flauta


Programação
Sujeita a
Alterações
Wolfgang Amadeus MOZART
A Flauta Mágica, KV 620: Abertura
Robert FOBBES
Fantasia sobre "A Flauta Mágica"
Leonard BERNSTEIN
Halil
Nikolai RIMSKY-KORSAKOV
Sheherazade, Op. 35
INGRESSOS
  Entre R$ 50,00 e R$ 222,00
  SEXTA-FEIRA 11/MAI/2018 20h30
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

Falando de Música
Quem tem ingresso para o concerto da série sinfônica da temporada da Osesp pode chegar antes para ouvir uma aula em que são abordados, de forma descontraída e ilustrativa, aspectos estéticos das obras, biografia dos compositores e outras peculiaridades do programa que será apresentado em seguida.

Horário da palestra: uma hora antes do concerto.

Local: Salão Nobre ou conforme indicação.

Lotação: 250 lugares.

Notas de Programa

WOLFGANG AMADEUS MOZART [1756-91]

A Flauta Mágica, KV 620: Abertura [1791]
7 MIN


ROBERT FOBBES [1939]
Fantasia Sobre A Flauta Mágica [1985]

13 MIN


LEONARD BERNSTEIN [1918-90]

Halil [1981]
16 MIN


/INTERVALO


NIKOLAI RIMSKY-KORSAKOV [1844-1908]

Sheherazade, Op.35 [1888]

O MAR E O NAVIO DE SIMBAD
A NARRATIVA DO PRÍNCIPE KALANDAR
O JOVEM PRÍNCIPE E A JOVEM PRINCESA

A FESTA EM BAGDÁ. O MAR. NAUFRÁGIO DO NAVIO NAS ROCHAS.

42 MIN

 

 

O programa de hoje propõe uma viagem pelo Oriente, cheia de sortilégios e perigos: o Egito imaginário d’A Flauta Mágica, o Oriente Médio moderno e belicoso de Halil, a Pérsia encantada das Mil e Uma Noites.


MOZART

A Flauta Mágica, KV 620: Abertura


Em A Flauta Mágica, a mais deliciosamente “nonsense” das óperas de Mozart, a história de dois casais, um nobre e um plebeu, é narrada como conto de fadas. A flauta é o talismã que permite ao príncipe Tamino e sua amada Pamina passarem pelas provas do fogo e da água sem sofrerem qualquer consequência funesta. Muito já se falou sobre a antipatia que Mozart nutria pelo instrumento, mas a beleza dos solos que povoam a última ópera do mestre austríaco parece provar o contrário. É a flauta que sobrevoa todas as paisagens, e que conduz o herói (e o público) por terrenos minados.


A ópera se tornou célebre por reunir, em doses perfeitamente equilibradas, comédia, romance, aventura, intriga, suspense e conselhos edificantes. Na “Abertura”, que concentra todas essas qualidades em música borbulhante, sobressai também a simbologia maçônica. O número 3, eivado de significados místicos para os maçons, é evocado nos acordes dos metais do início e do meio da Abertura, e a tonalidade de Mi Bemol Maior neles estabelecida, com seus três bemóis na armadura de clave, enfatiza ainda a habitual conexão retórica com a divindade (um bemol para cada um: o Pai, o Filho e o Espírito Santo) e a relação com os ideais maçônicos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, assim como os três pilares de sua filosofia: Sabedoria, Força e Beleza.

 


FOBBES

Fantasia Sobre A Flauta Mágica


A Fantasia Sobre A Flauta Mágica, do maestro e compositor belga Robert Janssens, foi escrita como presente de aniversário para o flautista Marc Grauwels, seguindo a tradição das variações sobre temas de ópera, que foram extremamente populares no século XIX. Constitui uma vitrine para o flautista, ao selecionar todos os temas que o instrumento apresenta na ópera de Mozart para expandi-los e desenvolvê-los em variações ora líricas, ora virtuosísticas, que respeitam o estilo e a linguagem clássica do original. Um dado curioso sobre esta obra: como foi uma surpresa para o amigo, Janssens deixou a partitura na sua caixa de correio sob o nome fictício de Robert Fobbes. Foi sob esse pseudônimo que se tornou conhecida e acabou gravada por três flautistas diferentes.

