Temporada Osesp: Alsop e Hahn
Marin Alsop por Alessandra Fratus
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
06 set 12 quinta-feira 21h00
Carnaúba
07 set 12 sexta-feira 21h00
Paineira
08 set 12 sábado 16h30
Imbuia
QUINTA-FEIRA 06/SET/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 07/SET/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 08/SET/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Hilary Hahn violino
Programa
Samuel BARBER
Adagio Para Cordas, Op.11
Sergei PROKOFIEV
Concerto nº 1 Para Violino em Ré Maior, Op.19
Sergei RACHMANINOV
Sinfonia nº 2 em Mi Menor, Op.27
bis
quinta

Johann Sebastian BACH
Sonata nº 2 em Lá Menor, BWV 1003: Andante Partita nº 3 em Mi Maior, BWV 1006: Gigue
 
sexta
Johann Sebastian BACH
Partita nº 3 em Mi Maior, BWV 1006: Excertos
 
sábado
Johann Sebastian BACH
Partita nº 2 em Ré Menor, BWV 1004: Sarabanda

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

C
erta vez, na condição de tradutor do russo, me pediram ajuda na transliteração dos nomes russos de um livro americano sobre a música de concerto no século XX. Era uma obra com exageradas pretensões panorâmicas. Bastou correr os olhos pelo extenso índice para me admirar com a quantidade de nomes russos: seguramente, mais de um terço, talvez quase metade.
Lembrei-me da surpresa que experimentamos quando nos damos conta da quantidade de escritores russos importantes. A surpresa nos leva a buscar explicações. As teses se reproduzem num estalar de dedos. Como? Por quê? Um país atrasado, pobre. Terra de ursos, como diziam os europeus no século XIX. Os preconceitos acodem com o automatismo próprio a esse pensamento que não pensa.
Desde o século XVIII, pelo menos, a elite russa consolidou a visão de que seu país precisava recuperar um suposto atraso histórico em relação aos países europeus tidos como avançados. A tarefa, árdua no plano das relações concretas, ganhou impulso no terreno simbólico. A vida cultural adquiriu uma dimensão que a literatura e a música apenas indicam.
Mas se as formas artísticas foram simplesmente transplantadas de fora já prontas (o romance, o verso alexandrino, o concerto, a sinfonia, a ópera), não há dúvida de que, na Rússia, aquelas formas passaram a viver em conflito com seu novo ambiente. Pois tratava-se de uma população dotada de tradições elaboradas, ricas, dinâmicas, cujo conteúdo tinha raízes em sua história e em sua geografia. Não à toa, Tolstói escreveu que todos os livros russos relevantes continham profundos desvios de seus modelos europeus.
O próprio Tolstói, numa passagem de Ressurreição, retrata uma visita que o herói faz a um presídio de mulheres. Ele procura o diretor, cuja casa fica dentro do presídio. Através da porta, ouve “o som de uma complicada e buliçosa peça musical, executada num piano”. É a filha do diretor, que estuda um trecho difícil de uma Rapsódia de Liszt: “Maçante, muito bem tocada, mas só até um determinado ponto. Quando chegava a esse ponto, a composição se repetia desde o início até ali, outra vez.”
Além de outros significados mais imediatos no contexto do romance, a cena recapitula a condição da arte europeia, mensageira de uma civilização tida como superior, transposta para a Rússia. O piano, a rapsódia, na casa do diretor: a música indiferente ao que se passa na prisão. A presença de tal conflito — e não propriamente a consciência do conflito — permitiu que as obras dos compositores russos não se prendessem aos padrões europeus, acadêmicos ou modernistas. Assim como sua geografia, seu calendário, enfim, a história da Rússia era outra.
Numa matriz em parte clássica, Prokofiev incorpora o vigor percussivo, o fraseado veloz e cortante das tradições populares, eslavas, ciganas, agrárias, selvagens. Rachmáninov (permitam-me acentuar o nome) adota o impulso melodioso romântico europeu e o exacerba, o dramatiza num grau e numa amplitude que, pelas normas do bom gosto acadêmico ou moderno, não poderia dar certo. Mas o ouvido nos diz outra coisa. Bem diferente. Essa diferença, esse desafio aos modelos e a uma hipotética superioridade é provavelmente o que causa a sensação de querer ouvir mais. De querer ver e ouvir de uma outra perspectiva.

Rubens Figueiredo é tradutor e ficcionista, autor de Passageiro do Fim do Dia (Companhia das Letras, 2010), entre outros livros.




SAMUEL BARBER [1910-81]
Adágio Para Cordas, Op.11 [1936]
8 MIN

SERGEI PROKOFIEV [1891-1953]
Concerto nº 1 Para Violino em Ré Maior, Op.19 [1916-7]
- Andantino
- Scherzo: Vivacissimo
- Moderato - Allegro Moderato - Moderato
22 MIN

SERGEI RACHMANINOV [1873-1943]
Sinfonia nº 2 em Mi Menor, Op.27 [1906-7]
- Largo / Allegro Moderato
- Allegro Molto
- Adagio
- Finale: Allegro Vivace
58 MIN 

LER +
Fundação Osesp
Endereço: Praça Júlio Prestes, nº 16 | CEP 01218 020 | São Paulo-SP
Telefone: (11) 3367 9500