Temporada 2016
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ENSAIOS
As Sinfonias de Prokofiev
Autor: Marco Aurélio Scarpinella Bueno
01/abr/2016
O começo da década de 1910 não foi muito fácil para as sinfonias. A revolução de timbres proposta por Debussy em Jeux, a de ritmos proposta por Stravinsky em A Sagração da Primavera e a da própria tonalidade musical proposta por Schoenberg em Pierrot Lunaire colocaram em xeque um dos gêneros fundamentais da música clássica na Europa Ocidental. O próprio Debussy afirmou que “desde Beethoven, havia provas suficientes que atestavam a inutilidade da sinfonia”,1 comentário que pode ser um tanto perturbador para quem aprendeu a se banhar na tradição musical austro- germânica sedimentada desde a época de Haydn.
 
Bela Bártok | Entre a Síntese e a Desagregação
Autor: Paulo Schiller
31/mar/2016
Em maio de 1913, A Sagração da Primavera, de Stravinsky, estreou em Paris e provocou escândalo. Cerca de três meses antes, as Duas Imagens, de Béla Bartók, eram vaiadas em sua primeira apresentação em Budapeste. Nascido em 1881, Bartók — tido por muitos como o maior compositor húngaro ao lado de Liszt —, viria a ser, juntamente com Stravinsky, um dos principais representantes da modernidade na música do século xx.
 
Uma gramática do caos: notas sobre Villa-Lobos
Autor: Lorenzo Mammì
01/mar/2016
Em um artigo de 1951, Pierre Boulez fala de Stravinsky em termos muito depreciativos: “O malogro de Stravinsky consiste na incoerência (ou seja, na inconsistência) do seu vocabulário; exaurido um certo número de expedientes destinados a mascarar o colapso tonal, ele se encontrou ‘desprevenidamente’ sem uma nova sintaxe. [...] Convém no entanto assinalar, para sermos exatos, que até então (ou seja, até o período neoclássico) Stravinsky não sabia ‘compor’: as grandes obras, como Sagração da Primavera e Les Noces [As Bodas], acontecem por justaposição, por repetição ou por sobreposições sucessivas, procedimentos óbvios de alcance limitado.”1

Nessa perspectiva, a guinada neoclássica torna- se uma escolha obrigatória: “Incapaz de chegar por si mesmo à coerência de uma linguagem diferente da tonal, Stravinsky abandona a luta que apenas iniciara e volta os seus expedientes, tornados jogos arbitrários e gratuitos que visam a um prazer do ouvido já ‘pervertido’, para um vocabulário pelo qual não é responsável. Digamos que opera um transfert.”
 
Richard Strauss
Autor: Edward Said
01/nov/2015
Em seu brilhante perfil de Johnny Carson para a revista The New Yorker, Kenneth Tynan chegou à conclusão de que, seja lá o que Carson fizesse, ele era o único a fazê-lo, e sempre com perfeição. Era comediante de stand-up, apresentador de talk show, celebridade de Hollywood — mas o fenômeno Carson, que durou mais de duas décadas, supera qualquer uma dessas definições e é mais do que a soma delas.

Proporções guardadas, o mesmo vale para Richard Strauss, cuja carreira impressionantemente longa ocorreu em paralelo com muitas das grandes mudanças na música do século xx e teve contato com elas de estranhas maneiras, sem de fato delas participar. Glenn Gould descreveu a serena indiferença de Strauss em relação a todas as tendências à sua volta, enquanto despreocupadamente fazia a sua própria música, mais ou menos como Tynan escreveu sobre Carson. Certamente, há muito de verdade nessa visão sobre Strauss, mesmo se isso significa esquecer o efeito musical devastador de Salomé (1903-5) e de Elektra (1906-8), óperas à sua época consideradas revolucionárias a ponto de serem escandalosas. Schoenberg, Mahler e Debussy estiveram entre os primeiros entusiastas de Strauss, mas é a densidade das associações literárias e culturais em torno da sua carreira que torna Strauss talvez a figura mais rica, e de algum modo a mais enigmática, da música do século xx.
 
Quem tem Medo de Schoenberg?
Autor: Jorge de Almeida
01/set/2015
Eu tenho. Há diversas razões para temer Schoenberg, e muitas razões para admirá-lo. Talvez sejam as mesmas… Por isso é preciso abrir os ouvidos para o que esse “medo” diz sobre nós, sobre a sua música e sobre o século que já nos separa.
 
Carl Nielsen
Autor: Karl Aage Rasmussen
01/jun/2015
Quem é o compositor mais subestimado do século XX? O crítico de música norte-americano Alex Ross fez essa pergunta no seu popular blog, e ele mesmo deu a resposta: Carl Nielsen. “Músicos de orquestra confessam que tendem a resmungar um pouco quando Nielsen aparece em suas estantes; o hábito do compositor de escrever notas furiosamente rápidas, e depois passá-las de uma seção para outra, em estilo de revezamento, pode fazer até mesmo um conjunto de virtuoses soar confuso. Os ouvintes, por outro lado, frequentemente saem das execuções de Nielsen satisfeitos, mas um pouco atordoados, sem saber exatamente qual a placa do caminhão que os atropelou. O poder rítmico de sua música é enorme — a Sinfonia no 4 - A Inextinguível é de um dinamismo comparável apenas às sinfonias de Beethoven”.
 
Sir Michael Tippett
Autor: Kenneth Gloag
01/mai/2015
Sir Michael Tippett (1905-98) foi um dos principais compositores britânicos do século XX, autor de uma obra que atingiu ampla audiência internacional. Nascido nos primeiros anos do século, o compositor vivenciou grande parte da turbulência de sua época, o que se reflete criativamente em sua música.
 
Lugares da Música
Autor: Lilia Schwarcz
01/mai/2015
Prisões sempre deram muito o que pensar e imaginar. O termo tem origem latina, presione, que significa não só o ato de capturar e tirar de circulação como a atitude paralela, de “dar aula”, no sentido de educar para a reintegração na sociedade. O uso jurídico moderno do termo acomodou vários sentidos. Designa a privação de liberdade e de locomoção determinada por uma autoridade competente e considera a reclusão uma sanção imposta pelo Estado.
 
O Mago dos Silêncios
Autor: Jo Takahashi
01/abr/2015
Um dos aspectos que tornam a cultura japo- nesa tão hermética — e fascinante — para os ocidentais é o culto ao vazio, revelado especialmente nas artes tradicionais e no zen-budismo. Na arquitetura clássica e nos jardins, os espaços vazios criam tensões que tornam o diá- logo entre dois eixos mais dinâmicos. Nas gravuras ukiyo-e, esses vazios potencializam expectativas contidas, como a espera por uma chuva que tarda a cair. O fato é que o vazio, na cultura japonesa, não significa ausência. Pelo contrário, trata-se de um espaço intervalar de grande potência expressiva, que extrapola molduras e atinge os sentidos mais subliminares. Esse vazio não é estático, mas um elemento de inflexão que prepara para um próximo salto — um momento em suspensão dramática.
 
Obras de Takemitsu na Temporada Osesp
Autor: Luiz Fukushiro
01/abr/2015
A música de Toru Takemitsu circulou pelos mais diversos meios durante o século XX. Compositor de mais de cem trilhas sonoras para filmes — entre eles Ran, de Akira Kurosawa —, além de trabalhos para televisão, rádio, comerciais e teatro, deixou um vasto catálogo de música de concerto, que abrange desde peças para instrumentos japoneses até obras para grande orquestra.