DO BRASIL, UM MILAGRE MUSICAL:
A Orquestra de São Paulo e John Neschling em turnê pela Europa

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), do Brasil, inicia no dia 7 de março de 2007 uma abrangente turnê européia, que passará por três cidades na Espanha, em Portugal, na Suíça, Alemanha, Áustria, Hungria, Polônia e França. A Orquestra apresentará música da América Latina e dos Estados Unidos e também obras de Rachmaninoff, Debussy, Respighi, Bartok e Tchaikowsky, e mostrará um desempenho notável. Nos concertos para piano e orquestra de Rachmaninoff e Bartok serão solistas Nelson Freire e Dezsö Ranki, ambos pianistas festejados internacionalmente. O maestro John Neschling, nascido no Rio de Janeiro, comemorará com esta turnê seu jubileu de 10 anos com a orquestra.

Neschling, cujos antepassados austríacos fugiram em 1930 para o Rio de Janeiro por conta do Nazismo - o maestro é sobrinho-neto de Arnold Schoenberg e Arthur Bodansky - por meio de um trabalho intenso fez da orquestra, fundada em 1954, o mais importante corpo musical da América do Sul, que hoje se apresenta com confiança nas metrópoles européias e norte-americanas e que, em novembro de 2006, empreendeu com sucesso sua segunda turnê aos Estados Unidos. Ao fazê-lo, a orquestra não nega suas raízes e, além do repertório de concerto clássico-romântico, se dedica com especial vontade aos compositores sulamericanos, cuja obra ainda está por ser descoberta nestas nossas terras. A orquestra e John Neschling encontraram no selo sueco BIS um parceiro de renome junto ao qual gravaram obras de Camargo Guarnieri, Francisco Braga, Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone e Claudio Santoro. Neschling, que se formou na Europa e nos Estados Unidos, conhece muito bem orquestras norte-americanas e européias através de suas apresentações na Itália, Portugal, França e Suíça. Ele regeu, entre outras, a ópera "O Guarani", do brasileiro Antonio Carlos Gomes, junto à Ópera de Washington em 1997, com Placido Domingo no papel-título. Também regeu a Orquestra Sinfônica de Pittsburgh na estréia mundial da peça "Divertimentos para Orquestra", de Andre Previn, e é um  bem sucedido compositor de música de cinema (O Beijo da Mulher Aranha).

Também se deve à iniciativa de Neschling o fato de a Orquestra de São Paulo ter, desde 1999, sua própria sala de concertos, uma antiga estação ferroviária de São Paulo, que foi inteiramente reconstruída e é hoje uma das salas de concerto com melhor acústica no mundo. Na cidade de 17 milhões de habitantes que é São Paulo, com suas favelas e pontos de tensão social, Neschling quis alcançar tantos ouvintes quanto fosse possível, e, assim, levar música clássica a um maior número de pessoas, ao lado de outras incontáveis manifestações musicais do país. Por isso, os ingressos para os seus concertos custam apenas cerca de 5 Euros, atingindo no máximo  15 Euros. O sucesso lhe dá razão - os cerca de 130 concertos que a Orquestra faz anualmente estão sempre esgotados, cada programa é apresentado no mínimo três vezes. A Orquestra se engaja fortemente no âmbito educacional, ao facilitar que, através de escolas, crianças e jovens assistam aos ensaios, esclarecendo-lhes as obras e assim tornando o programa didaticamente interessante para esse público jovem. Além disso, há também um  coro sinfônico, um coro infantil e uma academia, que promove o aprimoramento profissional em níveis internacionais. Pela primeira vez, musica clássica passou a ser um tema na imprensa brasileira, mas há ainda muito a ser feito. Sim, a Orquestra e, portanto, a música clássica ganharam muito em reputação por meio de John Neschling. Mas o suporte e reconhecimento político se baseiam em estruturas pouco sólidas e precisam sempre ser redefinidas com discussões constantes com o Governo. Ainda assim, os músicos de John Neschling gozam de tanta musicalidade, entusiasmo e disposição, que tamanho empreendimento certamente trará frutos no futuro.

Tradução de Augusto César Barbosa de Souza, voluntário da Osesp

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