Orquestra de São Paulo oferece os sabores da Europa e do Brasil
Steven Brown
Que acha desta historia de retorno?
Em 1997, a orquestra no estado de São Paulo do Brasil mal se agüentava. Ensaiava num restaurante. Apresentava-se em cinemas. As platéias eram minguadas. Então, a morte de seu antigo maestro ameaçou causar seu próprio falecimento.
Cinco anos mais tarde, o grupo fez sua primeira turnê nos Estados Unidos. Tocou sinfonias de Brahms e Tchaikovsky, suscitando uma comparação com gerações de grandes orquestras. Passou nesse teste também. Sua precisão e sabor ganharam repetidos elogios.
Agora, a Orquestra de São Paulo retornou para sua segunda viagem pelos Estados Unidos (incluindo um concerto em Orlando no domingo). Como na primeira viagem, é comandada pelo maestro John Neschling, que assumiu após a crise da orquestra de 1997.
"O estado disse: ou a deixamos morrer, ou teremos que praticamente reconstruí-la do zero", conta Neschling.
Uma recuperação vertiginosa.
Quando se refere a “estado”, êle quer dizer o estado de São Paulo no Brasil, o motor econômico do país, com uma população de 40 milhões de pessoas. A orquestra era uma operação de governo, e as autoridades optaram pela reconstrução. Apoiaram-se no brasileiro Neschling, que havia sido treinado em seu país e na Europa.
"Solicitei algumas condições que eles não poderiam atender," diz ele rindo. Algumas envolviam muito dinheiro – tais como construir uma sala de concertos e aumentar salários. Mas o estado atendeu..
Ele usou os salários melhores para atrair novos músicos, muitos dos quais estrangeiros. A meta de Neschling era criar um grupo que misture a animação das orquestras americanas com a riqueza das européias. Ele quer que o grupo tenha sua própria personalidade.
"Penso que nos últimos dois ou três anos – diz ele - finalmente conquistamos uma cor especial. É muito mais interessante, mais pessoal.”
A orquestra é agora independente do estado. Mas ainda cobre cerca de 75 por cento de seu orçamento –cujo total supera $25 milhões por ano – com dinheiro do estado, diz Neschling.
Não consideramos isso algo para ser tomado gratuitamente. Portanto, a orquestra trabalha para estabelecer "raízes profundas na sociedade," diz Neschling.
Ela faz concertos educacionais, administra uma academia de música, faz programas de rádio. Com a ajuda do dinheiro do estrado, mantém ingressos mais baratos..
Honrando a música brasileira.
E ela relembra sua terra natal nos concertos. Embora naturalmente devote tempo para as principais obras clássicas – como a exuberante Sinfonia No. 2 de Rachmaninoff, também enfatiza a música brasileira.
Há muito para destacar . A tradição clássica do país já vem desde 1808, quando a rainha Maria I de Portugal fugiu de Napoleão, mudando sua corte – músicos inclusive – para o Brasil. A orquestra de São Paulo não apenas executa música brasileira, como também tem um setor de publicação que imprime obras perdidas há tempos.
O concerto em Orlando incluirá uma peça brasileira: o Concerto para Violoncelo No. 4 de Heitor Villa-Lobos, o compositor mais famoso do Brasil. Villa-Lobos era violoncelista, e o concerto é uma peça que permite ao solista de violoncelo Antonio Meneses mostrar todo o seu virtuosismo.
Ao levar essa música em turnê .a orquestra exibe no exterior a tradição musical do Brasil. . Ao executá-la em casa, trabalha no sentido de torná-la "importante para a população". Desse modo, pensa Neschling, o estado não mudará de idéia a respeito de ajudar a cobrir as despesas.
"A comoção popular seria grande demais," diz Neschling. "Politicamente, fica muito arriscado para um político assumir esse risco. Portanto, foi nisso que me apoiei.”
Tradução de Lucy Petrovicic, voluntária da Osesp