Fluência brasileira - e russa
Gail Wein
A Orquestra de São Paulo, Brasil, pode não possuir aquele brilho das mais famosas filarmônicas mas, na noite da última sexta-feira na cidade de Strathmore, seus músicos mostraram uma rara exuberância que fez a música de seus conterrâneos se destacar . O que fez surgir a pergunta: Eles conseguiriam tocar Rachmaninoff?
Pois acontece que sim! Ao executar a Sinfonia No. 2, o maestro John Neschling extraiu frases profundamente sentidas, sinceras e ressoantes. A impecável atuação do conjunto e a alegre energia do movimento final fizeram da apresentação um sucesso total. A paixão do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos pelo violoncelo esteve fartamente aparente em seu Concerto para Violoncelo No. 2, em que o solista Antonio Menezes, com o seu som doce como mel, exibe todo o seu impressionante requinte técnico. É uma obra de contrastes, com melodias ao mesmo tempo ásperas e suaves, num contraponto ao estilo de Bach. No segundo movimento, um coral de metais graves trouxe à obra profundidade e solidez, seguidas por uma atmosfera de carnaval evocada pelos poderosos sopros e metais da orquestra. Na cativante cadenza, Meneses parecia tocar todas as quarto cordas de seu violoncelo simultaneamente, emulando sozinho a orquestra inteira.
Camargo Guarnieri, contemporâneo de Villa-Lobos, incorporou com mestria o talento Latino Americano à0 sua Overture Concertante. Ritmos contagiantes, castanholas e insistentes tímpanos permeavam a peça. O lânguido movimento intermediário temporariamente impedia o progresso da ação, mas a execução requintada do solo de fagote, seguido pelo retorno dos tímpanos, efetivamente reanimou a orquestra.
Tradução de Lucy Petrovicic, voluntária da Osesp