HEITOR VILLA-LOBOS
Choros nº 5, 7 e 11
Cristina Ortiz piano

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
John Neschling
BIS 1440 (CD)

 

Qualidade artística 10/10 Qualidade de som

 

A Ondine já nos deu uma boa gravação de Choros nº 11, um concerto para piano e orquestra com uma hora contínua de duração (e por isso quase nunca apresentado ao vivo). Mas esta execução tem ainda mais “clima” e não é menos intensa ritmicamente.
É bom ouvir Cristina Ortiz de novo numa gravação importante. Todos se lembram de que ela gravou muitas peças, a maioria de alta qualidade, para a EMI e também registrou a integral dos concertos de Villa-Lobos para a Decca. É bem provável que Cristina conheça o estilo e a música tão bem como qualquer outro pianista contemporâneo, ou talvez melhor do que ninguém, e sua execução neste disco tem realmente muito fôlego e entusiasmo, especialmente nos trechos mais rápidos da peça, que tem basicamente uma estrutura de três movimentos em um. Trata-se de uma das principais obras primas do compositor e, com a qualidade de som que esta gravação apresenta, seria insensato não comprar este disco, se é que você tem um mínimo interesse por Villa-Lobos.
Além disso, ao contrario da Ondine, a gravação da BIS nos traz um “brinde”: o Choros nº 5, intitulado 'Alma brasileira', um solo de piano de 5 minutos, que –não é de surpreender– soa como uma cadência, uma extensão do nº 11. Ortiz executa a peça com um entusiasmo sem afetação e um poderoso impulso lírico. O Choros nº 7 é orquestrado para um exótico conjunto de cordas sopros (inclusive saxofone) e tam-tam fora do palco. Seja honesto: que tipo de música não seria incrementada pela utilização de um tam-tam fora do palco? (OK, você me pegou: eu tenho um preconceito favorável, porque já toquei esse instrumento...) É tremendamente divertido e cheio de timbres e texturas que não se acham em qualquer outra peça. Se este disco for o primeiro de uma série completa de Choros com estes executantes, editada pela BIS, então vale a pena esperar por essas novas delícias.

David Hurwitz

Tradução de Glênio Vergara, voluntário da Osesp.

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