VILLA-LOBOS
Heitor – 1887-1959
Choros, volume 2

Choros nº 6 (para orquestra) nº 1 (para violão) nº 8 (para grande orquestra e dois pianos), nº 4 (para três trompas e trombone ) e nº 9 (para orquestra)

Linda Bustanti, Ilan Rechtman (pianos), Fábio Zanon (violão), Dante Yenque, Ozéas Arantes, Samuel Hamzem (trompas), Darrin Coleman Milliing (trombone baixo), Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, John Neschling (regente).

1 CD BIS CD-1450 (distribuído por Codaex França)
Texto de apresentação traduzido para o francês - Gravado em 2003 e 2005

Tempo de gravação 1h21 - DDD

De 1920 a 1929, na maior parte do tempo em Paris, Villa-Lobos compôs, para as mais diversas formações musicais, um ciclo de catorze Choros aos quais convém acrescentar uma Introdução aos Choros e dois Choros Bis. Neles se encontram duas fontes de inspiração: o Choro, palavra brasileira de origem africana (o xôlo dos Cafres) que designa os grupos de instrumentos populares e o folclore urbano típico do Rio de Janeiro e algumas melodias e figuras rítmicas do patrimônio indígena. O compositor, entendendo tornar mais precisa a inspiração do que a estrutura, emprega sempre a palavra no plural (Choros).
Se o Choros nº 1 (1920) para violão se assemelha ainda a uma produção ingênua de músico popular, o mesmo não acontece com o amplo (25 minutos) Choros nº 6 (1926) para orquestra, poema sinfônico de rara efervescência, o oposto da brevidade e da economia de meios dos Choros precedentes. Mais heterogêneo e de composição mais radical, o Choros nº 8 (1925) para grande orquestra e dois pianos provoca, por ocasião de sua criação em 1927, a estupefação do público. O Choros nº 9 (1929), de duração igual à do Choros nº 6, reencontra sua paisagem sensual e universo multissonoro, bem como retoma o brilho, a rudez expressiva do Choros nº 8 , valendo-se, porém, de música pura. Nele, a invenção rítmica é constante e as qualidades da orquestração influenciarão Olivier Messiaen. Conciso e irônico, o Choros nº 4 (1926) para três trompas e trombone explora todas as possibilidades dos instrumentos.
Para esse segundo volume de futura edição integral, John Neschling, seus solistas e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo defendem com energia e justeza uma música cujo ecletismo nada tem de superficial e cuja textura rica e fornida merece ser redescoberta.

Patrick Szersnovicz

Tradução de Geraldo Tolosa, voluntário da Osesp.

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