| Aos Iniciantes
A diferença entre uma orquestra Sinfônica e uma Filarmônica não reside no
repertório apresentado, na quantidade de músicos ou nos instrumentos utilizados.
O que as diferencia é a natureza de suas estruturas de suporte administrativo.
A denominação “filarmônica” poderia ser grosseiramente traduzida por “amantes da harmonia” e diz respeito a sociedades musicais mantidas por admiradores que subsidiam conjuntos orquestrais. A indicação “sinfônica” refere-se ao repertório abordado, de sinfonias, mas finda por representar os demais grupos, mantidos por governos ou grandes corporações. Nos dias de hoje, há poucas orquestras verdadeiramente filarmônicas, mas devido à tradição seus nomes de origem ainda são mantidos. É tradição na música clássica aplaudir apenas no final das obras. Preste atenção, pois muitas peças apresentam movimentos, com pausas entre eles. É fundamental que você se sinta confortável em sua vinda à Sala São Paulo. Não há necessidade alguma do uso de trajes sociais. Pedimos apenas que sejam evitadas bermudas e chinelos; afinal, os músicos esperam por vocês de casaca ou terno. As crianças são sempre bem-vindas aos concertos e trazê-las é a melhor forma de aproximá-las de um repertório pouco tocado nas rádios e pouco explorado pelas escolas. A partir dos oito anos, já em idade escolar, elas apresentam uma capacidade de concentração mais desenvolvida. Aconselhamos a escolha de repertórios específicos e peças que não ultrapassem os 40 minutos de duração. Conheça também os Concertos Didáticos e Ensaios Gerais Abertos, do Programa Formação de Público da Osesp. Diferentemente de outros gêneros musicais, a música de concerto valoriza pequenas sutilezas sonoras, detalhes e sons muito suaves; assim, o silêncio por parte da platéia é muito importante. Na verdade, nenhum dos dois termos é apropriado. Para apreciar a música tocada pela Osesp, não é necessário qualquer grau de erudição. Já o termo ‘clássico’ refere-se apenas a um período da história da música, o Classicismo (época de Mozart), que veio depois do Barroco (de Bach) e antes do Romantismo (de Mahler). Você pode se referir à música que a Osesp apresenta como música ‘sinfônica’ ou música ‘de concerto’ O spalla (leader na Inglaterra, concertmaster nos Estados Unidos, Konzertmeister nos países de língua germânica) é o primeiro-violino da orquestra. Ele executa passagens solistas, serve como regente substituto e repassa aos outros músicos as determinações do maestro. Até meados do século XIX, grande parte das apresentações eram regidas pelo spalla, que utilizava o arco para marcar o tempo da música. O termo italiano pode indicar tanto a região do colo onde é apoiado o violino, quanto o personagem que, no teatro de revista, dá suporte ao ator principal. O “Op.”, que você encontra nos títulos de muitas das obras tocadas pela Osesp, é a abreviação do termo latino opus (em português, ‘obra’), e aparece sempre acompanhado de um número para identificar uma peça ou um grupo de peças na produção de um compositor. Por exemplo, o Concerto nº 2, Op.18, de Rachmaninov é a peça de número 18 no catálogo de suas obras. Mas cuidado, nem sempre o opus representa a seqüência cronológica das composições. Para alguns compositores foram criados catálogos próprios, como o BWV, Bach-Werke-Verzeichnis (Catálogo das Obras de Bach); o KV, Köchel Verzeichnis (Catálogo Köchel) de Ludwig Köchel para as obras de Mozart; o D, Deutsch, de Otto Erich Deutsch para as obras de Schubert; e o HoB, Hoboken, de Anthony van Hoboken para as obras de Haydn. Desde o século XVI, os compositores procuram formas de indicar nas partituras a velocidade e a expressão de suas músicas. Porém, até o século XIX, não havia marcadores precisos de tempo, como o metrônomo, e os autores passaram a utilizar termos e expressões para determinar a rapidez, ou o andamento, da música. Por força da tradição musical italiana, passou-se a adotar internacionalmente termos como: largo (lento); adagio (calmamente); andante; moderato; allegro; vivace; presto (rápido); muitas vezes acompanhados de ‘comentários’, como assai (bastante), ma non troppo (mas nem tanto), con moto (com movimento) entre tantos outros. Muitos autores preferiram usar tais indicações em seus próprios idiomas. Dessa forma, cada parte das obras, ou movimento, leva um título que indica o andamento daquele trecho. Apesar de registros de notações musicais na Grécia Antiga e entre os chineses do século III, apenas em St. Gall (Suíça), quase mil anos mais tarde, as notas passaram a ser marcadas com maior precisão. Para os nomes das notas, os povos de língua anglo-germânica adotaram letras, de A a G, enquanto os de língua latina seguiram o hino a São João Batista, introduzido nas aulas de Guido d’Arezzo, no século XI: UT queant laxis, REsonare fibris, MIra gestorum, FAmuli tuorum, SOLve polluti, LAbii reatum, Sancte Ioannes. (Para que possam ressoar as maravilhas de teus feitos com largos cantos, apaga os erros dos lábios impuros, ó São João). Há algumas hipóteses sobre a substituição de Ut (até hoje utilizado na França) por Dó. Uma delas a atribui ao musicólogo Giovanni Battista Doni, no século XVII; outra, ao teórico Giovanni Maria Bononcini, autor do tratado Il Musico Prattico, publicado em 1673. A razão pela qual ocorreu a mudança é incerta. Acredita-se que foi para facilitar a pronúncia nos exercícios de solfejo. O Dó teria sido retirado da palavra Dominus (“Senhor”, em latim). Após a entrada do spalla, a orquestra espera a nota Lá do oboé para começar a afinar, mas por que o oboé? Os oboístas da Osesp explicam que a tradição surgiu no século XVII, época em que esse instrumento, diferentemente dos outros sopros, estava presente em quase todas as orquestras e repertórios. Além disso, o timbre, o volume e o posicionamento do oboé na orquestra fazem com que ele seja facilmente ouvido por todos os músicos. Por último, uma vez feita a palheta, a afinação do oboé é dificilmente modificada, garantindo a precisão da freqüência de 442 Hz. Por estes motivos, o oboé foi eleito o ‘diapasão’ da orquestra. |