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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
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16
dez 2018
domingo 11h00 Osesp Masp
Osesp Masp: Concerto de Natal


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Cynthia Renée Saffron soprano
Vaneese Thomas mezzo soprano
Rodrick Dixon tenor
Coro da Osesp
Coro Acadêmico da Osesp


Programação
Sujeita a
Alterações
Georg Friedrich HÄNDEL
Too Hot to Händel: A Gospel Messiah [arranjo de Bob Christianson e Gary Anderson]
INGRESSOS
  Gratuito
  DOMINGO 16/DEZ/2018 11h00
  Gratuito
 

Entrada livre

MASP
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

GEORG FRIEDRICH HÄNDEL [1685-1759]
Too Hot to Handel - A Gospel Messiah (Arranjo de Bob Christianson e Gary Anderson)
105 MIN

 

 

Marin Alsop: Too Hot to Handel


Uma mistura de gospel, jazz e música clássica. Essa é a proposta de Too Hot to Handel, projeto comandado, desde seu nascimento, pela regente titular da Osesp, Marin Alsop.


Versão audaciosa e contagiante de Messias de Handel, Too Hot to Handel é um trabalho desafiante de uma regente pioneira em muitos aspectos. A nova-iorquina Alsop foi a primeira mulher na história a comandar uma importante orquestra nos Estados Unidos, a Sinfônica de Baltimore, e a primeira a conduzir uma orquestra durante a famosa Last Night, noite de encerramento do conceituado festival britânico de música clássica, BBC Proms (onde a Osesp também já se apresentou, sob a regência dela em duas ocasiões, em 2012 e 2016).


Alsop é reconhecida mundialmente pelas abordagens inovadoras, pelo profundo compromisso com a educação e também por sua disposição em encarar desafios. Too Hot to Handel é mais um fruto do perfil desbravador dessa regente repleta de novas ideias.

 

Como surgiu o projeto Too Hot to Handel?


Quando eu conversava com amigos sobre O Messias, de Handel, todos diziam que demorava muito para chegar àquela parte em que o público se levanta e canta junto. Isso me levou a pensar que O Messias poderia ganhar uma atualização.


Já havia pensado em fazer uma versão do século xx para O Messias. Conseguia imaginar facilmente o “Aleluia” se tornando uma apresentação gospel. Depois, quando a ideia foi se tornando mais clara, tudo começou a se encaixar.


O próprio Handel era muito receptivo quando músicos adicionavam novos ornamentos ou improvisações às suas composições. E o próprio Mozart, por exemplo, fez uma versão de O Messias. Aliás, esse trabalho nunca pareceu completamente despropositado para mim. Em muitos trechos, eu era capaz de ver que um tratamento de jazz seria muito natural.


Tive de encontrar os arranjos para dar conta desse projeto de duas horas e meia de duração. Procurei ajuda de dois grandes amigos, Bob Christianson e Gary Anderson. Eu os conhecia da época em que trabalhava como violinista em Nova York e sabia que seus estilos dramaticamente diferentes seriam ideais para oferecer ao projeto a variedade e a diversidade que eu buscava.


Quando os trabalhos começaram, percebi que não poderia ter sonhado com uma equipe mais comprometida e talentosa. Nunca vou me esquecer da nossa primeira reunião, na qual, depois de confirmarem que ambos estavam de acordo sobre o fato de eu estar completamente maluca, fomos ouvir cada número para determinar a nova “sensação” que buscaríamos.


Eu queria manter os “ossos” intactos. As melodias, as letras e a forma de cada número permaneceriam iguais. Isso deixou a harmonização, a instrumentação e o groove totalmente em aberto.

 

Nós conversamos sobre a instrumentação. O original é extremamente modesto e íntimo, enquanto Too Hot to Handel e qualquer coisa, menos modesto ou íntimo. Passamos da instrumentação original de cordas e instrumentos de sopro para uma seção de jazz composta para órgão Hammond B3, piano gospel, bateria, guitarra elétrica, baixo Fender e baixo acústico, cinco saxofones, cordas e percussão.


Depois, precisávamos encontrar cantores excepcionais, capazes de improvisar. Passamos então a fazer scat [técnica de improvisação vocal do jazz, que consiste em cantar sílabas sem significado específico] com os melhores do ramo. Desde a nossa primeira apresentação no Lincoln Center com a Orquestra Concordia e o Morgan State Choir, em 1993, Too Hot to Handel decolou para se tornar um evento anual com orquestras em todo o mundo. A experiência é única e inigualável para mim: é indescritível ser capaz de atrair uma audiência diversificada, que se integre plenamente a experiência, dançando nos corredores, cantando e desfrutando o concerto.


A senhora já disse que a instrumentação original de O Messias é extremamente modesta e íntima, enquanto Too Hot to Handel é capaz de fazer a audiência dançar e cantar junto. O quanto essa transformação do trabalho íntimo de Handel para o jazz expansivo de Too Hot to Handel afeta a expressão da música?


O “DNA” da peça está completamente intacto. O texto, as melodias, a estrutura — mas todo o resto foi retrabalhado para o nosso tempo. Acho que Handel adoraria!

 

Como a senhora descreveria a relação musical entre os músicos eruditos da orquestra e o mundo sonoro do baixo elétrico, da guitarra elétrica e do órgão Hammond?


As orquestras que tocaram adoraram a experiência. E uma chance para eles realmente se divertirem e se envolverem ativamente na experiência do concerto.


Qual reação a senhora acha que o público brasileiro terá?


Acho que vai adorar! Realmente é uma versão cheia de suingue, tem ótimos grooves e é muito divertida — bem ao espírito do nosso público brasileiro!

 

Entrevista a Renato Roschel