Temporada Osesp: Guerrero e Brasil Guitar Duo
Giancarlo Guerrero por David Bailey
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
14 jun 12 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
15 jun 12 sexta-feira 21h00
Sapucaia
16 jun 12 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 14/JUN/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 15/JUN/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 16/JUN/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Giancarlo Guerrero regente
Brasil Guitar Duo
Programa
Gioacchino ROSSINI
Guilherme Tell: Abertura
Paulo BELLINATI
Concerto Para Dois Violões e Orquestra [estreia mundial]
Ottorino RESPIGHI
As Fontes de Roma
Belkis, A Rainha de Sabá: Suíte
Bis solistas
quinta, sexta e sábado
Paulo BELINATI
Bom Partido


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

O violão sempre foi um instrumento prejudicado em termos de intensidade sonora, mesmo com sistemas de amplificação e microfones que o “ajudam” a ser ouvido no meio da massa orquestral. Nesse concerto, em que homenageio a música caipira paulista, cuidei para que todos os momentos importantes dos solistas tivessem orquestrações muito leves, adaptando-se à delicadeza do violão. Isso deu à obra uma amplitude dinâmica muito acentuada: dos harmônicos suaves dos violões aos tutti orquestrais.

O primeiro movimento, “Toada”, traz um diálogo entre os violões, que se alternam como um improviso sobre a harmonia. O segundo, “Moda de Viola”, é um adágio que começa pela orquestra. As madeiras e a harpa apresentam o refrão que antecede o tema das cordas, com contracanto do dueto de oboé e corne inglês. A brincadeira de pergunta e resposta é muito solicitada em um duo instrumental, e a música caipira é completamente baseada nesse “pingue-pongue”. Procurei passar isso para a orquestra. Tudo emoldurado pela atmosfera do interior, dos serões, dos cantadores e suas violas. “Ponteado”, o terceiro movimento, traz andamento vivo e os violões em “duelo”, como as violas caipiras. O segundo violão apresenta a ideia do ponteado “perpétuo” e desafia o primeiro para o embate. Os dois “ponteiam” em um crescendo e convidam toda a orquestra para a festa.

Paulo Bellinati





Seis anos após se estabelecer definitivamente em Paris, Gioacchino Rossini estreou Guilherme Tell, a última de suas 39 óperas. Baseada na peça homônima de Schiller, que narrava, em chave romântica, a história do famoso patriota suíço, foi encenada pela primeira vez na noite de 3 de agosto de 1829, na Ópera de Paris. Embora composta pelo último dos classicistas italianos, Tell já indica claramente o caminho do romantismo, com soluções tão avançadas em sua partitura que seria preciso esperar até 1867 para que sua linguagem fosse retomada a contento em Don Carlos, de Verdi. Até hoje, Guilherme Tell é muito mais reverenciada do que compreendida: não é ópera de grandes multidões. Bem acolhida pela crítica, não suscitou grandes manifestações por parte do público, que a recebeu com aplausos apenas educados e formais.

Condicionados pelo estilo da grand-opéra de Meyerbeer — tão luxuoso e brilhante quanto medíocre e sem real conteúdo —, aqueles espectadores não compreenderam a modernidade e a ousadia da partitura. A morna recepção de Tell certamente contribuiu para que Rossini, aos 37 anos, deixasse de compor para o palco lírico, embora continuasse a ser, nas três décadas seguintes, figura proeminente no mundo musical europeu. Para uma ópera cujos desafios vocais exigem técnica impecável de seus intérpretes, não deixa de ser curioso que seu trecho mais famoso não seja cantado, e sim sinfônico. A longa e bela “Abertura” de Tell separou-se, com os anos, do resto da ópera, alçou voos independentes e, hoje, integra o repertório padrão das orquestras.
                         
A primeira das quatro seções em que se divide é pura música de câmara, escrita para um quinteto de violoncelos, e, segundo Berlioz, evoca “a calma da profunda solidão, o solene silêncio da natureza quando os elementos e as paixões humanas descansam”. A segunda seção, um allegro, retoma, pela última vez, uma das mais caras tradições orquestrais rossinianas, presente em muitas de suas óperas: a descrição da fúria da tempestade. Depois dela, na terceira parte, vem a bonança, com o corne inglês e a flauta emulando, bucolicamente, o estilo pastoral suíço conhecido como ranz des vaches. A seção final, introduzida por uma fanfarra de trompetes, é um galope impregnado da característica alegria rossiniana. Durante a década de 1960, esta cavalgada ficou célebre ao ser usada como anúncio musical de um famoso seriado de faroeste da TV americana, The Lone Ranger, heroi mascarado que, sempre acompanhado pelo fiel índio Tonto, era conhecido, em nossas paragens, como Zorro.

Em 1913, Ottorino Respighi venceu um concurso e assumiu a cátedra de composição no Conservatório de Santa Cecília, fixando então residência em Roma, onde morou até o final de seus dias. Apaixonado pela cidade, Respighi dedicou-lhe três poemas sinfônicos: As Fontes de Roma (1916), Os Pinheiros de Roma (1923) e Festas Romanas (1928). O primeiro deles representa um ponto de inflexão em sua carreira, com uma nova visão da música sinfônica que reflete seu amadurecimento como compositor e orquestrador.

