Temporada Osesp: Armstrong rege Mozart e Wagner
foto de Simon Fowler
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
11 abr 13 quinta-feira 21h00
Jacarandá
12 abr 13 sexta-feira 21h00
Pequiá
13 abr 13 sábado 16h30
Ipê
QUINTA-FEIRA 11/ABR/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 12/ABR/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 13/ABR/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00

No dia 11 de abril, às 20h00, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Sir Richard Armstrong regente
Nathalie Stutzmann contralto
Programa
Wolfgang A. MOZART
SInfonia nº 41 em Dó Maior, KV 551 - Júpiter
Richard WAGNER
Wesendonck Lieder
Tristão e Isolda: Prelúdio e Morte de Amor
Os Mestres Cantores de Nürnberg: Prelúdio

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa


Tendemos a imaginar que as obras musicais são uma extensão artística da vida dos compositores, refletindo, em seu caráter, os eventos da época em que foram escritas. Se isso é verdade em relação a alguns gênios, está longe de ser o caso de Mozart. Parte de sua grandeza reside numa incrível capacidade de escrever uma música que transcende seu tempo e seu estado emocional momentâneo, música que expressa uma riqueza de sentimentos por vezes até mesmo conflitantes, como se não brotasse de um impulso individual, mas fosse a expressão de um sentimento coletivo, do qual Mozart fosse meramente um porta-voz, um instrumento privilegiado.
As duas últimas sinfonias de Mozart, de n°s 40 e 41, são ótimos exemplos dessa afirmação. A primeira, trágica, taciturna e pungente, é a mais carregada de emoção — um “grito da alma”, como já foi chamada. Por outro lado, a seguinte, composta no mesmo verão, é o suprassumo da sofisticação instrumental do compositor, e tem um tom épico e exuberante, que em nada deixa entrever a tristeza que permeava os pensamentos de um pai que havia acabado de perder uma filha, em meio a preocupações de toda ordem — a Áustria entrando em guerra com a Turquia, a economia em baixa, e a vida cultural fazendo água.
A Sinfonia nº 41 em Dó Maior, conhecida como Júpiter, talvez deva o apelido a seu primeiro movimento, um “Allegro Vivace” heroico, cheio de pompa militar, com tímpanos e trompetes pontuando uma composição rítmica e vigorosa. Seja como for, o nome, inventado por um editor dos anos 1820, cai como uma luva para a obra inteira, de ambição olímpica e estatura inquestionável.
 Se somos conquistados imediatamente pelo ímpeto viril do início, o “Andante”, mais sombrio, doce e introvertido, oferece um contraste tão necessário quanto bem-sucedido. O “Menuetto” é um perfeito exemplo da escrita mozartiana, que combina em doses equilibradas uma aparência galante e formalmente impecável com uma pletora de recursos expressivos sofisticados. O “Finale” talvez seja o ponto alto da composição sinfônica clássica, resgatando a arte do contraponto (e literalmente citando um tema conhecido, vindo do canto gregoriano, que o próprio Mozart havia usado O ciclo de canções conhecido como Wesendonck Lieder [Canções de Wesendonck] foi escrito por Richard Wagner entre 1857 e 1858 e publicado originalmente sob o título Cinco Poemas Para Voz Feminina. Os poemas, de autoria de Mathilde Wesendonck, amante de Wagner à época, são imbuídos de sentimentos e linguagem schopenhaurianos e tristanescos. O calor da paixão impediu Wagner de notar o amadorismo dos textos, ainda que na segunda versão da partitura estes sejam descritos como “poemas diletantes”. Duas das canções foram descritas por Wagner como “estudos para Tristão e Isolda” (ópera na qual ele trabalhava então): “Im Treibhaus” (Na Estufa), que antecipa o Prelúdio do terceiro ato, e “Träume” (Sonhos), que prenuncia o dueto do segundo ato. Cada uma das canções foi revisada uma ou duas vezes, mais nos detalhes que na substância — e todas essas versões eram para voz e piano. A estreia do ciclo de canções foi em 30 de julho de 1862, na mansão do editor de Wagner, Franz Schott, perto de Mainz. Os intérpretes foram a soprano Emilie Genast e o regente, compositor e pianista Hans von Bülow. Barry Millington, The Wagner Compendium – A Guide to Wagner’s Life And Music (Thames & Hudson, 1992).
 Tradução de Ricardo Teperman. em sua primeira sinfonia, aos oito anos). Esta arte, característica do Barroco, é desenvolvida de forma totalmente pessoal, com uma fuga intricada, que combina os cinco principais motivos melódicos numa explosão virtuosística de timbres, texturas e harmonias. [Um jogo análogo de temas sobrepostos aparece, em homenagem implícita, ao final da abertura Os Mestres Cantores de Nürnberg, de Wagner, nesse mesmo programa.]
Obra complexa, empolgante e visceral, a Sinfonia nº 41 representa, ao mesmo tempo, uma homenagem ao passado, uma bússola que aponta para o futuro e a despedida grandiosa de um dos maiores gênios musicais do Ocidente.
Laura Tausz Rónai é flautista, professora na UniRio e autora de Em Busca de um Mundo Perdido – Métodos de Flauta do Barroco ao Século XX (Topbooks, 2008).





