Temporada Osesp: Alsop e Tiempo
Marin Alsop por Alessandra Fratus
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
17 mai 12 quinta-feira 21h00
Carnaúba
18 mai 12 sexta-feira 21h00
Paineira
19 mai 12 sábado 16h30
Imbuia
QUINTA-FEIRA 17/MAI/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 18/MAI/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 19/MAI/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Sergio Tiempo piano
Programa
Aaron COPLAND
Fanfare For The Common Man
Joan TOWER
Fanfare For The Uncommon Woman
Wolfgang A. MOZART
Concerto nº 21 Para Piano em Dó Maior, KV 467
Johannes BRAHMS
Sinfonia nº 2 em Ré Maior, Op.73

bis solista
quinta

Alberto GINASTERA
Danza del Gaucho Matrero,
Op.2  nº 3
sexta
Franz SCHUBERT

Momento Musical nº 3 em Fá Menor, Op.94
Momento Musical nº 3 em Fá Sustenido Menor, Op.94 [transcrição de Leopold Godowsky]
sábado
Astor PIAZZOLLA
La Muerte del Angel
Moisés MOLEIRO
Joropo

bis orquestra
quinta, sexta e sábado
Johannes BRAHMS

Dança Húngara nº 21 [orquestração de Antonín Dvorák]


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

A Sinfonia nº 2 de Brahms foi composta principalmente no verão de 1877, de modo que se seguiu à primeira com uma distância de menos de um ano. Isso parece sugerir um parto notavelmente indolor depois do complicado nascimento de sua antecessora. É provável, naturalmente, que tivesse estado delineando as ideias dela durante um período mais longo; e, exatamente como a primeira tem um parentesco com o Quinteto Com Piano e outras músicas de câmara do início da década de 1860, assim a segunda parece não deixar de ter relação com as obras corais compostas no final desse decênio.

Convencionalmente, ela é considerada a mais luminosa e jovial das sinfonias de Brahms, uma perspectiva cheia do mais tocante e sereno reconforto quando contrastada com o arrojo do Dó Menor da primeira: de vez em quando ela tem sido apelidada de “Pastoral”. Certamente, todos os quatro movimentos são no modo maior, sendo seu material e sua expressão de uma natureza predominantemente lírica. Há ecos, ocasionais, da anterior Serenata em Ré Maior. Mas mesmo essa obra muito mais simples não era toda de contentamento bucólico. E esse Op.73, pelo menos em seus primeiros dois movimentos, sempre me parece uma das mais escuras das sinfonias em tonalidade maior. Realmente, é uma escuridão rica e introspectiva (parcialmente produzida pela riqueza da harmonia, tingida de simbolismo da natureza, romântico), mas sua gravidade não é menor por isso.

Os planos muito largos da Sinfonia, não obstante intrincadamente se bifurcando pelos caminhos do desenvolvimento, permitem um constante jogo de luz e sombra. E vislumbramos a luz como se do meio de uma floresta, onde forçosamente devemos nos perder em meio a algumas regiões muito tenebrosas. A caracterização da obra, por Brahms, para Elisabeth von Herzogenberg, antes de ela lhe pôr os olhos — “Você só tem de se sentar ao piano, colocar seus pezinhos sucessivamente sobre os dois pedais e tocar o acorde de fá menor diversas vezes em sequência, primeiro nos agudos, depois nos graves (ff e pp), e você gradualmente terá uma vívida impressão da minha 'última'” — não é muito muito mais do que brincalhona (embora as tonalidades menores interpenetrem e enriqueçam sua orientação em tonalidade maior, num grau considerável). Mas mesmo os críticos aferrados à interpretação de “luminosa” reconhecem a sombria atmosfera de elegia do movimento lento, e Brahms disse a Clara Schumann que o primeiro movimento, também, era “totalmente de caráter elegíaco”.

Após a primeira execução, respondendo por carta a um amigo (não identificado) que contestava o que lhe parecia a áspera dissonância de desalento no cânone para trombone no desenvolvimento dessa parte, Brahms rogou ser desculpado sob a alegação de que a passagem em um reflexo de sua habitual melancolia.
Malcolm MacDonald, Brahms (Jorge Zahar Editora, 1990). Tradução de Mauro Gama e Claudia Martinelli Gama.





Aaron Copland jamais teria imaginado que sua fanfarra de três minutos, composta para a Sinfônica de Cincinnati em 1942, se tornaria tão icônica e simbólica. Ele intitulou a breve peça, composta para metais e percussão, de Fanfarra Para o Homem Comum, um tributo aos americanos comuns que lutavam bravamente na Segunda Guerra Mundial.

A escolha de Copland de trompetes em uníssono tocando uma melodia baseada em intervalos abertos (quartas e quintas perfeitas) tornou-se sinônimo da paisagem norte-americana e dos princípios fundadores da América, como a terra de oportunidades para todos. É mesmo uma grande ideia o fato de Copland voltar à fanfarra como base para sua maior sinfonia, a terceira, desenvolvendo uma sinfonia inteira a partir daquela composição de três minutos!

A compositora americana Joan Tower é uma boa amiga minha e grande admiradora da músicade Copland. Acho que isso explica que enquanto Copland compôs apenas uma Fanfarra Para o Homem Comum, Joan Tower já compôs cinco diferentes Fanfarras Para a Mulher Incomum!