 


BERNSTEIN

Halil


A Guerra do Yom Kippur, que em 1973 opôs uma coalização de Estados Árabes liderados por Egito e Síria contra Israel, teve quase 3.000 baixas israelenses. Uma dessas foi o talentoso flautista Yadin Tannenbaum, morto aos 19 anos no Canal de Suez. Halil (flauta, em hebraico) foi composta 8 anos depois, em sua memória. Bernstein era entusiasmado defensor de Israel, e um dos esteios da vida musical desse país, tendo sido grande incentivador da carreira de vários jovens músicos. Na página de rosto, ele esclarece: “Essa obra é dedicada ao espírito de Yadin e de seus irmãos que tombaram [...] Halil é formalmente diferente de qualquer obra escrita por mim, mas se assemelha a grande parte da minha música em sua luta entre forças tonais e não tonais. Nesse caso, eu sinto essa luta como envolvendo as guerras e as ameaças de guerra, o desejo avassalador de viver, o consolo da arte, amor e a esperança de paz. É uma espécie de Noturno, que, a partir da abertura dodecafônica até sua cadência final ambiguamente diatônica, é um contínuo conflito de imagens noturnas: sonhos imbuídos de desejos, pesadelos, repouso, insônia, terrores noturnos e o sono em si, irmão gêmeo da morte. Nunca conheci Yadin Tannenbaum, mas conheço seu espírito”.


A obra confronta a sonoridade da flauta solista, com toda a sua força elegíaca, a um implacável naipe de percussão. O piccolo e a flauta alto, no grupo orquestral, são como ecos distantes da voz do soldado sacrificado. O contraste entre o lirismo estabilizador da flauta e a agressividade pugnaz do grupo instrumental, assim como o conflito constante entre tonalidade e atonalidade, em que os dois sistemas alternam a função de âncora, simbolizam a brutalidade e a dor da guerra. Previsivelmente, no final, a voz da flauta é silenciada.

 


RIMSKY-KORSAKOV

Sheherazade, Op.35


A composição mais famosa do russo Nikolai Rimsky-Korsakov foi inspirada pela coleção As Mil e Uma Noites, que enfileira lendas e contos populares da Ásia e do Oriente Médio. Nesse livro famosíssimo, o sultão Shahryar, enlouquecido pela traição da primeira esposa, decide ter uma mulher a cada noite e matá-la na manhã seguinte. Ele só não contava com a esperteza de uma das noivas, Sheherazade. Antes de adormecerem, ela sugere ao soberano que escute uma história que irá embalar seus sonhos. Essa se completa apenas no dia seguinte, quando é emendada em outra, e depois mais outra. Ao cabo das mil e uma noites do título, Shahryar está completamente seduzido pela narrativa e pela esposa, e desiste de seu intento sinistro.


A Suíte Sinfônica de Rimsky-Korsakov evidentemente não pretende retratar essa longa e complexa trajetória passo a passo, mas sim se inspirar livremente nos ambientes e ideias da obra literária. Foi de um amigo do compositor o conselho de dar títulos para cada movimento, sugestão que Rimsky-Korsakov de início acatou, mas da qual viria a se arrepender, por achar que direcionavam excessivamente a imaginação do ouvinte. Depois da morte de Rimsky-Korsakov, a música serviu de base para um dos balés mais importantes do século passado, coreografado por Fokine e estrelado por Nijinsky.


Na Suíte Sinfônica, vários personagens, situações e elementos naturais se revelam musicalmente, como as ondas do mar, a dança dos dervixes, os metais que conclamam o povo para a guerra, as tempestades, a bonança, a fúria dos mares, as árvores e os pássaros. Os temas do Sultão — viril e brutal — e de Sheherazade — uma insinuante melodia de violino — são recorrentes, e no final da obra aparecem na mesma tonalidade e entrelaçados, uma maneira simples e efetiva de indicar o final feliz pelo qual todos torciam.

 

LAURA RÓNAI é doutora em música, responsável pela cadeira de

flauta transversal na UNIRIO e professora no programa de Pós-Graduação

em Música. É também diretora da Orquestra Barroca da UNIRIO.

 


Leia a entrevista com Emmanuel Pahud, realizada por Renato Roschel e flautistas da Osesp, aqui.