O ciclo de canções conhecido como Wesendonck Lieder [Canções de Wesendonck] foi escrito por Richard Wagner entre 1857 e 1858 e publicado originalmente sob o título Cinco Poemas Para Voz Feminina. Os poemas, de autoria de Mathilde Wesendonck, amante de Wagner à época, são imbuídos de sentimentos e linguagem schopenhaurianos e tristanescos. O calor da paixão impediu Wagner de notar o amadorismo dos textos, ainda que na segunda versão da partitura estes sejam descritos como “poemas diletantes”.
Duas das canções foram descritas por Wagner como “estudos para Tristão e Isolda” (ópera na qual ele trabalhava então): “Im Treibhaus” (Na Estufa), que antecipa o Prelúdio do terceiro ato, e “Träume” (Sonhos), que prenuncia o dueto do segundo ato.
Cada uma das canções foi revisada uma ou duas vezes, mais nos detalhes que na substância — e todas essas versões eram para voz e piano. A estreia do ciclo de canções foi em 30 de julho de 1862, na mansão do editor de Wagner, Franz Schott, perto de Mainz.
Os intérpretes foram a soprano Emilie Genast e o regente, compositor e pianista Hans von Bülow.
Barry Millington, The Wagner Compendium – A Guide to Wagner’s Life And Music (Thames & Hudson, 1992). Tradução de Ricardo Teperman.






Richard Wagner, em sua célebre ópera Tristão e Isolda (1857-9), contesta as limitações das modulações tonais, empregando um sensual cromatismo. No entanto, o famoso acorde, que serviu como base harmônica para a obra, justamente conhecido como Acorde do Tristão, que talvez seja tão rico por permitir uma série de inversões, já vinha sendo utilizado desde bem antes, como, por exemplo, por Mozart, em sua Sinfonia nº 40 em Sol Menor.
Mas Mozart o utiliza logo no primeiro movimento, o acorde dentro das funções harmônicas de subdominante [...].
Wagner, por sua vez, descobre a disposição na qual o acorde se torna mais flexível às conduções cromáticas [...].
O acorde causou tamanha sensação em seu tempo que Debussy, algumas décadas depois, entre 1892 e 1894, valendo-se ainda de uma outra inversão, o empregará em seu igualmente célebre Prélude à I’Aprés-Midi d’un Faune [peça que abre o último programa dessa Temporada 2013 da Osesp, em dezembro]. Porém, ainda que trabalhando com um mesmo acorde que remonta a Mozart e Wagner, Debussy constrói sua estética a partir de outra visão de mundo, configurando já a plena transição para a modernidade. [2000]
Rubens Russomanno Ricciardi é professor titular do Departamento de Música da FFCLRP-USP



