Temporada Osesp: Rizzi e Schiff
Carlo Rizzi
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
30 ago 12 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
31 ago 12 sexta-feira 21h00
Sapucaia
01 set 12 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 30/AGO/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 31/AGO/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 01/SET/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Carlo Rizzi regente
András Schiff piano
Programa
Luciano BERIO
Quattro Versioni Originali Della Ritirata Notturna di Madrid di Luigi Boccherini
Ludwig van BEETHOVEN
Concerto nº 1 Para Piano em Dó Maior, Op.15
Robert SCHUMANN
Sinfonia nº 4 em Ré Menor, Op.120
Bis
quinta
Franz SCHUBERT
Impromptu, Op. 90 nº 2 (D.899/2) em Mi Bemol Maior
 
sexta
Johannes BRAHMS
Intermezzo Op. 117 nº 1 em Mi Bemol Maior
 
sábado
Johann Sebastian BACH
Concerto Italiano, BWV 971: Excertos

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa
Em 1780, Luigi Boccherini (1743-1805) compôs um delicioso quintettino para cordas em Dó Maior, intitulado La Musica Notturna Delle Strade di Madrid Op.30 nº 6. O último de seus sete movimentos chama-se “Ritirata” e leva a indicação “Maestoso”. Desse movimento, Boccherini realizou ao menos quatro arranjos instrumentais, dentre os quais um quinteto com violão e um quinteto com piano.
Ao receber em 1975 um convite para abrir com uma breve composição a temporada do La Scala de Milão, Luciano Berio optou por uma superposição dessas diferentes versões, a que deu o nome de Quattro Versioni Originali Della Ritirata Notturna di Madrid. Típica do gosto de Berio pela estratificação, a peça conserva praticamente inalterada a composição de Boccherini. O tema de grande simplicidade vai ganhando maior plenitude orquestral à medida que é obstinadamente reexposto, o que lhe confere um caráter concêntrico, não talvez sem evocar, com humor, o Bolero, de Ravel.

Como é bem sabido, o Concerto nº 1 Para Piano em Dó Maior Op.15, de Ludwig van Beethoven, é o primeiro na ordem cronológica de publicação, mas não na da criação, já que Beethoven havia composto antes dele dois outros: em 1784, aos quatorze anos, um concerto em Mi Bemol Maior sem número de opus, do qual subsiste apenas a parte do piano com indicações orquestrais; e, entre 1788 e 1801, o Concerto em Si Bemol Maior, publicado no mesmo ano, em Leipzig, vale dizer, o Concerto nº 2 Op.19. Este último não goza da melhor estima de Beethoven, que pede a seu editor uma soma modesta por ele: “Pelo concerto, pretendo apenas dez ducados [vienenses], porque, como já lhe escrevi, não o considero um dos melhores” (carta de 15 de janeiro de 1801). O que permite supor que tivesse em melhor conta seu Concerto Op.15, que ele compusera em 1795, revisara várias vezes até 1800 e estava publicando também em 1801, mas pela Casa Mollo de Viena.

Outras circunstâncias confirmam seu maior apreço por este Op.15. Ele o escolhe como o concerto que deve confirmá-lo em Viena (concertos brilhantes abriam as portas para o sucesso), publica-o nesta que é sua cidade de adoção e investe enormemente em sua cadenza para o primeiro movimento (“Allegro Com Brio”), como o demonstram diversos esboços.
Dedica-o, enfim, à princesa Barbara Odescalchi, nascida condessa Von Klegevics, personagem ligada por laços de família à direção do imperial Theater AM Kärntnertor, de Viena, sua aluna de piano e com quem o compositor mantém uma relação próxima, haja visto dedicar-lhe também nesses mesmos anos sua majestosa Sonata Para Piano nº 4 em Mi Bemol Maior Op.7 (1797), suas Dez Variações Sobre “La Stessa, la Stessissima”, do Falstaff de Salieri WoO 73 (1799), e suas Seis Variações Para Piano Sobre um Tema Original em Fá Maior Op.34 (1802).
A primeira apresentação pública de Beethoven em Viena, em 1795, no Burgtheater, deu-se com uma primeira versão desse concerto. Seu amigo e biógrafo Franz Wegeler relata que Beethoven compôs o terceiro movimento, “Rondo: Allegro Scherzando”, apenas dois dias antes da apresentação, sentindo-se indisposto, e no ensaio da véspera teve de tocar sua parte em Dó Sustenido, pois o piano estava afinado um semitom abaixo...

