Temporada Osesp: Alsop e Koh
Marin Alsop por Alessandra Fratus
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
24 mai 12 quinta-feira 21h00
Jacarandá
25 mai 12 sexta-feira 21h00
Pequiá
26 mai 12 sábado 16h30
Ipê
QUINTA-FEIRA 24/MAI/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 25/MAI/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 26/MAI/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Jennifer Koh violino
Programa
Jean SIBELIUS
Concerto Para Violino e Orquestra em Ré Menor, Op.47
Béla BARTÓK
Concerto Para Orquestra

Bis solista
quinta e sexta
Eugène YSAŸE
Sonata Para Violino Solo, Op.27 nº 2: Obsession
sábado
Johann Sebastian BACH
Partita em Ré Menor Para Violino Solo, BWV 1004: Allemanda

Bis orquestra
quinta, sexta e sábado

Oscar Lorenzo FERNANDEZ
Reisado do Pastoreio: Batuque


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Em nenhum outro concerto para violino, a primeira nota do solista — delicadamente dissonante e fora de ritmo — é mais bonita. Sibelius também ficou feliz. Em setembro de 1902, escreveu à esposa Aino — a primeira menção ao concerto — dizendo ter tido “uma ideia maravilhosa” para a abertura da peça.

Depois desse começo inspirador, a história do concerto seria perturbada. Sibelius andava bebendo muito e praticamente morava nos restaurantes de Kamp e König, em Helsingfors. Sua criatividade para encontrar maneiras de fugir de trabalhos em andamento era ilimitada. Teve um comportamento ultrajante com Willy Burmester, o virtuose alemão que foi primeiro violino em Helsingfors nos anos 1890, que admirava e defendia Sibelius e o estimulou a compor um concerto para violino (logicamente esperando atuar na primeira apresentação). Sibelius mandou a partitura para Burmester, que comentou: “Maravilhoso! Magistral! Apenas uma vez falei em tais termos a um compositor: foi quando Tchaikovsky me mostrou seu concerto”. O compositor deu a entender que o trabalho seria executado por ele mas, ao mesmo tempo, fez pressão para uma estreia num período em que Burmester não estava disponível, ou no mínimo teria pouco tempo para aprender uma peça que em sua forma original exigia ainda mais técnica do que na versão atual.

Victor Novácek era um professor de violino sem reputação como intérprete. A conclusão óbvia era de que não conseguiria executar o concerto, mas foi esse o plano que o autodestrutivo Sibelius escolheu. Depois de uma estreia quase desastrosa, Burmester voltou a oferecer seus serviços para uma série de apresentações em outubro de 1904 — “Toda a minha experiência de 25 anos de palco, minha arte e meu entendimento estarão ao seu dispor para esse trabalho [...] Interpretarei o concerto em Helsingfors de uma forma que a cidade ficará aos seus pés” — só para ser passado para trás outra vez, agora em favor de Karl Halir, primeiro violinista de Berlim, ex-participante do Joachim Quartet e agora destacado líder de quartetos. Burmester nunca chegou a tocar a peça, e a interpretação acabou ficando a cargo de outro músico, Ferenc von Vecsey, um violinista húngaro nascido em 1893 que em seus dias mais prodigiosos foi um dos primeiros campeões de concertos.

De Bach a Bartók, muitos grandes concertos para piano foram criados para os próprios compositores. Muitos dos mais famosos concertos para violino, por outro lado, foram criados para outros tocarem. Sibelius compôs o seu para uma espécie de alter ego fantasma. Ele era um violinista fracassado. Começou a ter aulas tarde, aos 14 anos, mas desde então “o violino me arrebatou, e pelos dez anos seguintes meu maior desejo, minha maior ambição, era me tornar um grande virtuose”. Na verdade, à parte a dupla desvantagem de seu início tardio e do nível provinciano até mesmo dos melhores professores na Finlândia, Sibelius não tinha nem a coordenação física nem o temperamento para a carreira. Em 1890-91, quando estudava composição com Robert Fuchs e Karl Goldmark em Viena, tocou na orquestra do conservatório (a afinação lhe dava dor de cabeça), e, em 9 de janeiro de 1891, prestou exame para a Filarmônica. “Quando voltou ao seu quarto, Sibelius desabou e chorou”, lemos na biografia de Erik Tawaststjerna. “Então se sentou ao piano e começou a fazer escalas.” Depois disso, desistiu, embora uma anotação em seu diário de 1915 registre que era um virtuose aos 12 anos. De qualquer forma, seu concerto para violino imbuiu tanto seu sentimento pelo instrumento como a dor pela despedida de seu “maior desejo” e de sua “maior ambição”.

Os dois concertos para violino que exploram com mais imaginação o potencial estrutural e expressivo das cadências são os de Elgar e de Schönberg. Sem pretender nada tão dramático ou fantástico, Sibelius atribui um papel de importância sem precedentes à cadência em seu primeiro movimento, que de fato tem lugar e funciona na seção de desenvolvimento. A versão original de 1903-04 tem duas grandes cadências no primeiro movimento, a que sobreviveu e hoje conhecemos, e outra perto do fim, cheia de ecos de solos de Bach, que Sibelius nunca chegou a desenvolver.

