Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
Choros nº 11, 5 'Alma Brasileira' e 7 'Sétimo'
Cristina Ortiz (piano)
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
John Neschling
BIS 1440, Dist. Codaex
#2004 e 2006. TT: 1' 18''
Técnica: 7,5/10
Orquestra muito transparente e bem definida.
Piano um pouco dispersivo e de timbre médio.
Este primeiro volume de uma série integral dos catorze Choros dá a palavra, no Sétimo, à flauta, ao oboé, ao clarinete, ao fagote, ao saxofone, ao violino, ao violoncelo... e –nos bastidores– ao tam-tam, dos músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Uma lição de liberdade agógica. Cristina Ortiz não é menos admirável no Choros nº 5 para piano, a saudade aflorando sob a austeridade de um desempenho pudico, mas é o Choros nº 11 que se apresenta como “plat de résistance“: mais de uma hora de música impregnada de riqueza temática, rítmica, harmônica e orquestral fascinante, uma obra prima que desabrocha em espaço acústico quase infinito. Nem concerto para piano pós-romântico, embora a parte solística seja de terrível dificuldade, nem concerto grosso alargado, esse monumento de 1928 é uma peça livre em que Villa-Lobos se serve de fontes de inspiração reais e inventadas, bem à maneira dos ricos anos 1929/1930. O virtuosismo não só individual como também coletivo dos integrantes da Orquestra faz honra ao trabalho de base de John Neschling, isso sem que se leve em conta sua carreira internacional. O resultado nos Choros mostra-se diferente daquele que Villa-Lobos obtinha em 1958, à frente da Orquestra Nacional (Emi, Aline Van Berentzen conduzia-se ao piano com segurança celestial). A regência de Neschling é, sem dúvida, menos lírica e espontânea, mais atenta ao valor “polifônico“ dos diferentes naipes instrumentais, com um piano menos concertante –e muito bem mantido nessa ótica por Cristina Ortiz. Uma interpretação prodigiosa superior àquela, executada com sucesso, de Ralph Gothoni e Sakano Oramo (Ondine).
Alain Lompech
Tradução de Geraldo Tolosa, voluntário da Osesp.