Concerto pré-turnê Brasil 2011: São Paulo
Theatro Municipal de São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
27 out 11 quinta-feira 21h00
Theatro Municipal de São Paulo
28 out 11 sexta-feira 21h00
Theatro Municipal de São Paulo
29 out 11 sábado 16h30
Theatro Municipal de São Paulo

Ingressos entre R$ 71 e R$ 135, à venda a partir de 11 de outubro, pela Ingresso Rápido: T. 4003.1212, pelo site www.ingressorapido.com.br, na Bilheteria da Sala São Paulo e na Bilheteria do Theatro Municipal.

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Yan Pascal Tortelier regente
Augustin Hadelich violino
Programa
Felix MENDELSSOHN-BARTHOLDY
Sonho de uma Noite de Verão, Op.21: Abertura
Concerto Para Violino em Mi Menor, Op.64
Sergei PROKOFIEV
Cenas de Romeu e Julieta [seleção de Yan Pascal Tortelier]
Bis
quinta

Niccolò PAGANINI

Capricho nº 24 Para Violino

Sergei PROKOFIEV
O Amor das Três Larajnas, Op.33: Marcha
sexta

Niccolò PAGANINI

Capricho nº 24 Para Violino
sábado

Johann Sebastian BACH

Andante da Sonata nº 2 Para Violino Solo, BWV 1003
Sergei PROKOFIEV
O Amor das Três Larajnas, Op.33: Marcha


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-47) está entre os criadores da ideia de uma tradição musical essencialmente alemã, tal como ainda hoje a entendemos: de Bach, cuja proeminência o próprio Mendelssohn revela ao mundo entre 1827 e 1829, a Brahms, seu “sucessor” (segundo declara Eduard Marxsen em 1847), passando por Haydn, Mozart, Beethoven e Schumann, que o venera. Compositor dotado de um personalíssimo senso melódico, capaz de dominar com inata elegância todos os aspectos da linguagem musical, Mendelssohn foi também pianista, organista, violinista e regente, além de criador e diretor de um renomado conservatório em Leipzig, que ele transforma em capital da tradição clássica.

Dono de um talento universal, Mendelssohn foi também um verdadeiro polímata. O valor artístico de seus desenhos e paisagens em aquarela é indubitável e foi reconhecido até mesmo por Richard Wagner, que, como se sabe, não se inscreve entre seus admiradores incondicionais. Poliglota e versado em línguas clássicas, foi um amigo próximo e discípulo do grande historiador da Antiguidade, Johann Gustav Droysen (1808-84) e ainda prosador admirável, rivalizando com Berlioz e Schumann em argúcia crítica, em especial em sua vasta correspondência com grandes personalidades da cultura alemã. Tendo seu pai, o banqueiro Abraham Mendelssohn, se convertido ao protestantismo (acrescentando ao nome judaico Mendel, o protestante Bartholdy), Mendelssohn foi ainda um estudioso de teologia, adaptador dos libretos de seus oratórios Paulus e Elias, e assíduo ouvinte dos sermões berlinenses de Friedrich Schleiermacher, com quem ele compartilha o entusiasmo por Platão e o mesmo gênero de romântico sentimento religioso.

De fato, o fenômeno Mendelssohn só pode ser entendido se devidamente situado em uma das mais felizes constelações da cultura alemã da primeira metade do século XIX. Seu avô é o filósofo Moses Mendelssohn (1729-86), amigo próximo de Gotthold Ephraim Lessing (1729-81), que nele se inspira para escrever sua peça Natã, o Sábio. Sua avó, Bella Salomon, confiou-lhe uma cópia da então desconhecida Paixão Segundo Mateus, de Bach. Seu tio, Joseph, foi um protetor de outro polímata, Alexander von Humboldt, de quem o compositor é amigo e a quem dedica uma cantata em 1828. Sua tia, Dorothea, era esposa de Friedrich von Schlegel, poeta, pensador e protagonista do maduro Romantismo alemão; outra tia, Recha, era parente do compositor Giacomo Meyerbeer; sua irmã mais velha, Fanny, compositora e pianista, era amiga da grande pianista Clara Wieck, mais tarde esposa de Robert Schumann. Em 1821, Mendelssohn é levado a Weimar por seu professor de composição, Carl Friedrich Zelter, e é apresentado a Goethe. Entabula-se então uma singular amizade entre o menino de doze anos e o olímpico patriarca de 72, que o retém um mês em sua casa, cativado por seu gênio e sua precocidade intelectual.


