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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
13
mai 2018
domingo 19h00 Quarteto Osesp
Quarteto Osesp e Emmanuel Pahud


Quarteto Osesp
Emmanuel Pahud flauta


Programação
Sujeita a
Alterações
Wolfgang Amadeus MOZART
Quarteto com Flauta em Dó maior, KV 285b
Elliott CARTER
Scrivo in Vento
Wolfgang Amadeus MOZART
Quarteto nº 1 para Flauta e Cordas em Ré maior, KV 285
Caio FACÓ
Cangaceiros e Fanáticos [encomenda]
Antonín DVORÁK
Quarteto Americano [versão para flauta e trio de cordas]
INGRESSOS
  Entre R$ 50,00 e R$ 122,00
  DOMINGO 13/MAI/2018 19h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

WOLFGANG AMADEUS MOZART [1756-91]

Quarteto com Flauta em Dó Maior, KV 285b [1781-2]

ALLEGRO
TEMA E VARIAÇÕES: ANDANTINO

16 MIN


ELLIOTT CARTER [1908-2012]

Scrivo in Vento [1991]
5 MIN


WOLFGANG AMADEUS MOZART [1756-91]

Quarteto nº 1 Para Flauta e Cordas em Ré Maior, KV 285 [1777-8] 

ALLEGRO
ADAGIO
RONDO: ALLEGRO

16 MIN

 

/INTERVALO

 

CAIO FACÓ [1992]

Cangaceiros e Fanáticos [2018] /ENCOMENDA OSESP /ESTREIA

9 MIN


ANTONÍN DVORÁK [1841-1904]

Quarteto Americano [1893] /VERSÃO PARA FLAUTA E TRIO DE CORDAS 

ALLEGRO MA NON TROPPO
LENTO
MOLTO VIVACE
FINALE: VIVACE MA NON TROPPO

25 MIN

 

 

MOZART

Quarteto com Flauta em Dó Maior, KV 285b
Quarteto n
º 1 Para Flauta e Cordas em Ré Maior, KV 285


Que Mozart tenha declarado, em mais de uma ocasião, uma certa frieza em relação à flauta como instrumento, pouco importa, já que mesmo assim foi capaz de escrever algumas das obras que até hoje fazem parte do grande repertório para esse instrumento. No fundo, acredito que ele não podia não amar um instrumento para o qual soube escrever Concertos, Quartetos, e, ainda, o Concerto Para Harpa e Flauta, que contém um dos movimentos lentos mais extraordinários da história da música.


O frescor e a serenidade que logo nos conquistam no primeiro movimento do Quarteto KV 285 deixam espaço no segundo a um canto singelo com acompanhamento das cordas em pizzicato, que nos leva longe no tempo e no espaço, evocando épocas antigas e outros ares. Para terminar, um terceiro movimento brilhante e cheio daquele otimismo quase arrogante típico de Mozart, e que é impossível não amar (porque precisamos, e muito, dele).


Um pouco diferente o Quarteto KV 285b, que, ao contrário do anterior, é construído em dois movimentos, sendo o segundo deles um “Tema” com 6 variações. Depois de um primeiro movimento que corre leve e sereno, o tema anunciado no segundo é elegante, com música que desenha curvas sinuosas e sensuais. As variações que se seguem alternam momentos virtuosísticos da flauta com outros mais introspectivos, embora o diferencial aqui seja que os outros instrumentos têm um papel mais proeminente em relação aos outros quartetos.

 


CARTER

Scrivo in Vento


Escrito em 1991 para o amigo flautista Robert Aitken, a peça é inspirada por um poema de Petrarca (publicado em seu Canzoniere) em que o protagonista vive um sonho de contrastes, falando de amor e de morte, de beleza e de doença. Assim como o grande poeta italiano, Elliott Carter brinca com esses contrastes, pintando paisagens sonoras abstratas e impossíveis de limitar dentro de uma forma, mas criando também rupturas e violentos choques sonoros. E para realizar esse poema no ar e no vento, naturalmente se serve de um dos instrumentos mais intimamente ligados ao ar.

 

EMMANUELE BALDINI é Spalla da Osesp desde 2005, integra o corpo docente da

Academia da Osesp, o Quarteto Osesp e o Trio Arqué. Em 2017 assumiu

também a direção musical da Orquestra de Câmara de Valdivia, no Chile.