O que nos leva à grande cadência é uma sequência de ideias que começa com a melodia sonhadora introduzindo a voz do solista. Isso leva ao que poderíamos chamar de uma minicadência, começando com uma lufada de 16 notas indicadas como veloce. Dessa passagem em solo emerge uma afirmação declamatória em que a marca de Sibelius é
flagrante, uma super-récita de violino em sextas e oitavas. O que se segue é um longo tutti que amaina gradualmente de uma marcha furiosa para uma saudosa pastoral à escuridão. E é dessa escuridão que o desenvolvimento/cadência entra em erupção, ocasião para um grande virtuosismo soberano, brilhante, fantasioso e na medida adequada.
Michael Steinberg é autor de The Symphony: a Listener's Guide (Oxford University Press, 1998). Essa nota de programa foi originalmente escrita para a Orquestra Sinfônica de São Francisco. Tradução de Claudio Carina.





Obra sinfônica essencial da primeira metade do século XX, o Concerto Para Orquestra, de Béla Bartók, é, de certa forma, um testamento, pois estreou em dezembro de 1944, cerca de nove meses antes de sua morte. Pela recepção que teve no meio musical e pela sua imediata popularidade, o Concerto foi incorporado definitivamente no repertório das grandes orquestras e despertou um interesse renovado por toda a obra do compositor.


Embora a palavra “concerto” designe habitualmente uma peça em que a orquestra companha um ou mais instrumentos solistas, Bartók, para quem a sinfonia havia de certa forma se esgotado, escolheu o termo pelo tratamento virtuosístico dado a algumas seções da orquestra, neste caso os sopros, em especial no segundo movimento.

Desgostoso com a aliança que a Hungria selara com o regime nazista, Bartók emigrou para os Estados Unidos em 1940. Pelas dificuldades financeiras que enfrentou e pela amargura do exílio, ele deixou de compor durante os primeiros anos de sua estada na América. Bartók sempre teve uma saúde frágil e, em 1943, estava internado havia três meses com sintomas que se revelariam mais tarde serem fruto de uma leucemia. Dois compatriotas célebres, o regente Fritz Reiner e o violinista Josef Szigeti, em um gesto de solidariedade, instigaram Sergei Koussevitzky, lendário maestro da Sinfônica de Boston, a encomendar a Bartók um trabalho de grande porte para a sua orquestra. Para vencer sua resistência a toda forma de caridade, o maestro deixou uma soma considerável como adiantamento junto do leito do compositor. O pedido teve um efeito poderoso. Bartók deixou o hospital em seguida e se retirou para uma casa de repouso, onde o Concerto Para Orquestra foi escrito em pouco menos de oito semanas.

O primeiro movimento se inicia com uma introdução de caráter misterioso que, ao se desenvolver, alterna passagens austeras para os metais — talvez chamados para a eterna luta do povo húngaro — com episódios de profundo lirismo, expressões da nostalgia de Bartók pela terra natal.

O segundo movimento (também chamado Jogo de Pares) consiste em uma sequência de partes independentes em que os instrumentos de sopro se apresentam aos pares, começando pelos fagotes, seguidos pelos oboés, clarinetes, flautas e trompetes com surdina.

A elegia central empresta o material temático do início do primeiro movimento. O clima é de um canto fúnebre sombrio.

No movimento seguinte, Bartók declara o amor pela pátria em uma serenata delicada, interrompida de súbito por um tema que ridiculariza a marcha inicial da Sinfonia nº 7, Leningrado, de Shostakovich, que Bartók ouvira pelo rádio no leito do hospital (e que será tocada pela Osesp mais adiante nesta temporada).

O Finale é uma mescla exuberante de temas folclóricos recolhidos por Bartók em viagens pela Hungria, Transilvânia e Eslováquia durante a juventude, período em que registrou e transcreveu milhares de canções de camponeses, fazendo dele um dos fundadores da moderna etnomusicologia.


Na apresentação que ele próprio escreveu para o programa de estreia do Concerto, Bartók diz que “a atmosfera geral da obra representa — à exceção da jocosidade do segundo movimento — uma transição gradativa do início e da canção lúgubre do terceiro movimento para a afirmação final da vida em um paroxismo de danças em que todos os povos do mundo se dariam as mãos”.
Paulo Schiller é psicanalista e tradutor, autor de A Vertigem da Imortalidade (Companhia das Letras, 2000).





PROGRAMA
Jean SIBELIUS [1865-1957]
Concerto Para Violino em Ré Menor, Op.47 [1903-04]
- Allegro Moderato
- Adagio di Molto
- Allegro ma Non Tanto
31 MIN

Béla BARTÓK [1881-1945]
Concerto Para Orquestra [1943]
- Introduzione (Introdução)
- Giuoco Delle Copie (Jogo de Pares)
- Elegia
- Intermezzo Interrotto (Intermezzo Interrompido)
- Finale
37 MIN


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