Embora já tivesse em seu ativo treze sinfonias para orquestra de cordas e música de câmara para diversas formações, a abertura de concerto Sonho de Uma Noite de Verão Op.21, composta em 1826, aos dezessete anos, marca a passagem de Mendelssohn para sua obra, por assim dizer, “madura”. Relatando a experiência de ouvi-la, em 1842, Schumann escreve a um amigo: “Sobre a abertura, todos estão desde sempre de acordo. Como talvez nenhuma outra obra do compositor, essa abertura é inteiramente penetrada pelo fogo ardente da juventude, e o mestre, hoje experiente, fez ali, em um dos momentos mais felizes, seu primeiro, altíssimo voo”.


A intimidade de Mendelssohn com o teatro e em particular com Shakespeare vinha de uma tradição familiar que remontava à já mencionada amizade de seu avô com Lessing, grande promotor, em sua Dramaturgia de Hamburgo, do dramaturgo inglês. Mas a composição não se liga num primeiro momento à montagem da peça, e sim ao impacto da leitura de sua tradução por August Wilhelm Schlegel (irmão de Friedrich e, portanto, cunhado de sua tia, Dorothea) e pelo poeta Ludwig Tieck, para cuja histórica encenação da Antígona de Sófocles, Mendelssohn comporá em 1841 a música do coro.


No ano seguinte, em 1842, Mendelssohn compõe a célebre música incidental Sonho de Uma Noite de Verão Op.61, dessa vez para a encenação da peça de Shakespeare, nela incorporando a abertura juvenil. Muitas são as tentativas de remeter as diversas partes dessa abertura a uma ou outra das personagens ou peripécias da peça, associações fomentadas antes de mais nada pelo fato de que a música parece efetivamente habitada por criaturas de um mundo deslumbrante e delicadamente feérico. Mas devemos recordar que Mendelssohn recusava em sua música todo apelo a qualquer linguagem não musical, fosse ela a de Shakespeare: “Se você me perguntasse”, afirma em uma carta, “em que pensei ao compor isto [uma das Canções Sem Palavras], diria: somente nesta canção, tal como está”. O mesmo talvez se poderia dizer deste “Sonho de Uma Noite de Verão Sem Palavras”.


Concebido desde 1838 para o amigo de infância de Mendelssohn, Ferdinand David (1810-73), nomeado spalla da Orquestra da Gewandhaus de Leipzig pelo compositor, que se tornara seu regente em 1835, o Concerto Para Violino em Mi Menor Op.64 teve sua estreia apenas em 1845. Com Sonho de Uma Noite de Verão, é talvez a mais conhecida das peças orquestrais de Mendelssohn e um dos mais universalmente amados concertos para violino do século XIX, ao lado dos de Beethoven, Brahms e Tchaikovsky. Anos a fio, o primeiro tema do primeiro movimento, um angustiado lamento, “não dava paz” ao compositor, conforme escreve ele ao amigo.

Introduzido pelas madeiras, o segundo tema, em Sol Maior, traz um senso de serenidade que dialoga com o primeiro tema até a cadenza final. A pureza e o vibrante lirismo da linha melódica do “Andante” permanecem inigualados por qualquer outro compositor de seu tempo e talvez pelo próprio Mendelssohn. A seção central de sua forma ternária tinge-se de acentos mais dramáticos, sem nada perder da delicadeza e da elegância supremas do compositor. O terceiro movimento, por fim, traz de volta o frescor e a luminosidade juvenis da abertura Sonho de Uma Noite de Verão.

LUIZ MARQUES é professor livre-docente do departamento de História da Unicamp e diretor do Projeto Mare — Museu de Arte para a Educação.


Escrita no final do século XVI, Romeu e Julieta se tornou uma das peças mais populares do dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616). Com a apropriação e a revalorização de Shakespeare pelo Romantismo, a história dos dois amantes de famílias rivais de Verona inspirou a compositores do século XIX diversas partituras célebres, como a sinfonia dramática de Berlioz (1839), a ópera de Gounod (1869) e a abertura-fantasia de Tchaikovsky (1869-80), entre outras.

A ideia de fazer de Romeu e Julieta um balé na URSS ocorreu inicialmente a Sergei Radlov, diretor do Teatro Acadêmico Estatal de Ópera e Balé de Leningrado. Aluno e colaborador de Meyerhold, Radlov desejava que a música fosse escrita por Sergei Prokofiev, de cuja ópera O Amor Das Três Laranjas dirigira a estreia soviética,emLeningrado,em1926.