Originalmente, Arturo Toscanini deveria reger a estreia em Milão, ainda em 1916. Mas, para o mesmo concerto, o legendário maestro selecionara alguns trechos de Wagner, de modo que Respighi vetou a execução de sua música, pois a Itália estava em guerra com a Alemanha. Assim, a nova composição de Respighi teve de esperar silenciosa até 11 de março de 1917, quando o maestro Antonio Guarnieri a regeu no Teatro Augusteo de Roma. A estreia não foi bem-sucedida, mas, em 1918 — quando, finalmente, Toscanini o apresentou em Milão —, o poema sinfônico obteve um êxito extraordinário, tornando seu autor muito famoso.

A peça é dividida em quatro partes, cada uma dedicada a uma das tantas fontes de Roma, durante um momento do dia. O primeiro movimento, “A Fonte do Vale Giulia ao Amanhecer”, tem caráter pastoral, com os pássaros representados pelos primeiros violinos e o suave gotejar da fonte pelos segundos, enquanto as ovelhas se escondem no nevoeiro das primeiras horas do dia ao som do oboé e do clarinete. Segue-se “A Fonte do Tritão de Manhã”: náiades e tritões, figuras alegóricas da fonte barroca criada por Bernini, dançam iluminadas pela luz da manhã, enquanto as trompas simbolizam o som da concha soprada pela divindade marinha nela representada.

A terceira parte é dedicada à mais conhecida das fontes romanas: “La Fontana di Trevi”. É introduzida por um tema solene que passa das madeiras aos metais e se transforma numa fanfarra, celebrando o triunfo de Netuno, cuja carruagem puxada por cavalos marinhos é seguida por um cortejo de sereias e tritões. O último movimento, de caráter triste e nostálgico, é “A Fonte da Villa Médici ao Pôr do Sol”. Enquanto a luz do sol vai vagarosamente desaparecendo, os sons da natureza se misturam ao constante gotejar da água da fonte, cujos tênues sons são representados pela combinação da harpa e da celesta, enquanto, ao mesmo tempo, flautas e corne inglês constroem um ambiente melancólico. Após um longínquo sino, o farfalhar das folhas e o canto dos pássaros se fazem sentir por meio dos trinados dos violinos e dos breves motivos nos sopros.

Belkis, Rainha de Sabá é o último dos onze balés compostos por Respighi. Estreou no Teatro Alla Scala de Milão em 23 de janeiro de 1932, com enorme sucesso. Para narrar musicalmente a história do encontro entre Salomão e a Rainha de Sabá, Respighi usou melodias características de antigas canções hebraicas e as misturou à tradição de ritmos árabes, utilizando uma vasta gama de instrumentos nativos de percussão. Dois anos depois, a partir do balé, Respighi criou uma suíte em quatro movimentos.

O primeiro, “O Sonho de Salomão”, vem da cena do balé passada no harém de Salomão, em Jerusalém. O meditativo prelúdio, cujas tapeçarias sonoras de caráter oriental descrevem a solidão do rei, é seguido por uma marcha solene executada pelos metais graves. Após um delicado solo de violoncelo que evoca antigos cantos hebraicos, as cordas, em uníssono, cantam uma melodia de amor que descreve o primeiro encontro entre Belkis e Salomão.

O segundo movimento, “A Dança de Belkis no Crepúsculo”, é assinalada pelo ritmo irregular e lânguido de um tambor árabe. Sua música, sensual e envolvente, sublinha um solo da Rainha de Sabá carregado de erotismo. Ela desperta de um sono profundo e, erguendo languidamente as mãos para saudar a luz, dança descalça em honra do sol nascente. A terceira parte, “Dança de Guerra”, tem origem em duas cenas distintas do balé e se inspira na percussão de “tambores de guerra grandes e pequenos”, conforme indicado pelo próprio compositor.

O último movimento é a “Dança Orgíaca”, que assinala a união de Salomão e Belkis. Provém do final do balé, quando uma quantidade enorme de bailarinos representando soldados e escravas de todas as raças entregam-se a uma orgia desenfreada de dança no palácio real de Salomão. Quando a música atinge o máximo de seu furor, aparecem em cena dois tronos, sobre os quais estão sentados o rei e a rainha enamorados, imóveis como estátuas.

Sergio Casoy é autor de Ópera em São Paulo: 1952-2005 (Edusp, 2007).



PROGRAMA

Gioacchino ROSSINI [1792-1868]
Guilherme Tell: Abertura
12 MIN

Paulo BELLINATI [1950]
Concerto Para Dois Violões e Orquestra [encomenda Osesp. estreia mundial] [2012]
- Toada - Andante, Quasi Andantino
- Moda de Viola - Adagio
- Ponteado-Vivo
18 MIN

Ottorino RESPIGHI [1879-1936]
As Fontes de Roma [1916]
- La Fontana di valle giuliua all’alba (Attacca) / (A Fonte do vale giulia ao Amanhecer)
- La Fontana del tritone al mattino (Attacca) / (A Fonte do tritão de manhã)
- La Fontana di trevi al meriggio (Attacca) / (A Fonte de trevi ao meio-Dia)
- La Fontana di villa medici al tramonto / (A Fonte da villa médici ao Pôr do sol)
15 MIN

Belkis, A Rainha de Sabá: Suíte [1931]
- O sonho de Salomão
- A Dança de Belkis ao Crepúsculo
- Dança de Guerra
- Dança Orgíaca
24 MIN


LER +