Temporada Osesp: Tortelier e Tharaud
Yan Pascal Tortelier
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
13 set 12 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
14 set 12 sexta-feira 21h00
Sapucaia
15 set 12 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 13/SET/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 14/SET/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 15/SET/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Yan Pascal Tortelier regente
Alexandre Tharaud piano
Programa
Paul HINDEMITH
Neues Vom Tage – Abertura Com Final de Concerto
Wolfgang A. MOZART
Concerto nº 9 Para Piano em Mi Bemol Maior, KV 271 - Jeunehomme
Ludwig van BEETHOVEN
Sinfonia nº 3 em Mi Bemol Maior, Op.55 - Eroica

bis solista
quinta

Johann Sebastian BACH
Solo Concerto nº 3 em Ré Menor, BWV 974 – Adagio [Transcrição do Concerto para Oboé em Ré Menor de Marcello, Alessandro]

sexta

Domenico SCARLATTI
Sonata em Ré Menor, K.9 L.413

sábado
Johann Sebastian BACH
Solo Concerto nº 3 em Ré Menor, BWV 974 – Adagio [Transcrição do Concerto para Oboé em Ré Menor de Marcello, Alessandro]

bis orquestra
domingo

Ludwig van BEETHOVEN 
Sinfonia nº 3, Op. 55 - Scherzo


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa


O Concerto no 9 em Mi Bemol Maior KV 271 Jeunehomme, foi escrito em 1777 em Salzburgo, quando Mozart tinha apenas 21 anos de idade. Apesar de figurar como nono concerto em sua lista oficial, trata-se do décimo segundo escrito por ele.
A história do epíteto “Jeunehomme” é particularmente interessante. Várias obras do repertório de concerto possuem apelidos, como por exemplo a célebre Sonata Para Piano Op.27 nº 2, ou Sonata ao Luar, de Beethoven. Esses, muitas vezes, foram dados por editores, interessados em aumentar a curiosidade em torno de certas peças, com o intuito de ampliar suas vendas. Muitos melômanos podem acreditar que a alcunha do Concerto n° 9, que pode ser traduzida do francês como “jovem”, seja uma referência à pouca idade do compositor quando concebeu a obra. Mas, na realidade, a origem desse nome se encontra em uma carta de Mozart a seu pai, na qual informa que enviaria um concerto, “aquele [escrito] para jenomy”, ao editor. A gramática alemã deixava claro que “jenomy” era uma mulher.
Alguns musicólogos, baseados na falsa premissa de que “ jenomy” seria uma italianização de “ jeunehomme”, deram origem à lenda de que a obra havia sido escrita para um virtuose francês. Em 2003, o musicólogo vienense Michael Lorenz parece ter elucidado o mistério. A Sra. “Jenomy” (1749-1812) era a filha mais velha do bailarino e coreógrafo Jean- Georges Noverre (1727-1810), Louise Victoire, que adotara o sobrenome do marido ao casarse, em 1768, com o abastado comerciante Joseph Jenamy (1747-1819).
Seu pai havia coreografado a ópera Lucio Silla, de Mozart, em 1772, e encomendado a música para o balé Les Petis Riens, estreado em 1778. Não há referências que indiquem que Louise Jenamy tenha sido, de fato, uma pianista profissional. Mas a julgar pela obra composta, pode-se supor que Mozart admirava suas qualidades como intérprete.

Este concerto, incrivelmente criativo, subverte várias convenções, e é considerado sua primeira obra-prima, o que sublinha sua já decantada precocidade. Servindo-se habilmente de uma pequena orquestra (apenas dois oboés e duas trompas, além das cordas), Mozart constrói um discurso em que solista e orquestra dialogam em perfeita simbiose.
O primeiro movimento, um “Allegro” repleto de otimismo, inicia-se com o que parece ser uma longa e tradicional introdução a cargo da orquestra. Mas, já no segundo compasso, contrariando o que se poderia esperar, o solista intervém, audaciosamente, pontuando o discurso orquestral e deixando claro que, ao longo desse movimento, solista e orquestra se provocarão mutuamente, sempre de forma amigável.
Isso pode ser novamente percebido na intervenção seguinte do piano, em que um longo trinado chama a atenção para o solista antes de a orquestra encerrar sua parte. Foi necessário esperar 29 anos até que outro compositor ousasse fazer com que o solista inicie sua participação de forma tão inusitada em uma peça para piano e orquestra: Beethoven, com seu Concerto Para Piano nº 4.
A alegria do movimento inicial contrasta com a atmosfera de lamento que se depreende da parte central, um “Andantino” na tonalidade relativa: Dó Menor. A mudança de atmosfera remete à maestria do compositor em evocar uma ampla gama de sentimentos em suas obras instrumentais, as quais — justamente pela capacidade de personificar as mais diversas emoções — são comparáveis às suas óperas.
O terceiro movimento é um “Rondo: Presto”, no qual o divertido e virtuosístico refrão é apresentado pelo piano sem o acompanhamento da orquestra. Novamente, Mozart se mostra inovador ao inserir um elegante minueto no centro desse movimento, tornando-o mais lento. Esse recurso, que tem como objetivo provável o aumento da densidade musical da parte final, se repetirá nos concertos n° 13 KV 415, e n° 22 KV 482, este também em Mi Bemol Maior.

Eduardo Monteiro é pianista e professor na ECA-USP.



Caros amigos,

O ano de 2013 marca os 50 anos da morte de um dos maiores compositores do século XX: Paul Hindemith. Tive o privilégio, ainda criança, de tocar para ele excertos de seu Ludus Tonalis e meu pai (que também conhecera Stravinsky!) tocou sob sua regência seu magnífico Concerto Para Violoncelo no início da década de 1960.
Os Torteliers temos tamanha admiração por Paul Hindemith que, numa carta escrita para ele, em que meu pai se desculpa por incomodá-lo “em nome da música”, era possível encontrar meu próprio nome grafado com letra infantil: eu assinara com o restante da família...
Nos mesmos arquivos do Hindemith Institut de Frankfurt encontrei também uma bela carta de Villa-Lobos. Muitos grandes músicos, como minha famosa professora Nadia Boulanger, sempre consideraram Hindemith um dos mais importantes representantes da música moderna e um dos maiores contrapontistas de todos os tempos.
Por esse motivo, estou tão feliz em apresentar na Sala São Paulo a abertura de uma ópera ao mesmo tempo original e divertida: Neues vom Tage [Notícias do dia] (paródia musical em torno dos tabloides da década de 1920).

Até breve,
                 Yan Pascal Tortelier
                 Tradução de Ivone Benedetti



PAUL HINDEMITH [1895-1963]
Neues vom Tage - Abertura Com Final de Concerto [1930]
7 MIN

WOLFGANG A. MOZART [1756-91]
Concerto nº 9 Para Piano em Mi Bemol Maior, KV 271 - Jeunehomme [1777]
- Allegro
- Andantino
- Rondo: Presto [Alla Breve]
35 MIN

LUDWIG VAN BEETHOVEN [1770-1827]
Sinfonia nº 3 em Mi Bemol Maior, Op.55 - Eroica [1802-4]
- Allegro Con Brio
- Marcia Fúnebre - Adagio Assai
- Scherzo: Allegro Vivace
- Allegro Molto
47 MIN

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