Temporada Osesp: Langrée e Bavouzet
Louis Langrée por B. Ealovega
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
18 out 12 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
19 out 12 sexta-feira 21h00
Sapucaia
20 out 12 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 18/OUT/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SEXTA-FEIRA 19/OUT/2012 21h00
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
SÁBADO 20/OUT/2012 16h30
Entre R$ 44,00 e R$ 149,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Louis Langrée regente
Jean-Efflam Bavouzet piano
Programa
Ludwig van BEETHOVEN
Abertura Coriolano, Op.62
Béla BARTÓK
Concerto nº 3 Para Piano
Hector BERLIOZ
Sinfonia Fantástica, Op.14

bis solista

quinta
Claude DEBUSSY
Prelúdio - Les Collines d’Anacapri: Livro I, nº 5

sexta
Claude DEBUSSY
Prelúdio - La Fille aux Cheveux de Lin: Livro I, nº 8

sábado
Johannes BRAHMS
Dança Húngara nº 11 em Ré Menor


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

A obra do compositor húngaro Béla Bartók vem, nos últimos vinte anos, conquistando os espaços sonoros das salas de concerto assim como as páginas dedicadas à pesquisa e à análise musical. Passadas quase sete décadas de sua morte, determinadas características estilísticas que à época dificultaram a difusão de suas peças são os pontos fortes que vêm alavancando sua inserção como compositor protagonista na invenção musical da primeira metade do século xx, ao lado dos já consagrados Igor Stravinsky (1882-1971) e Arnold Schoenberg (1874-1951). Entre as características “atuais” da escrita de Bartók estão a convivência balanceada de diversos sistemas de composição, em que passagens de alta densidade cromática aparecem conjugadas com procedimentos polimodais, em uma abordagem que não abandona a prerrogativa do estabelecimento contundente de centros gravitacionais. À medida que a balança das técnicas empregadas por Bartók pende para um lado ou para outro, as sensações experimentadas pelos ouvintes também variam em nuances no decorrer da escuta.
 Seu terceiro e último concerto para piano, escrito no exílio nos Estados Unidos, é um exemplo dessa maturidade composicional. Pensando em sua esposa, a pianista Ditta Pásztory, como provável intérprete para a estreia, Bartók esquematizou a peça de modo a fazer com que o “Adagio Religioso” (segundo movimento) funcionasse tanto como seu (delicado) ponto culminante quanto como seu núcleo estrutural de irradiação do discurso. O diálogo alternado entre cordas em contraponto e a escrita coral do piano, no início desse movimento, ecoa e atualiza o movimento lento do Concerto Para Piano nº 4, de Beethoven, mas sob um viés bachiano e no contexto da música do século XX.
De Beethoven, Bartók herda também o fascínio pela narrativa da forma-sonata, presente nos movimentos iniciais de suas principais peças, e aqui rigorosamente regulada pela utilização da Proporção Áurea como delimitadora das seções internas.
 Com a morte de Bartók em Nova York, em 26 de setembro de 1945, a orquestração dos últimos dezessete compassos desta que seria sua derradeira partitura foi finalizada por seu aluno Tibor Serly.
 
