Temporada Osesp convida Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
17 out 13 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
18 out 13 sexta-feira 21h00
Sapucaia
19 out 13 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 17/OUT/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 67,00
SEXTA-FEIRA 18/OUT/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 67,00
SÁBADO 19/OUT/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 67,00
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
Fabio Mechetti regente
Conrad Tao piano
Programa
Richard WAGNER
Tannhäuser: Abertura
Benjamin BRITTEN
Concerto Para Piano em Ré Maior, Op.13
Sergei RACHMANINOV
Sinfonia nº 3 em Lá Menor, Op.44

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Beijamin Britten, C. 1940

Benjamin Britten, o mais destacado compositor inglês do século XX, notabilizou- -se sobretudo por sua produção vocal: óperas, obras corais sinfônicas e canções, em que buscou um tratamento adequado para o canto em inglês, como na ópera Peter Grimes e no War Requiem. No entanto, no início de sua carreira, dedicou-se a obras instrumentais, entre as quais o Concerto Para Piano em Ré Maior, composto em 1938, quando ele tinha apenas 25 anos. Britten faria uma importante revisão da peça em 1945.
As obras dessa “fase instrumental”, anteriores à partida para os Estados Unidos, onde permaneceu de 1939 a 1942, revelam um jovem compositor experimentando com prazer seu ofício. Daí o recurso frequente à paródia e aos “empréstimos”, presentes no Concerto, como observa Peter Evans no seu livro The Music of Benjamin Britten.
Sua estreia foi em agosto de 1938, no Queen’s Hall, em Londres, com o próprio Britten como solista, acompanhado pela Orquestra Sinfônica da BBC, regida por Sir Henry Wood. Tratava-se, segundo o compositor, de um concerto de “bravura”, destinado a explorar a extensão do piano e suas qualidades percussivas.
Os quatro movimentos, intitulados “Toccata”, “Valsa”, “Improviso” e “Marcha”, sugerem um parentesco com a suíte. O movimento inicial combina habilmente as características desse gênero com a forma sonata: os dois temas contrastantes são ligados por uma transição de ritmo ininterrupto, típico da toccata, que está presente também no desenvolvimento.
Uma extensa cadência solista, ao final da recapitulação, precede a coda, que retoma o segundo tema.
O segundo movimento é uma valsa ora sombria, ora mordaz, com orquestração refinada e toques diabólicos na rápida seção central.
O terceiro movimento substitui, na revisão de 1945, o “recitativo e aria” da versão inicial. É, de fato, uma passacalha: o tema, exposto pelo piano, retorna por sete vezes em diferentes combinações instrumentais, explorando os registros da orquestra, sempre contra as figurações do piano.
O último movimento é uma marcha concertante, nada romântica, que faz pensar em Prokofiev. De estrutura ampla, com desenvolvimento, proporciona equilíbrio em relação à “Toccata” inicial. De grande efeito, a cadência in tempo, antes da recapitulação, é acompanhada de bombo e pratos. A coda, molto piú presto, utiliza material já ouvido no início. [2004]
Roberto Dante Cavalheiro é pianista e professor da Escola de Música de São Paulo e da Faculdade Santa Marcelina.




Paisagem com Igreja, Tela de Alexander Makovsy (1869-1924), 1900

Até ontem tratado como dinossauro do romantismo, Sergei Rachmaninov é um dos compositores mais espetacularmente reabilitados pela crítica recente. Sua identidade sonora é marcante: bastam dez segundos de música — não, basta um de seus acordes cor de chumbo — para sabermos quem é seu autor. Tal identidade foi exatamente o que faltou a supostas vanguardas que feneceram, ofuscadas pela popularidade que hoje se estende inclusive às suas obras sacras.
Rachmaninov abandonou a Rússia em 1917 e teve de se reerguer financeiramente mergulhando numa brilhante carreira de pianista, o que prejudicou seu lado compositor. Entre 1918 e o ano da sua morte (1943), completou apenas seis obras. Começou a trabalhar na Sinfonia nº 3 durante as férias de 1935, na Suíça, mas só pôde terminá-la um ano depois, quando foi estreada pela Orquestra de Filadélfia, regida por Leopold Stokowsky. O compositor estava presente e descreveu a recepção como “azeda”.
A saudade da Rússia imbuiu a música de Rachmaninov de lembranças do canto ortodoxo, que pairam sobre o primeiro movimento como um ícone religioso. O caráter desolado do primeiro tema é contrastado pela opulência sensual e pela evolução psicológica do segundo. O desenvolvimento é uma sucessão de painéis escuros, que culminam numa minifantasia sobre o “acorde de Tristão”. A recapitulação gradualmente exorciza a tensão acumulada.
Uma brisa oriental (influência de Rimsky-Korsakov?) sopra sobre a melodia do segundo movimento, tocada pelo violino, que dá margem a uma gigantesca expansão. Num toque de mestre, ele insere um scherzo como seção contrastante, possuída por uma energia rítmica quase prokofieviana.
A aparência despreocupada do finale é enganosa. Na verdade, é o movimento mais complexo: o ágil tema inicial é encurtado a cada aparição e, em reverso, os episódios assumem cada vez mais peso. Como em outras obras, um fugato faz as vezes de desenvolvimento. Rachmaninov era incapaz de rezar pelo credo de outrem. Se sua linguagem é familiar, seu universo psicológico é único e dita suas próprias regras, como nesta obra admirável.
[2007] Fábio Zanon é violonista, professor visitante na Royal Academy of Music e autor de Villa-Lobos (Série “Folha Explica”, Publifolha, 2009).




RICHARD WAGNER [1813-83]
Tannhäuser: Abertura [1842-5]
14 MIN

BENJAMIN BRITTEN [1913-76] Britten 100
Concerto Para Piano em Ré Maior, Op.13 [1938. Rev. 1945]
- Toccata: Allegro Molto e Con Brio
- Valsa
- Improviso
- Marcha
34 MIN

SERGEI RACHMANINOV [1873-1943]
Sinfonia nº 3 em Lá Menor, Op.44 [1935-6]
- Lento - Allegro Moderato
- Adagio ma Non Troppo - Allegro Vivace - Tempo Come Prima
- Finale: Allegro
39 MIN


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