Temporada Osesp: Portal e Perianes
Eduardo Portal
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
03 mai 12 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
04 mai 12 sexta-feira 21h00
Sapucaia
05 mai 12 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 03/MAI/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 04/MAI/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 05/MAI/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Eduardo Portal regente
Luciana Bueno mezzo soprano
Javier Perianes piano
Programa
Manuel De FALLA
Sete Canções Populares [arranjo de Luciano Berio]
Noches en los Jardines de España
Modest MUSSORGSKY
Quadros De Uma Exposição [orquestração de Maurice Ravel]
bis
quinta

Frédéric CHOPIN
Mazurka nª 4 em Lá Menor, Op.17
sexta
Claude DEBUSSY
La Fille aux Cheveux de Lin
sábado
Federico MOMPOU
Musica Callada: Angelico

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa
Manuel de Falla foi provavelmente o maior compositor da música clássica espanhola e também um dos protagonistas da nova música europeia do início do século XX. A Espanha, sempre rica em poetas e pintores, não contava havia séculos com um compositor dessa envergadura, capaz de realizar obra tão universal e depurada a partir do substrato folclórico, sobretudo da música de sua Andaluzia natal, o cante jondo. É certo que De Falla tinha atrás de si grandes compositores espanhóis, como Albéniz e Granados (os três formavam, segundo García Lorca, a “grande corda espanhola”), mas sua obra repercutiu como nenhuma outra na Espanha moderna.

A obra de Manuel de Falla é bastante reduzida. No repertório usual, tanto em discos como nas salas de concerto ou de ópera, existem pouco mais de dez peças. Em geral, os estudiosos do compositor destacam em sua trajetória longeva, mas concisa, um caminho de depuração. Isso vale para o aproveitamento do folclore espanhol, mais saliente nos primeiros momentos e já despojado nas obras finais, em especial no Concerto Para Cravo (1926), para alguns a sua obra máxima.

As duas peças que compõem este programa correspondem a um momento específico do percurso de Manuel de Falla, o de sua fecunda e decisiva estadia em Paris, num período esplendoroso das vanguardas artísticas (1907-14), onde conheceu Dukas, Debussy e Ravel, além de Stravinsky e Diaghilev, empresário dos famosos balés, para quem comporia O Sombrero de Três Pontas. Em Paris, conheceu ainda dois conterrâneos, o compositor Isaac Albéniz, que o incentivou a compor as Noites Nos Jardins de Espanha não apenas para piano solo, mas para grande orquestra, e o pianista Ricardo Viñes, a quem a peça é dedicada. De Falla pretendia se fixar em Paris, mas teve de retornar às pressas à Espanha em virtude da Primeira Guerra Mundial. As Sete Canções Populares Espanholas estavam prontas, enquanto as Noites só seriam concluídas no início de 1915, em Sitges, na casa do pintor catalão Santiago Rusiñol, também fascinado pelos jardins espanhóis.

A peça está longe do pitoresco, embora o título revele algo do caráter descritivo da música de programa do século XIX. Roland-Manuel, biógrafo do compositor, associa “os desenhos que o piano mescla com a orquestra” aos arabescos do palácio de Alhambra, em Granada. Prevalece, porém, um princípio musical puro, apreendido com Dukas (com quem De Falla orientou-se sobre técnicas de orquestração) e sobretudo com Debussy, como revela o subtítulo, “Impressões Sinfônicas Para Piano e Orquestra”. Não se trata, contudo, de um impressionismo evanescente. A música é antes corpórea e bem delineada, talvez pelo contato profundo com os ritmos fortes de seu país. Efetivamente, nos três “quadros” parece haver uma intensidade progressiva, pelas danças que centralizam e animam o segundo e terceiro movimentos, ainda que ao fim a peça reencontre a calma misteriosa do início.

As Noites não são um concerto para piano: embora o instrumento tenha papel primordial, não efetua um diálogo sistemático com a orquestra. Como em Petrushka, de Stravinsky, o piano é antes explorado em suas possibilidades tímbricas e nas combinações com os outros instrumentos da orquestra, sobretudo os de sopro.

O problema do “folclorismo” de Manuel de Falla se coloca de modo mais imediato com as Sete Canções Populares Espanholas. Trata-se de aproveitamento direto da música popular, quase um registro? Ou, antes, de criação livre, que se vale apenas de sugestões desse legado, isto é, de “folclore imaginário”, conforme a formulação de Serge Moreux a respeito de Béla Bartók? A melhor resposta é combinar as duas alternativas. De Falla voltou-se muitas vezes para o “cancioneiro musical popular espanhol”, mas, no momento da harmonização, atuou com liberdade, dentro de critérios artísticos. Sabe-se que nessa peça o compositor se valeu do tratado de harmonia A Nova Acústica, de Louis Lucas, alheio à tradição popular que manipulava.

Música, poesia e dança se reúnem nessas canções que configuram um mostruário do cancioneiro espanhol. As letras propõem aproximações surpreendentes entre a intimidade e elementos concretos da realidade. Não por acaso, García Lorca, amigo do compositor, nutria por essa tradição um profundo interesse: “As mais infinitas gradações da Dor e do Sofrimento, postas a serviço da expressão mais pura e exata”. Os ritmos também já se revelam nos títulos: seguidilla, jota, polo. A nana, de origem andaluza, foi a primeira melodia ouvida pelo compositor, cantada por sua mãe, também sua primeira professora de piano. Particularmente expressivas são as de número um e sete, na intensa lamentação feminina, seja pelo desamparo, seja pelo desencontro amoroso, a que poderíamos acrescentar a profunda tristeza da “Asturiana”. Em quase todas, pulsa a verve trágica tão ao gosto desse compositor austero, mas cuja obra é colorida e generosa.

Murilo Marcondes de Moura é professor no departamento de Literatura Brasileira da USP.


PROGRAMA

Manuel DE FALLA [1876-1946]

Sete Canções Populares [1922] [orquestração de Luciano Berio – 1978]

- El Paño Moruno

- Seguidilla Murciana

- Asturiana

- Jota

- Nana

- Canción

- Polo

13 MIN

Noites Nos Jardins de Espanha [1915]

- En el Generalife (No Generalife)

- Danza Lejana (Dança Distante)

- En Los Jardines de la Sierra de Córdoba (Nos Jardins da Serra de Córdoba)

23 MIN

Modest MUSSORGSKY [1839-81]

Quadros de Uma Exposição [1874] [orquestração de Maurice Ravel - 1922]

- Promenade - Gnomus (Passeio - Gnomo)

- Promenade - II Vecchio Castello (Passeio - O Velho Castelo)

- Promenade - Tuileries (Passeio – Tuileries)

- Bydlo (Ralé)

- Promenade - Ballet Des Poussins Dans Leurs Coques (Passeio - Balé dos Pintinhos em Seus Ovos)

- Samuel Goldenberg Und Schmuyle (Samuel Goldenberg e Schmuyle)

- Limoges - Le Marché (Limoges - O Mercado)

- Catacombae - Con Mortuis in Lingua Mortua (As Catacumbas - Com os Mortos em Uma Língua Morta)

- La Cabane Sur Des Pattes de Poules (A Cabana Sobre Patas de Galinha)

- La Grande Porte de Kiev (A Grande Porta de Kiev)

35 MIN


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