A ideia surgiu em 1934, pouco antes do misterioso assassinato de Sergei Kirov, dirigente comunista de Leningrado. O crime deu início a grandes expurgos stalinistas; o teatro de Radlov foi rebatizado para homenagear o político morto, o próprio Radlov deixou de trabalhar na casa, e a encomenda de Romeu e Julieta foi cancelada, para ser assumida pelo Teatro Bolshoi, de Moscou.

A parceria, de qualquer modo, foi mantida. Radicado no Ocidente, Prokofiev resolveu voltar à Rússia em 1935, terminando a partitura no mesmo ano. O libreto, elaborado em parceria com Radlov, previa um final feliz para a obra, em vez da morte do casal. “As razões que nos levaram a semelhante barbarismo foram puramente coreográficas”,explicou o compositor. “Gente viva pode dançar, mas os mortos não têm como bailar estendidos no chão”.

Quando o pessoal do Bolshoi escutou pela primeira vez a obra, contudo, não foram poucas as objeções a tamanha adulteração da criação shakesperiana. Acostumados à música mais convencional dos bailados de Tchaikovsky e Glazunov, os bailarinos também consideraram a música sincopada de Prokofiev “impossível de dançar”.

O dramaturgo Adrian Piotrovski e o coreógrafo Leonid Lavronski também intervieram no libreto, que acabou por restaurar o final trágico previsto por Shakespeare. Depois de uma série de adiamentos e percalços, a estreia só ocorreu em 1938, em Brno, na então Tchecoslováquia. Embora sua música já houvesse sido executada em concerto, o balé de Prokofiev subiu aos palcos da URSS apenas em janeiro de 1940 — não no Bolshoi, mas no Kirov, com significativas mudanças efetuadas por Lavronski no libreto e na partitura do compositor. Em sua biografia de Prokofiev, Harlow Robinson celebra Romeu e Julieta como “gigantesco passo adiante” em sua evolução como compositor dramático e sinfônico. “É uma notável síntese de distintos aspectos de sua personalidade musical”, afirma Robinson — uma riqueza de aspectos devida ao amadurecimento do compositor. “Dez anos mais cedo, sua personalidade musical teria sido demasiado irônica, seca e unilateral para pintar a grande variedade de emoções que exigia Romeu e Julieta”, afirma.

As cenas selecionadas neste programa incluem alguns dos trechos mais célebres do balé, como “Montéquios e Capuletos” (ou “Dança dos Cavaleiros”), que faz parte da segunda cena do primeiro ato, quando há o baile na casa dos Capuletos (a família de Julieta), onde os amantes travam conhecimento. O episódio contrasta um tema de abertura, marcial – os cavaleiros –, com outro, lírico, no qual um solo de flauta retrata a dança das damas. Prokofiev usa a música tanto para caracterizar as personagens (como fica claro na fisionomia de andamento rápido da “Jovem Julieta”) quanto para situar a ação no espaço (com as cordas dedilhadas da “Dança Com Bandolins”, que nos lembra que a trama se passa na Itália). O lirismo acima mencionado por Robinson faz-se ouvir com especial veemência no dueto dos amantes, a “Cena do Balcão” (em que um órgão toca o tema do amor de Romeu por Julieta, dando-lhe um caráter quase sacro), enquanto sombrios acordes nos metais emolduram a pungente “Morte de Julieta”, que encerra o balé.

IRINEU FRANCO PERPETUO é jornalista, colaborador do jornal Folha de S.Paulo, da revista Concerto e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

PROGRAMA

Felix MENDELSSOHN-BARTHOLDY [1809-47]

Sonho de uma Noite de Verão: Abertura, Op.21 [1826]

12 MIN

Concerto Para Violino em Mi Menor, Op.64 [1844]

_Allegro Molto Appasionato (Attaca)

_Andante (Attaca)

_Allegro Molto Vivace

26 MIN

Sergei PROKOFIEV [1891-1953]

Cenas de Romeu e Julieta [1935] (seleção de Yan Pascal Tortelier)

_Montéquios e Capuletos

_A Jovem Julieta

_Máscaras

_A Cena do Balcão

_A Rua Desperta

_Dança de Cinco Pares

_Dança com Bandolins

_Morte de Teobaldo

_Romeu no Túmulo de Julieta

_Morte de Julieta

25 MIN


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