OS RITMOS CLÁSSICOS DAS TERRAS BRASILEIRAS
8/3/2007 por Javier Sayas
Intérpretes: Orquestra Sinfônica de São Paulo, John Neschling, regente
Lugar: Sala Mozart do Auditorio
Data: Quarta-feira, 7 de março
Platéia: lotada
Havia boas razões para nutrir boas expectativas (e digo já que se confirmaram) com relação ao concerto de ontem na Temporada de Primavera. Melhor seria fazer uma lista. Em primeiro lugar, estava a possilidade de ouvir a Sinfônica do Estado de São Paulo, um dos mais importantes conjuntos sinfônicos hiberoamericanos. Em segundo lugar, vinha a oportunidade de ouvir ao vivo Nelson Freire, pianista de primeiríssima categoria, que combina uma técnica perfeita com uma total ausencia de preciosismo. E, em terceiro lugar, um programa espetacular, com obras para grande orquestra, atrantes e não ouvidas com frequencia.
Freire interpretou o Quarto Concerto de Rachmaninov, uma das poucas obras desse autor que não se entendem logo na primeira vez, razão pela qual é pouco ou muito pouco executada. Agradou-me muito o enfoque e a clareza de toque do pianista brasileiro, limpo mas nada metálico e com bom sentido da melodia que nunca resvala para o enfático; o equilibrio entre solista e orquestra me pareceu mas duvidoso, e creio que empanou um pouco o resultado.
Havia no programa um par de obras americanas. A vibrante Sensemayá, de Silvestre Revueltas, é um excelente Stravinski com um toque precolombiano, que exige uma orquestra rítmica, entusiasta e precisa, conduzida por um maestro (como sem dúvida é o tambem brasileiro John Neschling) cujo ânimo
não arrefeça. Por outro lado, a Bachiana Brasileira número 4, de Heitor Villa Lobos, permitiu a muitos conhecer uma das obras princpais do compositor mais importante do seu país, um autor prolífico e muito intuitivo, que cai facilmente num excesso de ênfase mas é sempre sincero e atraente.
Tradução de Glênio Vergara, voluntário da Osesp