Beethoven abriu diante de mim um novo mundo musical, assim como Shakespeare havia revelado um novo universo poético.” A declaração do compositor francês Hector Berlioz reflete como o impacto da audição da Terceira e Quinta Sinfonias, de Beethoven, em 1828, foi determinante na formação de seu estilo. Os processos beethovenianos de desdobramentos e variações a partir de células motívicas unificadoras passariam a ser a contrapartida estruturante da influência, já assimilada, da narratividade orquestral das óperas de Gluck (1714-1787), de quem Berlioz havia herdado também a verve melódica.
Ao estrear em 1830 sua Sinfonia Fantástica com o subtítulo “Episódio da vida de um artista”, Berlioz sugere um roteiro a ser acompanhado pelo ouvinte, seccionando a obra em cinco cenas: “Devaneios Com relação aos demais concertos para piano de Bartók, a originalidade do Concerto nº 3 pode estar no simples fato de haver sido composto para um músico diferente [quer dizer: não para ele mesmo tocar]. Mas a cultura em que foi concebido também é outra. Tal qual em sua grande composição anterior, o Concerto Para Orquestra, Bartók parecia corresponder à abertura das orquestras americanas. E, se o “Adágio” do Concerto nº 2 poderia sugerir um cântico de antiguidade imemorial, o do nº 3, com a marcação inaudita (para o ateu Bartók) de “Adagio Religioso”, evoca os cânticos de um novo continente, mediados pela recente Appalachian Spring, de Copland. Uma distância ainda maior separa o Concerto nº 3 do Concerto nº 1 — distância cuja medida é dada pelo fato de que este também foi composto em Mi Maior, mas com harmonias, modulações e cadências bem mais normais, além de longas melodias em lugar dos motivos abruptos. O primeiro movimento é uma sonata “Allegro” com um segundo tema em Sol. O “Adagio” dá continuidade ao padrão de seu correspondente no Concerto nº 2, tendo uma seção intermediaria rápida com sopros. Nesta, porém, motivos e acordes já usados na obra ressurgem como murmúrios de insetos, cantos de pássaros e melodias pentatônicas. E o movimento final traz grandes episódios fugais em Dó Sustenido e Si Bemol, nos quais a música principal se evapora, com um diminuendo de uma nota só, no tímpano. Temos de admitir que a obra é relativamente descuidada. Mas seria isso um deslize ou um sinal de transcendência? Paul Griffiths . Notas para o encarte do CD Bartók: The Piano Concertos, com Jean -Efflam Bavouzet e a BBC Philharmonic . Tradu ção de Ivan Weisz Kuck . - Paixões”, “Um Baile”, “Cena Campestre,” “Marcha ao Suplício” e “Sonho de Uma Noite de Sabá”. Mais do que ambientar literalmente cada situação, a música explora os estados emocionais gerados pela memória das cenas “vividas” pelo artista. Para tanto, Berlioz desenvolve um fino artesanato no âmbito da orquestração, abrindo espaço de destaque para determinados timbres (como o do corne-inglês) e para a utilização de acordes de tímpanos. O efeito resultante renovaria a escrita orquestral, apresentando-se como alternativa translúcida aos densos blocos sonoros do sinfonismo de Beethoven.
Meticuloso em sua escritura, o compositor cuidou para que as harmonias, ritmos e timbres amalgamados — ao mesmo tempo em que evocavam as cenas — funcionassem também como entes autônomos que construiriam sua própria teia de significações musicais. Para dar conta de ambos os propósitos — o ilustrativo e o musical —, Berlioz fez uso daquilo que denominou “ideia fixa”, um tema (associado à figura da mulher amada) que sofreria toda uma série de transformações ao longo da obra, adequando-se ao caráter das proposições dramáticas, mas sem abrir mão dos processos estritamente composicionais previamente arquitetados.
Nesse sentido, a Sinfonia Fantástica, composta apenas três anos após a morte de Beethoven, antecipa questões que estariam à frente nas discussões estético-musicais da segunda metade do século XIX, e que ocupariam um lugar significativo no entendimento dos dramas de Richard Wagner e dos poemas sinfônicos de Franz Liszt e Richard Strauss.  
Sergio Molina é mestre em musicologia pela ECA-USP e professor das faculdades Santa Marcelina e Anhembi Morumbi.




A Abertura Coriolano foi composta em 1807 e apresentada no mesmo ano, com sucesso, em Viena. Embora Wagner a comente como uma composição incidental escrita a partir da peça homônima de Shakespeare [de 1607], ela foi composta para o drama do poeta alemão Heinrich Joseph von Collin [1771-1811]. O tema da peça é político, e a partitura de Beethoven reflete sobre as possibilidades conceituais que o drama encerra.
Há um primeiro tema que se segue a uma introdução atacada por toda a orquestra e que, em teoria, se reportaria à personalidade heroica de Coriolano; após esse, aflora um belíssimo segundo tema que antecipa a tragédia do general, herói banido de Roma.
O excepcional dessa peça é que ela não termina de forma retumbante, como a maioria das obras orquestrais do século XIX. Há quem entreouça, por isso, nas três notas finais executadas em pianissimo, a antecipação dos estertores de um outro herói, esse mais moderno, retratado por Richard Strauss em seu poema sinfônico Morte e Transfiguração.
Enio Squeff é crítico musical e artista plástico.





LUDWIG VAN BEETHOVEN [1770-1827]
Abertura Coriolano, Op.62 [1807]
8 MIN

BÉLA BARTÓK [1881-1945]
Concerto nº 3 Para Piano [1945]
- Allegretto
- Adagio Religioso
- Allegro Vivace
23 MIN

HECTOR BERLIOZ [1803-69]
Sinfonia Fantástica, Op.14 [1830]
- Devaneios - Paixões
- Um Baile [Valsa]
- Cena Campestre
- Marcha ao Suplício
- Sonho de Uma Noite de Sabá. Dies Irae
54 MIN
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