Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo debuta em Chicago
14 de outubro de 2009
por Andrew Patner
O début em Chicago de uma importante orquestra sul-americana. As primeiras apresentações, aqui, de um maestro afro-americano com raízes indianas, do qual muito se tem falado. Uma das maiores percussionistas do mundo, que é também um exemplo e advogada do papel dos deficientes físicos nas artes e na sociedade, num trabalho de visibilidade. E o lançamento de uma importante iniciativa no campo das artes e da cultura, pelo maior grupo de defesa e prestação de serviços para deficientes em Chicago.
A noite de segunda-feira ofereceu tudo isso e mais ainda, no que se mostrou um concerto firmemente estruturado e no ritmo certo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo no Harris Theater, no Millennium Park. Os astros estavam corretamente alinhados e os organizadores fizeram bem seu trabalho para reunir este conjunto líder brasileiro, o maestro-pupilo de James Levine, Kazem Abdullah, a percussionista Dame Evelyn Glennie, deficiente auditiva e orgulhosa disso, e Access Living numa combinação incomumente bem sucedida de arte e agendas.
A orquestra de São Paulo foi fundada em 1954 na maior cidade do Brasil e tem tido seus altos e baixos através das décadas. Tendo passado por uma grande reorganização, tomado posse da Sala de Concertos projetada pelo aclamado Russell Johnson em São Paulo, com apoio estatal e um ex-presidente brasileiro (!) à cabeça de seu conselho administrativo, a OSESP recentemente arrebatou seu primeiro maestro internacionalmente conhecido, Yan Pascal Tortelier, que exatamente na semana passada atuou como substituto de última hora na Chicago Symphony Orchestra.
Sua atual turnê norte-americana, no entanto, é liderada por Abdullah, treinado em Cincinnati, com muita experiência em trabalhar sob grande pressão no Metropolitan Opera em Nova York, incluindo uma substituição de última hora muito apreciada no Orfeo e Eurídice de Gluck nesta temporada. No início da turnê, ele parecia estar ainda encontrando o equilíbrio entre “convidado” e “maestro”, mas foi um bom mediador num programa variado. Peças de cunho fortemente folclórico do compositor brasileiro Alberto Nepomuceno e uma composição tradicional como extra formataram o concerto. Uma oportunidade rara de ouvir a Bachiana Brasileira Nº 4 de Villas-Lobos, composta em 1942, em versão orquestrada, completou a representação nacional na programação e uma enérgica apresentação da suíte do Mandarim Miraculoso de Bartók encerraram o programa impresso. Abdullah volta aqui em janeiro para dirigir a Chicago Sinfonietta na Nona Sinfonia de Beethoven.
Glennie deveria ter apresentado uma nova peça nesta turnê. No entanto, quando seu compositor não conseguiu cumprir o prazo, a percussionista rodopiante e descalça substituiu o Veni, Veni Emmanuel, que era sua assinatura desde 1992, pelo seu compatriota escocês, James MacMillan. Sua atenção a cada momento e variantes neste instrumento múltiplo, tomando o palco num “tour de force” de meia hora, certamente deixaram claro que deficiências físicas não precisam ser barreiras à expressão ou à realização artística, como a Access Living e seus muitos amigos e clientes que foram ao concerto já sabem há muito tempo.
Tradução de Sandra Regina Carvalho, voluntária da Osesp.