Já gravei muitos trabalhos orquestrais de Joan e me senti muito honrada quando ela quis me dedicar sua primeira fanfarra. No repertório da Sinfônica de Houston desde 1987, já foi apresentada mais de 500 vezes pelo mundo todo. Especificamente, esta Fanfarra nº 1 é a companheira ideal para a fanfarra de Copland, por ter sido criada para os mesmos instrumentos (metais e percussão), oferecendo um excelente contraste com a outra.

Fanfarra Para a Mulher Incomum tem um complexo esquema rítmico e é muito mais contrapontística, enquanto a fanfarra de Copland é ritmicamente regular e homofônica por natureza. 

Para mim, a ironia de colocar uma junto da outra é simplesmente irresistível!
Marin Alsop é Regente Titular da Osesp. Tradução de Claudio Carina




É com o Concerto em Ré Menor KV 466 que deixamos a história do concerto como forma específica. A obra não é superior aos concertos que a precederam — o nível que já fora atingido torna arbitrário qualquer julgamento a esse respeito, ainda que sua influência histórica tenha sido maior do que a dos precedentes. Mas a peça não pode ser tomada apenas como um concerto, nem mesmo como um exemplo supremo da forma. Com o KV 466 e também com o KV 467, Mozart cria obras que pertencem tanto à história da sinfonia, ou mesmo à da ópera, quanto à do concerto, da mesma maneira que, com Figaro, penetramos num mundo onde a ópera e a música de câmara se encontram.

O Concerto em Ré Menor tem quase tanto de mito quanto de obra de arte: quando o ouvimos, tal qual ocorre com a Quinta Sinfonia de Beethoven, há momentos em que é difícil saber se estamos escutando a música ou sua reputação, a imagem coletiva que fazemos dela. É provável que não seja este o mais tocado de todos os concertos de Mozart. Mas, mesmo num período em que a reputação do compositor estava em baixa — quando sua graça eclipsou sua força —, a estima por esta obra permaneceu alta. Não se trata, é claro, de uma peça muito discutida (ela não suscita controvérsias), nem muito imitada; são, aliás, poucos os músicos que têm este como seu concerto de Mozart favorito, da mesma forma que a Mona Lisa não é o Da Vinci preferido de ninguém. Pode-se dizer que, tal qual a Sinfonia em Sol Menor e o Don Giovanni, o Concerto em Ré Menor transcende seus próprios méritos.

A importância histórica do KV 466 está em pertencer à serie de obras que, nos dez anos após sua morte, fez de Mozart o compositor supremo na opinião da maioria dos músicos. Esse concerto representa o Mozart que foi considerado o maior dos compositores “românticos”, e foi a fama desta e de um punhado de obras como ela que relegou Haydn ao segundo plano por mais de um século. Foi esse o concerto que Beethoven executou e para o qual compôs cadenzas. Trata-se de um dos exemplos mais cabais daquele aspecto mozartiano a que o século XIX muito propriamente chamou de “demoníaco” e que, por tanto tempo, dificultou muito a apreciação do resto de sua obra.

Nenhum concerto anterior explora tão bem a natureza patética latente da forma — o contraste e o conflito de uma única voz contra muitas. As frases mais características do solo e da orquestra jamais são intercambiadas sem que sejam reescritas e transformadas: o piano nunca toca a abertura ameaçadora em sua forma sincopada, mas a converte em algo ritmicamente mais definido e agitado; a orquestra nunca executa a frase “recitativa” com a qual o piano abre e que é repetida por este ao longo do desenvolvimento. Contudo, o material do concerto é notavelmente homogêneo; boa parte dele se relaciona com a frase de abertura do piano, criando um efeito marcante, sempre com o acompanhamento das mesmas terças paralelas.

Nunca antes havia existido uma relação tão marcante e explícita entre o primeiro e o último movimentos de um concerto, ainda que a Sinfonia Concertante KV 364 já houvesse apontado nessa direção. Essa nova visibilidade das relações temáticas, essa exibição de unidade, surge de uma necessidade dramática interna, a sustentação de um tom unificado exigido pelo estilo trágico. Esse caráter trágico é tão poderoso que transborda para o movimento lento, Romanze, cuja dramática seção intermediária não poderia ser explicada sem referência ao todo da obra. Há uma irrupção de violência similar no movimento lento da excepcional Sonata Para Piano em Lá Menor KV 310, primeira experiência de Mozart com a veia trágica. Embora a exposição desse movimento já tenha um caráter dramático pronunciado, a força do desenvolvimento está lá também, e soa quase gratuita, a menos que seja vista em relação com o movimento de abertura. O contraste ainda mais acentuado do Concerto em Ré Menor mostra maior facilidade de controle do compositor. O sinal mais significativo desse controle, porém, é a estrutura flexível das frases no primeiro movimento, bem como a transformação expressiva de sua recapitulação.
Charles Rosen, The Classical Style, 1971. Tradução de Ivan Weisz Kuck.




PROGRAMA

Aaron COPLAND [1900-90]
Fanfarra Para o Homem Comum [1942]
3 MIN

Joan TOWER [1938]
Fanfarra Para a Mulher Incomum [1986]
3 MIN

Wolfgang A. MOZART [1756-91]
Concerto nº 20 Para Piano em Ré Menor, KV 466 [1785]
- Allegro
- Romanze
- Rondo Allegro Assai
30 MIN

Johannes BRAHMS [1833-97]
Sinfonia nº 2 em Ré Maior, Op.73 [1877]
- Allegro Non Troppo
- Adagio Non Troppo
- Allegretto Grazioso, Quasi Andantino
- Allegro Con Spirito
45 MIN


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