 

 

FACÓ

Cangaceiros e Fanáticos


A peça Cangaceiros e Fanáticos, para Quarteto de Cordas, foi escrita baseada na obra literária homônima de Rui Facó, publicada em 1963. Em sua obra, Rui Facó opõe-se às teses que consideravam o cangaço uma resultante das condições naturais e biológicas nordestinas, e explica o surgimento desse fenômeno por meio das circunstâncias econômicas e sociais do Nordeste no final do século XIX e início do século XX. O autor contesta a ênfase dada por alguns historiadores que denominavam os povos do interior de “fanáticos”, pois essas visões tendiam a desvalorizar o conteúdo progressista das causas desses povos.


Segundo Rui, os “cangaceiros” eram homens livres — autônomos ao fazendeiro e ao latifúndio —, que lutavam contra a ordem dominante, em um período de seca e de fome. Além disso, as circunstâncias sociais do Nordeste naquele tempo isolavam as populações interioranas, impondo-lhes o analfabetismo e favorecendo o surgimento de diversos rituais religiosos, específicos a cada comunidade rural. Facó, ao contrário da maior parte dos estudiosos do início do século XX, via o “fanatismo” como um “movimento gerador de mudanças sociais” que antecipou as revoluções sociais por vir.


O Quarteto de Cordas foi escrito com várias referências a essa temática, destacando a utilização de materiais folclóricos extraídos dos cânticos das Beatas do Cariri, cantados em seus rituais de peregrinação. A peça se relaciona ao texto de Rui Facó pela coexistência de trechos violentos — simbolizando a luta — e trechos corais — que simbolizam o misticismo —, representando uma narrativa poética sobre o Nordeste do início do século passado.


CAIO FACÓ teve obras estreadas pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais,

pelo Mivos Quartet e pelo International Contemporary Ensemble. Foi premiado, em 2017,

no Concurso Internacional Novos Compositores e trabalhou como 

compositor associado do Ensemble MPMP, em Lisboa.

 

 

DVORÁK

Quarteto Americano


Dvorák passou o verão de 1893 na cidadezinha de Spillville, em Iowa, nos Estados Unidos. Um amigo (Josef Jan Kovarik) era dono de uma casa nesse minúsculo pedaço de mundo no meio do território norte-americano, onde existia uma pequena comunidade de emigrantes tchecos — assim Dvorák decidiu passar os meses de julho e agosto com toda sua família. Foi um período feliz e muito profícuo do ponto de vista da composição: foi aqui que, além do Quarteto, ele escreveu a Sinfonia do Novo Mundo.


O Quarteto, ao contrário da Sinfonia, não recebeu um título, mas algumas vezes foi descrito por Dvorák como “a segunda composição que escrevi na América”. Assim, o título ficou “Quarteto Americano”.


Na realidade, poucos são os elementos norte-americanos nesse Quarteto, e as tentativas de descobrir algumas referências ao folclore dessas terras não tiveram sucesso; assim, na realidade, o nome se refere ao lugar onde foi composto. Por outro lado, muitos elementos do folclore tcheco estão presentes, como em muitas outras composições do Dvorák.


A fama desse Quarteto se deve a um equilíbrio perfeito entre a invenção melódica (sempre muito férvida em suas composições) e uma forma que nunca como aqui foi tão classicamente perfeita. O próprio Dvorák em uma carta escreveu que, finalmente, papai Haydn tinha decidido aparecer-lhe em sonho...


Se há outros Quartetos extraordinários em sua produção, certamente esse é o mais tocado de todos. Como no caso do concerto de hoje, às vezes uma flauta substitui o primeiro violino, sem que a composição perca nada de seu brilho e de sua serena vitalidade.

 

EMMANUELE BALDINI é Spalla da Osesp desde 2005, integra o corpo docente da

Academia da Osesp, o Quarteto Osesp e o Trio Arqué. Em 2017 assumiu

também a direção musical da Orquestra de Câmara de Valdivia, no Chile.

 


Leia a entrevista com Emmanuel Pahud, realizada por Renato Roschel e flautistas da Osesp, aqui.