Temporada Osesp: Quarteto Osesp e Nicholas Angelich
foto de Stphane de Bourgies
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
24 mar 13 domingo 17h00
Quarteto Osesp
DOMINGO 24/MAR/2013 17h00
Entre R$ 58,00 e R$ 67,00
Quarteto Osesp
Nicholas Angelich piano
Programa
Wolfgang A. MOZART
Divertimento nº 1 em Ré Maior, KV 136
Benjamin BRITTEN
Quarteto nº 1 em Ré maior, Op.25
Robert SCHUMANN
Quinteto com Piano em Mi Bemol Maior, Op.44

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Encomendado pela mecenas americana Elizabeth Sprague Coolidge, em 1941, o clássico Quarteto nº 1 em Ré Maior, de Benjamin Britten, é um bom exemplo da distância estilística em relação a seus compatriotas Edward Elgar, William Walton e Ralph Vaughan Williams. Com ele, Britten se aproxima muito mais da escrita de Schoenberg, Mahler, Stravinsky e, principalmente, de seu admirado amigo Shostakovich. O quarteto foi escrito em dois meses, durante o autoexílio que o compositor se impôs nos Estados Unidos. Ao longo dos quatro movimentos, percebe-se a influência da música coral vivenciada por Britten quando aluno do Royal College of Music.
No primeiro movimento, violinos e viola imitam as vozes muito agudas de meninos cantores sublinhando intervenções em pizzicato do violoncelo, que funciona como o alaúde de John Dowland, compositor renascentista inglês muito apreciado por Britten. O movimento é finalizado com pizzicati arpejados em todos os instrumentos, reforçando a alusão ao alaúde.
O “Allegretto Con Slancio” honra seu título pelas intervenções impetuosas e “ácidas” de todos os instrumentos. O movimento se destaca por seu brilhantismo, marcado por memoráveis passagens em uníssono de grande virtuosismo.
A religiosidade contida do primeiro movimento retorna no terceiro, agora de maneira mais vertical. Trata-se de um “Andante Calmo”, por vezes interrompido por cheios “orquestrais” que conduzem os instrumentos a verdadeiros recitativos.
A atmosfera do início volta ao final do movimento, quando, mais uma vez, Britten explora registros superagudos de todos os arcos, relaxando ao final de forma plena e tranquila. Curto e rico em virtuosismo, o último movimento remete espirituosamente a Haydn e seu Quarteto Op.33 nº 2 - “A Brincadeira”. [2012]
Fernando Thebaldi é violista do Quarteto Radamés Gnattali.






Se a compreensão da obra de certos compositores do século XIX passa necessariamente pela percepção de aspectos de sua biografia, em Robert Schumann, parte significativa de sua produção só pode ser entendida por sua relação com a esposa Clara. Isso se deve não apenas ao fato dele ter dedicado a Clara diversas obras, mas também, e sobretudo, por ela ter sido uma das mais importantes pianistas de seu tempo, uma virtuose que conseguiu materializar no instrumento aquilo que seu marido não podia, por conta da paralisia que acometeu sua mão direita ainda na juventude.
Não é à toa que, informalmente, seu Quinteto Para Piano e Cordas Op.44 é muitas vezes considerado um “concerto de câmara”. Apesar do piano desenvolver um papel notoriamente solista, suas exigências técnicas estão muito próximas às de uma grande obra concertante. Dessa forma, esse Quinteto não deixa de ser um testemunho do primor técnico da senhora Schumann. A peça não só é dedicada a ela, como inclui citações do Impromptus Op.5, composto por Schumann sobre um tema escrito pela esposa.
Composta num curtíssimo espaço de tempo, o Quinteto foi estreado por Clara na companhia de integrantes da Gewandhaus Orchester, de Leipzig, cidade onde o casal morava, no ano de 1842.
Sua escrita exuberante e enérgica confere à obra franca singularidade em meio ao repertório camerístico romântico, algo notado ainda em seu tempo, como fica claro numa carta de Richard Wagner (1813-83) endereçada a Schumann. Às vésperas de concluir a ópera O Holandês Voador, Wagner escreveu: “O seu Quinteto, meu caro amigo, muito me agradou. Pedi a sua esposa que o tocasse duas vezes. [...] Vejo o caminho que pretende seguir e posso afirmar que é também o meu, pois nele se encontra a única possibilidade de salvação: a beleza.”
Para além das salas de estar do século XIX, a vivacidade do Quinteto garantiu sua presença não só nas salas de concerto modernas, como também nas salas de cinema: o tocante segundo movimento, “In Modo d’Una Marcia”, se projetou mundialmente na cena inicial do filme Fanny e Alexander (1982), de Ingmar Bergman.
 Leonardo Martinelli é jornalista, colaborador da revista Concerto, professor na Escola Municipal de Música de São Paulo e na Faculdade Santa Marcelina. [2010]




BENJAMIN BRITTEN [1913-76]
Quarteto nº 1 em Ré Maior, Op.25 [1941]
- Andante Sostenuto - Allegro Vivo
- Allegretto Con Slancio
- Andante Calmo
- Molto Vivace
27 MIN

ROBERT SCHUMANN [1810-56]
Quinteto Para Piano e Cordas, Op.44 [1842]
- Allegro Brillante
- In Modo d'Una Marcia
- Scherzo/Trio I/Trio II
- Allegro ma Non Troppo
29 MIN


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