Temporada Osesp: Lawrence Renes e Pires
Lawrence Renes
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
04 out 12 quinta-feira 21h00
Jacarandá
05 out 12 sexta-feira 21h00
Pequiá
06 out 12 sábado 16h30
Ipê
QUINTA-FEIRA 04/OUT/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 05/OUT/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 06/OUT/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Lawrence Renes regente
Maria João Pires piano
Programa
Wolfgang A. MOZART
Concerto nº 17 Para Piano em Sol Maior, KV 453
Dmitri SHOSTAKOVICH
Sinfonia nº 8 em Dó Menor, Op.65
bis solista
quinta

Franz SCHUBERT 
Improviso D.935 Op.Post. 142 nº 2 em Lá Bemol Maior
 
sexta
Johannes BRAHMS

Intermezzo nº 2 Op.117 em Si Bemol Menor
 
sábado
Johannes BRAHMS

Intermezzo nº 1 Op.117 em Mi Bemol Maior

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

A Sinfonia nº8 em Dó Menor, de Shostakovich, estreou em 4 novembro de 1943, com a Orquestra Sinfônica da União Soviética, sob regência de Evgeny Mravinsky, a quem a obra foi dedicada. Naquela noite, comemorava-se o 25º aniversário da Revolução de 1917; e a peça não foi bem recebida.
Seu tom sombrio, e em particular a falta de uma conclusão otimista, a tornavam pouco útil como propaganda, em casa ou no exterior. O governo respondeu conferindo a ela o subtítulo Sinfonia de Stalingrado, com o objetivo de transformá-la em memorial aos mortos na famosa batalha. Apesar disso, em 1948, foi banida pelo Comitê Central do Partido Comunista, que só autorizou sua volta aos palcos oito anos mais tarde, em 1956, quando foi reabilitada em performance da Orquestra Filarmônica de Moscou.
A peça tem cinco movimentos. O primeiro, “Adagio”, responde por quase metade de sua duração. Em seguida, vem o que o crítico Daniel Zhitomirsky chamou “as três marchas”: a heroica, a scherzo e a fúnebre. O movimento final, surpreendentemente curto e discreto, é em grande parte responsável pelas reservas com que a obra foi recebida. A sinfonia não aparece com frequência nos programas de concerto, ainda que muitos pesquisadores a considerem entre as melhores do compositor. Segundo seu amigo Isaak Glikman, a peça é a “mais trágica” de toda a obra de Shostakovich.
Anônimo



Escutei tanta bobagem sobre a Sinfonia nº 7 e a Sinfonia nº 8. É impressionante quanto tempo duram essas tolices. Às vezes, fico espantado com quanta preguiça as pessoas têm quando se trata de pensar. Tudo que foi escrito sobre essas sinfonias nos primeiros dias é repetido sem alterações até hoje [início dos anos 1970], mesmo com todo o tempo que houve para reflexão. Afinal, a guerra terminou há muito tempo, trinta anos.
Claro que acho o fascismo algo repugnante, mas não apenas o fascismo alemão: qualquer uma de suas formas me é repugnante. Hoje em dia, as pessoas gostam de lembrar do período antes da guerra como uma época idílica, dizendo que tudo estava bem até Hitler nos incomodar. Hitler era um criminoso, isso é claro, mas o mesmo vale para Stálin. Sinto uma dor eterna por todos que foram mortos por Hitler, mas não me sinto menos mal pelos que foram mortos por ordens de Stálin. Sofro por todos que foram torturados, fuzilados ou morreram de fome. Havia milhões deles em nosso país antes da guerra contra Hitler começar.
A guerra trouxe muito pesar e muitas destruições novas, mas não me esqueci dos terríveis anos antes da guerra. É disso que todas as minhas sinfonias, a começar pela Quarta, tratam — incluindo a Sétima e a Oitava.
Para falar a verdade, não tenho nada contra chamar a Sinfonia nº 7 de Leningrado, mas ela não trata da Leningrado sitiada, e sim da Leningrado destruída por Stálin, em que Hitler apenas deu o golpe final.
Grande parte das minhas sinfonias são lápides. Muitos de nosso povo morreram e foram enterrados em lugares desconhecidos por todos, até mesmo por seus parentes. Aconteceu com muitos amigos meus. Onde podem ser colocadas as lápides de Meyerhold ou Tukhachevsky? Apenas a música pode fazer isso por eles. Estou disposto a compor uma obra para cada uma das vítimas, mas isso é impossível, e é por essa razão que dedico minha música a todas.
Penso sempre naquelas pessoas, e em quase todos os trabalhos de grande porte que componho busco fazer com que outros se lembrem delas. As condições dos anos de guerra contribuíram com isso, pois as autoridades se tornaram menos restritivas com a música e não se importavam se fosse sombria demais. E depois toda a miséria foi atribuída à guerra, como se as pessoas tivessem sido torturadas e mortas apenas durante os anos de combate militar. É nesse sentido que a Sétima e a Oitava são “sinfonias de guerra”.
Dmitri Shostakovich, em Solomon volkov, Testimony - The Memoirs of Dmitri Shostakovich (Limelight Editions, 2004). Tradução de André Fiker .




WOLFGANG A. MOZART [1756-91]
Concerto nº 17 Para Piano em Sol Maior, KV 453 [1784]
- Allegro
- Andante
- Allegretto
30 MIN

DMITRI SHOSTAKOVICH [1906-75]
Sinfonia nº 8 em Dó Menor, Op.65 [1943]
- Adagio / Allegro / Adagio
- Allegretto
- Allegro Non Troppo [Attacca]
- Largo [Attacca]
- Allegretto / Adagio
61 MIN

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