Temporada Osesp: Recital Paul Lewis
foto de Jack Liebeck
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
16 jun 13 domingo 17h00
Recitais Osesp
DOMINGO 16/JUN/2013 17h00
Entre R$ 58,00 e R$ 67,00
Paul Lewis piano
Programa
Franz SCHUBERT
Sonata nº 19 em Dó Menor, D 958
Sonata nº 20 em Lá Maior, D 959
Sonata nº 21 em Si Bemol Maior, D 960

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa
Para subsistir no meio dos aspectos mais extremos e sombrios da realidade, as obras de arte, que não querem vender-se como consolação, deviam tornar-se semelhantes a eles. Hoje em dia, a arte radical signifi ca arte sombria, negra como sua cor fundamental. Grande parte da produção contemporânea desqualifi ca-se por não atender nada a este fato, comprazendo-se infantilmente nas cores. O ideal do negro constitui [...] um dos mais profundos impulsos da abstração. Talvez os jogos de sonoridades e de cores correntes reajam ao empobrecimento que semelhante ideal traz consigo; pode ser que a arte, um dia, sem traição, venha abolir esse mandamento, como Brecht pôde perceber, ao escrever os versos: "Que tempos são estes em que falar de árvores é quase uma ofensa porque se faz silêncio sobre tantos crimes!". A arte denuncia a excessiva pobreza por meio da que lhe é peculiar e voluntária; mas denuncia também a ascese e não pode, sem mais, erigi-la em sua norma.
No empobrecimento dos meios, que o ideal do negro, se é que não toda a objetividade, consigo traz, empobrece-se também o poetizado, o pintado, o composto; as artes mais progressistas impelem este empobrecimento até à beira do mutismo. Que o mundo, perdido que foi, segundo o verso de Baudelaire, o seu perfume e, em seguida, a sua cor, de novo o receba da arte, só parece possível à ingenuidade. Isso continua a abalar a possibilidade da arte sem no entanto a deixar destruir. De resto, durante o primeiro período do Romantismo, um artista como Schubert, tão explorado mais tarde pelo espírito afi rmativo, perguntava já se haveria seuqer música alegre e jovial. A injustiça, que toda a arte engraçada, sobretudo a de entreternimento, gera é uma injustiça para com os mortos, para com a dor acumulada e muda.
Apesar de tudo, a arte negra possui traços que, mesmo se fossem defi nitivos, selam o desespero histórico; na medida em que tudo se pode ainda modifi car, tais traços não passariam de efêmeros. O que o hedonismo estético, o qual sobreviveu às catástrofes, censura como perversão ao postulado do sombrio, erigido pelos surrealistas em programa como humor negro, a saber, que os momentos mais tenebrosos da arte devem preparar algo como o prazer, reduz-se a que a arte e uma consciência reta dela só podem encontrar a sua felicidade na capacidade de resistência. Esta felicidade irradia na aparição sensível. Tal como nas obras de arte corretas o seu espírito se comunica ainda ao fenômeno mais infl exível, o salva por assim dizer de modo sensível, assim, desde Baudelaire, também o tenebroso seduz sensivelmente como antítese ao engano da fachada sensível da cultura. Há mais prazer na dissonância do que na consonância: isto acontece ao hedonismo medida por medida.
O elemento cortante, reforçado dinamicamente, diferenciado em si e da uniformidade do afi rmativo, torna-se fascínio; e este fascínio, difi cilmente menos do que o desgosto perante a debilidade mental positiva, conduz a arte nova para uma terra de ninguém, substituto da terra habitável No Pierrot Lunaire, de Schoenberg, onde a essência imaginária e a totalidade da dissonância se unem de modo cristalino, realizou-se pela primeira vez este aspecto da arte moderna. A negação pode transformar-se em prazer, mas não em positividade. 
Theodor Adorno, Teória Estética (Edições 70, 1970).
Tradução De Artur Mourão.




FRANZ SCHUBERT [1797-1828]
Sonata nº 19 em Dó Menor, D 958 [1828]
- Allegro
- Adagio
- Menuetto: Allegro
- Allegro
29 MIN

Sonata nº 20 em Lá Maior, D 959 [1828]
- Allegro
- Andantino
- Scherzo: Allegro Vivace. Trio: un Poco Più Lento
- Rondo: Allegretto
38 MIN


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