Para muitos dos compositores nascidos no decênio entre 1803 e 1813, como é o caso de Berlioz, Mendelssohn, Liszt, Chopin, Glinka, Verdi, Wagner e Schumann, afirmar sua própria poética pressupunha posicionar-se em relação ao grande divisor de águas que era Beethoven. O problema não se colocava de modo tão crítico para artistas como Verdi, Glinka e Chopin, que não se mediam pela grande tradição alemã, tradição na qual, desde Haydn e Mozart, a sinfonia ocupava o centro de gravidade da forma musical. Mas, para os demais, era necessário, cedo ou tarde, escalar a cordilheira de sinfonias legadas por Beethoven entre a Eroica (1803) e a Nona (1824); era necessário, em suma, pensar orquestralmente e ousar, depois de Beethoven, exprimir-se na forma sinfônica.
O caso de Robert Schumann é o mais dramático a esse respeito. Suas primeiras incursões na sinfonia datam de 1832, quando compõe dois movimentos de uma Sinfonia em Sol Menor WoO 29. De imediata derivação beethoveniana, eles são ainda, segundo uma opinião comum, música para piano em veste orquestral. Por quase dez anos, ao longo dos quais seu gênio cria algumas das mais belas obras-primas da literatura pianística, Schumann evitará um novo confronto com o corpus sinfônico beethoveniano.
Então, em 1841, virá o annus mirabilis. Um ano depois de seu casamento com Clara, que o encoraja a se lançar como um compositor capaz de transcender o piano e o Lied, Schumann escreve nada menos que sua Sinfonia nº 1 Op.38 (Frühlingssinfonie), o esboço de uma Sinfonia em Dó Menor (inacabada), a Ouverture, Scherzo und Finale Op.52, a Fantasia Para Piano e Orquestra (convertida em seguida no primeiro movimento do Concerto Para Piano em Lá Menor Op.54) e, enfim, a primeira versão da Sinfonia nº 4.
Sua première, executada na Gewandhaus de Leipzig em dezembro desse ano, não suscita, contudo, maior interesse, o que leva Schumann a retirá-la de circulação. Dez anos depois, transcreve-a para piano e, em seguida, orquestra-a de novo inteiramente, reforçando o material temático com duplicação dos arcos em oitava e dos sopros.
Pensa inicialmente chamá-la Fantasia Sinfônica (Symphonische Phantasie), pois, como então escreve, “nada produz tão facilmente desapontamento e oposição quanto uma nova forma que traga um velho nome”. Uma das diretrizes dessa nova versão é a ênfase em seu caráter cíclico, manifesto no continuum entre os movimentos (tocados sem pausa entre eles) e no fato de o último movimento retomar temas do primeiro.
Nessa forma intermediária entre a sinfonia e o poema sinfônico, Schumann a relança em 30 de dezembro de 1852, à frente da Orquestra de Düsseldorf, em uma de suas últimas apresentações como regente titular. Ela será também seu último grande sucesso de público. Prestes a sucumbir ao colapso definitivo de sua saúde mental, há muito declinante, tem ainda tempo de proclamar ao mundo, em sua revista Neue Zeitschrift für Musik, um novo ápice da música alemã no gênio de Brahms (1833-97) que, em setembro de 1853, bate à porta de sua casa.

Luiz Marques é professor do Departamento de História da Unicamp e coordenador do Mare – Museu de Arte Para a Pesquisa e a Educação (www.mare.art.br).




LUCIANO BERIO [1925-2003]
Quattro Versioni Originali Della Ritirata Notturna
di Madrid di Luigi Boccherini
[1975]
(Quatro Versões Originais da Retirada Noturna de Madri de Luigi Boccherini)
8 MIN

LUDWIG VAN BEETHOVEN [1770-1827]
Concerto nº 1 Para Piano em Dó Maior, Op.15 [1795-8]
- Allegro Con Brio
- Largo
- Rondo: Allegro Scherzando
36 MIN

ROBERT SCHUMANN [1810-56]
Sinfonia nº 4 em Ré Menor, Op.120 [1851-2]
- Ziemlich Langsam, lebhaft (muito lento, vivo) [Attacca]
- Romanze: Ziemlich langsam (muito lento) [Attacca]
- Scherzo: Lebhaft (vivo) [Attacca]
- Lebhaft (vivo)
28 MIN

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