Temporada Osesp convida Sinfônica Heliópolis
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
10 out 13 quinta-feira 21h00
Cedro
11 out 13 sexta-feira 21h00
Araucária
12 out 13 sábado 16h30
Mogno
QUINTA-FEIRA 10/OUT/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 67,00
SEXTA-FEIRA 11/OUT/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 67,00
SÁBADO 12/OUT/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 67,00


No dia 12 de outubro, às 15h30, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica Heliópolis
Isaac Karabtchevsky regente
Pablo Rossi piano
Coro da Osesp
Naomi Munakata regente
Coro Acadêmico
Marcos Thadeu regente
Érika Muniz soprano
Maria Raquel Gaboardi mezzo soprano
Léa Lacerda contralto
Luiz Eduardo Guimarães tenor
João Vitor Ladeira barítono
Fernando Coutinho Ramos baixo-barítono
Programa
André MEHMARI
Noturno Para Coro, Piano e Orquestra [Encomenda Osesp. Estreia Mundial]
Ludwig van BEETHOVEN
Fantasia Coral, Op.80
Giuseppe VERDI
Quatro Peças Sacras

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa


O som de apito ouvido ao longo da composição é tributo ao som emitido pelo guarda-noturno Abdias, lá em Ribeirão Preto, cidade onde passei quase toda minha infância. Era um senhor já entrado em anos, negro bem parrudo, mas não alto, vestindo sempre a sua quase-farda verde-oliva já bem puída pelo uso, com voz grave e repousada, macia, cantabile e amigável. Ele fazia a vigilância da rua de nossa casa, num bairro (então) calmo no interior do interior paulista.
O velho Abdias muito provavelmente já não está mais entre nós, mas seu apito ainda ecoa languidamente em minhas mais ternas memórias da infância. A ele, sou grato, e também ao magnífico poeta Paulo Leminski, cuja poesia vem ecoando, e muito, em minha cabeça de menino crescido. A própria figura fascinante de Paulo (esse polaco-mulato), que vi outro dia numa foto vestindo quimono de judô (ele era faixa-preta), me inspirou a procurar e inserir na peça a citação da canção tradicional japonesa “Kojo no Tsuki” [“Lua sobre um castelo André Mehmari em ruínas”]. O autor do texto, Bansui Doi, era da região de Sendai, arrasada pelo terrível tsunami de 2011. O coro canta em bocca chiusa, quase como um lamento noturno para as vítimas da tragédia, para as quais “a sombra” chegou de forma inesperada e implacável. A segunda citação dessa canção, hoje já considerada folclórica, leva ao requiem aeternam de “Tamanho Momento”, com a Lux perpetua de “Nossa Senhora da Luz”. “Quem sabe a lua lua...” — sugere o poeta. O apito choroso do vigia Abdias não nos dá uma resposta direta, mas nos conduz placidamente para a recapitulação do estado onírico, presente no início desta viagem noturna.
Agradeço imensamente a Arthur Nestrovski pela encomenda e pela seleção dos poemas e dedico esta obra à memória do vigilante Abdias e do poeta Leminski, guardiões zelosos de meus sonhos em momentos diferentes da minha vida.
André Mehmari
















