Temporada Osesp: Antunes rege MacMillan e Haydn
Celso Antunes por Marco Borggreve
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
24 ago 12 sexta-feira 21h00
Paineira
25 ago 12 sábado 16h30
Imbuia
26 ago 12 domingo 17h00
Carnaúba
SEXTA-FEIRA 24/AGO/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 25/AGO/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
DOMINGO 26/AGO/2012 17h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Celso Antunes regente
Juanita Lascarro soprano
Lucia Duchonová mezzo soprano
Marcos Thadeu tenor
Christopher Purves barítono
Coro da Osesp
Programa
Joseph HAYDN
Sinfonia nº 52 em dó menor
James MACMILLAN
O Exorcismo do Rio Sumpul
Joseph HAYDN
Missa em Dó Maior, Hob.XXII: 9 - Missa in Tempore Belli

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Não se sabe quando Joseph Haydn compôs a Sinfonia nª 52 em Dó Menor. Mas é certo que isso se deu nos primeiros anos da década de 1770. A obra reflete a tendência protorromântica do movimento Sturm und Drang (“Tempestade e Ímpeto”), marcante, sobretudo, na música e na literatura dessa década.
O Sturm und Drang expressa predileção pelos contrastes dramáticos, pelo modo menor, pelas linhas angulosas em uníssonos e pela intensificação expressiva. Influencia também a produção de Mozart do período (a exemplo da Sinfonia nº 25) e, por intermédio dela e da de Haydn, obras posteriores de Beethoven (como a Sinfonia nº 5). Essa influência não pode ser dissociada de um pendor de exploração musical a transformar o classicismo, a repelir uma compreensão estática dele. Pendor que tem na Sinfonia nº 52, mais do que um representante, um agente.
Haydn é um compositor de cuidadosas surpresas, e seguir uma obra dessas é algo que, a cada escuta, revela um pouco mais. Chama a atenção, no movimento de abertura, o contraste quase humorístico entre os dois temas principais, tão antagônicos. O contraponto do desenvolvimento torna surpreendente o início em uníssono da verdadeira recapitulação, pouco depois de uma falsa reprise em tonalidade “errada”.
O segundo movimento, apesar de construído em forma-sonata como seu antecessor, reduz as oposições entre suas melodias por meio de figurações a elas comuns. Nele, Haydn recorre ao recurso simples, mas, em suas mãos, irresistivelmente eloquente, de reexpor o primeiro tema com ênfase inédita e imprevisível, garantida pelos oboés, pelo fagote e pelas trompas. Esses instrumentos antecipam a própria importância que adiante terão no “Menuetto e Trio” — que por sua vez parece remeter ao movimento anterior. De maneira comparável, os saltos inaugurais da terceira parte da obra aludem ao “Allegro Assai Con Brio” inicial.
O “Finale” também se volta ao segmento de abertura. Além de recuperar, ainda que não de imediato, algo da urgência e do vigor que o caracterizam, traz um primeiro tema que se aproxima, mais pela instabilidade de seus saltos que pelo feitio expressivo, do começo da sinfonia. No entanto, o presto final em parte reduz os contrastes melódicos que a princípio são a marca mais intensa da obra. Os antagonismos viram agora confronto entre massas sonoras distintas.

Haydn escreveria uma carta autobiográfica em 1776. No texto, ao tratar de sua lendária facilidade artística, lembraria com manifesta devoção o contato que tivera, ainda criança, com o gênero musical da missa: “Nosso Pai Todo-poderoso concedeu-me tamanha aptidão que, com apenas seis anos, eu cantava missas no coro da igreja audaciosamente, como um adulto”.
Em 1796, aos 64 anos, então mestre indisputável também nesse gênero, criaria a Missa in Tempore Belli — “Em Tempos de Guerra”. Terminada em agosto, a composição situa-se no momento em que parte da Primeira Coalizão dos inimigos da Revolução Francesa recuava, e as forças militares da Áustria de Haydn eram, diante das vitórias de Napoleão, empurradas para o sul.
Também chamada de “Missa do Tímpano”, a obra dá a esse instrumento relevância impossível de ignorar, uma verdadeira demonstração da congruência de meios e fins expressivos. A sonoridade do tímpano, afinal, volta-se para os tempos de guerra de forma até mesmo evocativa; remonta, mais ainda quando em associação com o trompete, a uma tradição europeia de música marcial já consolidada nas Cruzadas.
Não é exagero afirmar que a história do tímpano, ou pelo menos a de seu repertório, teria sido outra sem algumas das tantas linhas que Haydn lhe escreveu. Na Missa, a despeito da presença recorrente do instrumento, sua participação obstinada na primeira tensão harmônica do “Kyrie” e, principalmente, seu solo no “Agnus Dei” dão a dimensão imediata dessa afirmação.
Algo que não raro se faz perceber na música dos tempos de guerra é a referência a uma espécie de clareira da plena paz. Veja-se aqui o solo vocal e a linha do violoncelo de “Qui Tollis Peccata Mundi” (do “Gloria”); graças a eles, para o tempo, paira a eternidade. Tampouco o caráter contemplativo de “Et Incarnatus Est” (Credo) e a exultação em “Hosanna in Excelsis” (Sanctus) alimentam ideia alguma de conflito, musical ou extramusical. Nessa missa, mais do que a mera referência aos tempos de paz, quem sabe possamos ver, diante da força maior da reordenação dos contrastes — temática profunda de sua arte — a promessa desses tempos.

Daniel Bento é pós-doutor em Música, doutor em Comunicação e Semiótica e autor de A Nona Sinfonia e Seu Duplo (Editora Unesp, 2010) e Beethoven, o Princípio da Modernidade (Annablume/Fapesp, 2002).





JOSEPH HAYDN [1732-1809]
Sinfonia nº 52 em Dó Menor [1771-2]
- Allegro Assai Con Brio
- Andante
- Menuetto e Trio. Allegretto
- Finale. Presto
20 MIN

JAMES MACMILLAN [1959]
O Exorcismo do Rio Sumpul [1989]
- Assault (Ofensiva)
- Reflection (Reflexão)
- Exorcism (Exorcismo)
25 MIN

JOSEPH HAYDN [1732-1809]
Missa em Dó Maior, Hob.XXII: 9 - Missa in Tempore Belli [1796]
- Kyrie
- Gloria
- Credo
- Sanctus
- Benedictus
- Agnus Dei
45 MIN


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