A primeira apresentação da ópera Os Mestres Cantores de Nürnberg, de Richard Wagner, pela companhia alemã, no Teatro Real de Drury Lane, em Londres, deve ter espantado aqueles que só conheciam o compositor por meio do ciclo de óperas O Anel do Nibelungo. Claro que mesmo nessas obras já havia vislumbres de otimismo; mas só aqueles que haviam previamente estudado as partituras de Os Mestres Cantores, ou que haviam assistido às apresentações na Alemanha, podiam imaginar que o compositor do futuro saberia ser tão alegre, brilhante e jovial como o encontramos nessa ópera. “A ópera cômica de Wagner” é uma expressão que soa curiosa para admiradores do compositor cruel e rude das obras mais recentes.
Temos um novo Wagner com Os Mestres Cantores, e que companheiro agradável ele pode ser quando deixa de lado sua farsa com os personagens da mitologia teutônica e aceita colocar em música as alegrias e as tristezas, as esquisitices e os caprichos de simples mortais.
Na Alemanha, essa ópera — cuja estreia ocorreu em Munique, em 1868, sob regência de Hans von Bülow — é uma das mais populares, senão a mais popular de todas as obras de Wagner. E isso é fácil de se compreender após ouvi-la, pois é essencialmente alemã. Seus méritos e defeitos são exclusivamente nacionais, e tem ainda a vantagem de literalmente mergulhar em melodias populares. Se Wagner não as tomou emprestadas, foi capaz de imitá-las com extraordinária felicidade, e, se a trama é simplória, a orquestração é enriquecida com alguns dos lances mais brilhantes que jamais saíram da mente e da pluma de um homem genial.
Crítica publicada no jornal The Era, em 3 de junho de 1882 (autoria desconhecida). Republicada em Raymond Mander e Joe Mitchenson (orgs.), The Wagner Companion (W.H. Allen, 1977). Tradução de Ricardo Teperman.



Minhas expectativas frustradas de obter o apoio do grão-duque de Weimar para O Anel do Nibelungo alimentavam um descontentamento incessante; eu via aquilo como um fardo, do qual não conseguia me desvencilhar. Na mesma época, recebi uma notícia curiosa: uma pessoa, que se chamava Ferreiro, apresentou-se como o cônsul brasileiro de Leipzig e me comunicou da grande admiração do Imperador do Brasil pela minha música. As dúvidas que eu pudesse ter com relação a este personagem peculiar foram polidamente dissipadas em suas cartas: o Imperador admirava a cultura alemã e desejava que eu fosse ao seu encontro no Rio de Janeiro para apresentar minhas óperas, as quais precisariam apenas ter seus textos traduzidos — já que lá se cantava somente em italiano —, tarefa que ele julgava facílima e, ao mesmo tempo, vantajosa para as obras. Na verdade, por mais estranho que soe, essa ideia me pareceu muito agradável, e pensei que poderia compor um fervoroso poema musical que seria muito bem expresso em italiano.
Voltei a pensar em Tristão e Isolda, com a predileção que sempre é renovada. De início, para me assegurar de alguma forma das predisposições generosas do Imperador do Brasil, enviei ao senhor Ferreiro as preciosas encadernações das partituras para piano das minhas três óperas mais antigas e, durante muito tempo, imaginei que uma apresentação bela e esplendorosa no Rio de Janeiro poderia ser algo muito prazeroso. Nunca mais tive notícias dessas partituras de piano, e muito menos do Imperador do Brasil e de seu cônsul Ferreiro.
[...] Também Gottfried Semper se envolveu em um projeto arquitetônico para este país tropical: foi aberta uma concorrência para a construção de um novo teatro de ópera no Rio; Semper havia se candidatado e preparou projetos maravilhosos, que nos proporcionaram divertimento e que também poderiam ter sido uma tarefa muito interessante para oferecer, por exemplo, ao Dr. Wille [François Wille, um velho amigo de Wagner que estudara com Bismarck em Göttingen]. Afinal, ele imaginava que um arquiteto deveria pensar em algo inovador quando fosse criar um teatro de ópera para um público negro. Eu nunca soube se os contatos entre Semper e o Brasil tiveram resultados mais satisfatórios que os meus; sei apenas que ele não construiu o teatro.
Richard Wagner, Mein Leben (Minha vida, editora F. Bruckmann, 1911). Tradução de Cornelia Schillag.



WOLFGANG A. MOZART [1756-91]
Sinfonia nº 41 em Dó Maior, KV 551 - Júpiter [1788]
- Allegro Vivace
- Andante Cantabile
- Menuetto Allegretto
- Finale: Molto Allegro
34 MIN

RICHARD WAGNER [1813-83]
Wesendonck Lieder [1857-8] [Orquestração de Hans Werner Henze]
- Der Engel (O Anjo)
- Stehe Still (Cala-te)
- Im Treibhaus (Na Estufa)
- Schmerzen (Dores)
- Träume (Sonhos)
21 MIN
Tristão e Isolda: Prelúdio e Morte de Amor [1857-9]
17 MIN
Os Mestres Cantores de Nürnberg: Prelúdio [1862]
9 MIN


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