Paulo Leminski

Impossível ignorar a semelhança entre o tema da Fantasia Coral, de 1808, e a prestigiosa “Ode à Alegria”, que, com versos de Schiller, encerra a última sinfonia de Beethoven. De fato, quando estreou a Nona, em 1824, o compositor já convivia com tal linha melódica havia pelo menos 30 anos — o que pode explicar, em parte, a força de sua realização.
Uma variação da “Ode” aparecera inicialmente em uma canção de 1794-5, “Gegenliebe”, que se manteve inédita até que Beethoven a recuperasse para a Fantasia Coral, idealizada às pressas como gran finale de um programa monumental de mais de quatro horas no Theater an der Wien, na noite de 22 de dezembro de 1808. Nessa ocasião, foram apresentadas ao público a Quinta e a Sexta sinfonias, além do Concerto Para Piano nº 4, entre outras peças.
Virtuosística, ainda que lenta, a introdução para piano solo da Fantasia Coral foi improvisada por Beethoven durante a estreia, em uma de suas últimas aparições como solista antes do agravamento definitivo de sua surdez, e só seria anotada por ele mais tarde (em 1811, a editora Breitkopf & Härtel, de Leipzig, publicaria a obra, dedicando- -a, sem o consentimento de Beethoven, a Maximilian Joseph i, então rei da Baviera). Segue-se um longo Finale, em que piano e orquestra alternam-se nas variações do tema “Gegenliebe”, passando por uma infinidade de andamentos em um curto espaço de tempo, do Adagio à Marcha, e culminando na entrada do coro, que, com sua breve aparição, encerra a peça.
O texto da parte coral foi escrito, também às pressas, por Christoph Kuffner, e considerado insuficiente por Beethoven, que permitiu a seu editor encomendar novos versos, desde que mantivesse a palavra “Kraft” (força) em seu lugar original. A consideração de Beethoven serviria de pretexto para que o Conselho Central da organização Freie Deutsche Jugend (Juventude Livre Alemã) incumbisse o poeta (e mais tarde Ministro da Cultura) Johannes R. Becher de escrever uma segunda versão para a Fantasia Coral, em 1951, gravada em um disco da RDA em 1960.
Talvez por ficar à sombra da Nona Sinfonia, talvez por ter uma formação insólita (coro, orquestra, solistas e piano) e não ser facilmente classificável, reunindo gêneros musicais variados, do concerto para piano à cantata, a Fantasia Coral é relativamente pouco conhecida. Trata-se, contudo, de uma amostra valiosa do estilo sublime de Beethoven, com sua construção crescente que nos leva a experimentar uma miríade de sentimentos. Afinal, se notamos a expressão de um presente trágico, marcado pelas guerras napoleônicas, reconhecemos também, no ápice da performance do coro, uma celebração entusiasmada da arte e da humanidade.

É raro termos a oportunidade de ouvir o ciclo completo das Quatro Peças Sacras, de Verdi, compostas separadamente na fase final de sua carreira, ao longo de dez anos (1887-1897), e reunidas em publicação de 1898. O conjunto é bastante heterogêneo, tanto no que diz respeito à formação (que se alterna entre vozes a cappella, coro e orquestra) quanto à língua cantada (que varia entre o latim e o italiano).
Embora poucas, as composições religiosas de Verdi, que por certo tempo teria sido cético em relação ao catolicismo e à Igreja, são das mais célebres obras da música sacra — além dessas quatro peças, ele escreveu o seu famoso Réquiem. Principal compositor italiano do século XIX, o músico engajou-se na fundação de uma identidade nacional e tornou-se símbolo do Risorgimento. Nessas peças de maturidade, ele homenageia duas figuras centrais da tradição cultural de seu país. Por um lado, Dante, ao extrair da Divina Comédia os textos de “Laudi Alla Vergine Maria”. Por outro, Palestrina, tido por ele como ponto de partida da história da música italiana, e retomado em gestos musicais característicos da música renascentista.
A abertura, “Ave Maria”, compõe-se de quatro vozes solistas — soprano, contralto, tenor e baixo —, cantadas a cappella; em “Stabat Mater”, um coro misto combina-se com a orquestra; “Laudi Alla Vergine Maria” retoma a formação a cappella com quatro vozes femininas, duas soprano e duas contralto, que entoam um curto excerto do Paraíso de Dante, em italiano; por fim, “Te Deum” mistura coro, solo de soprano e orquestra — Verdi teria pedido para ser enterrado com sua partitura, por considerar o encerramento das Peças Sacras sua melhor obra.
Sofia Mariutti é editora da Companhia das Letras.




ANDRÉ MEHMARI [1977]
Noturno Para Coro, Piano e Orquestra [2013] [Encomenda Osesp. Estreia Mundial]
12 MIN

LUDWIG VAN BEETHOVEN [1770-1827]
Fantasia Coral, Op.80 [1808]
- Adagio
- Finale: Allegro. Adagio ma Non Troppo. Marcha. Allegretto Quasi Andante. Presto
19 MIN

GIUSEPPE VERDI [1813-1901]
Quatro Peças Sacras [1887-97]
- Ave Maria
- Stabat Mater
- Laudi Alla Vergine Maria
- Te Deum
38 MIN


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