Temporada Osesp: Tortelier e Müller-Schott
foto de Uwe Arens
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
18 abr 13 quinta-feira 21h00
Carnaúba
19 abr 13 sexta-feira 21h00
Paineira
20 abr 13 sábado 16h30
Imbuia
QUINTA-FEIRA 18/ABR/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 19/ABR/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 20/ABR/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00


No dia 18 às 20h00 e 20 de abril, às 15h30, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Yan Pascal Tortelier regente
Daniel Müller-Schott violoncelo
Coro Acadêmico
Coro da Osesp
Naomi Munakata regente
Programa
Wolfgang A. MOZART
Sinfonia nº 40 em Sol Menor, KV 550
Benjamin BRITTEN
Sinfonia para Violoncelo e Orquestra, Op.68
Heitor VILLA-LOBOS
Choros nº 10 - Rasga o Coração
bis solista
sexta, sábado e domingo
Maurice RAVEL
Pièce en forme de Habanera

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa
A Sinfonia nº 40 em Sol Menor existe em duas versões, com e sem clarinetes, e é com frequência chamada de “a grande”, possivelmente para ser distinguida da Sinfonia nº 25 KV 183, a única outra sinfonia mozartiana em tonalidade menor e também em Sol. Mas o epíteto seria correto mesmo que a KV 183 não existisse. É a mais executada das obras orquestrais de Mozart e se destaca pela originalidade e pela riqueza de invenção, intensidade, apelo emocional, uso inovador de cromatismos, e puro e simples impacto dramático. Talvez por explorar o sentimento trágico, a grandiosidade e a ambiguidade de gestos musicais — características tão caras ao espírito romântico —, foi das raras peças de Mozart que escapou de ser tachada, no século XIX, de frívola e inconsequente. Assim, acabou se constituindo como um importante elo musical entre o classicismo e o romantismo, e fazendo parte do cânone sinfônico dos séculos seguintes.
De chofre, o movimento de abertura começa com uma ideia brilhante e inédita: ao invés de apresentar uma melodia memorável desde a primeira nota, é o acompanhamento que surge, trêmulo, silenciosamente preparando o terreno para o tema, num procedimento que seria imitado por dezenas de compositores posteriores, entre os quais Haydn, Schubert, Beethoven, Mahler e Bruckner.
Os outros movimentos, unificados pelo agridoce intervalo de segunda menor, mantêm um clima melancólico, mesmo quando baseados em danças, como o minueto, com seus deslocamentos rítmicos constantes.
O “Finale” extraordinário combina desintegração rítmica com uma antecipação do atonalismo, na sequência melódica que marca o desenvolvimento temático. O efeito, que deixa musicólogos e críticos perplexos até hoje, soa perfeitamente natural e lógico para quem ouve, numa demonstração cabal da genialidade do compositor.
Laura Tausz Rónai é flautista, professora na UniRio e autora de Em Busca de um Mundo Perdido – Métodos de Flauta do Barroco ao Século XX (Topbooks, 2008).


C
horos nº 10
é uma das obras em que Heitor Villa-Lobos buscou, nos anos 1920, construir um retrato musical do Brasil. O compositor começara a apresentar obras próprias em público em 1915, quando tinha 28 anos. Dez anos depois, em um ano que testemunhou a criação dos Choros nº 3, nº 8 e deste nº 10, Villa-Lobos encontrava-se talvez no ápice de uma de suas fases mais prolíficas e inventivas.
Nos últimos anos da década de 1910, não sem grandes dificuldades, ele havia logrado impor sua presença frente a outros compositores brasileiros. De origem pobre, Villa-Lobos era neto de imigrantes espanhóis. Seu pai foi um intelectual polígrafo e amante da música, funcionário da Bilbioteca Nacional, e faleceu quando Heitor era ainda criança. Foi sua mãe quem o criou, sustentando a ele e a seus irmãos com seu trabalho na Confeitaria Colombo, no centro do Rio de Janeiro.
Após definir que seguiria a carreira de compositor, Villa-Lobos começou apresentando composições para grupos de câmara. A primeira audição de obras orquestrais de sua autoria, em 1918, só aconteceu devido ao apoio de seus conhecidos da Associação Brasileira de Imprensa — que intermediaram a cessão do Teatro Municipal —, e dos músicos da orquestra do Centro Musical do Teatro, que aceitaram tocar sem a garantia de que receberiam qualquer remuneração. Entre 1919 e 1920, a encomenda de uma sinfonia e a execução de obras suas por maestros estrangeiros e por musicistas célebres como o pianista Artur Rubinstein auxiliaram na divulgação de seu nome. Dessa maneira, em 1921, Villa-Lobos pôde contar com Laurinda Santos Lobo, dama da sociedade carioca que atuava como mecenas de vários artistas, para a promoção de um segundo concerto sinfônico de suas obras.
A partir desse reconhecimento crescente, reforçado por sua participação na Semana de Arte Moderna, em São Paulo, o compositor partiu finalmente para uma temporada em Paris, destino incontornável para artistas de destaque da América Latina. Sua passagem pela “Cidade Luz” não o deixaria impune. O contato com o fervilhante ambiente artístico da Paris dos années folles, no qual se inseriu a partir de sua amizade com os artistas paulistas da Semana, converteria um Villa-Lobos até então ainda hesitante a lançar mão de sua proximidade com a música popular em um compositor genuinamente brasileiro.
Mas qual foi o Brasil que Villa-Lobos retratou em suas obras? Quais traços eram, em sua opinião, representativos da nação que ele se propunha a encarnar?
Nos anos 1920, Paris concentrava artistas de todas as nacionalidades, e cada um deles buscava retratar peculiaridades que tornassem seu pertencimento reconhecível. Ao fazê-lo, acabavam por destacar justamente os elementos que mais contrastavam com a civilização ocidental, que Paris tão bem representava. O Brasil, visto da França, era a terra exótica da selva, dos índios, da herança africana e da música popular que Pixinguinha ali apresentou com seus Oito Batutas, em 1922. Todos esses ingredientes estariam presentes na receita villa-lobiana de Brasil.
Para sintetizar esse projeto, um nome que representava a herança musical de um compositor que viveu as rodas boêmias cariocas: Choros. Nas palavras do próprio Villa-Lobos, eram composições “baseadas nas manifestações sonoras dos hábitos e costumes dos nativos brasileiros, assim como nas impressões psicológicas que trazem certos tipos populares, extremamente marcantes e originais”1.
Um dos Choros orquestrais que tece tais universos sonoros de forma mais complexa é justamente o de número 10. Dentre seus motivos musicais, Villa-Lobos destaca a “variedade de pássaros, rica em número e gênero, que existe em todo o Brasil”; a melodia da frase principal, por ele apresentada como um “misto de melopeia primitiva e canto pentatônico dos índios brasileiros”; o tema Ena Mokoce ce Maka, um “cântico de rede dos índios parecis”; e, no clímax da obra, “uma melodia lírica e sentimental extraída de uma canção popular, com letra do poeta seresteiro Catulo da Paixão Cearense, denominada ‘Rasga o Coração’”.
Pássaros, índios e música popular: eis os ingredientes do Brasil imaginado de Villa-Lobos, e apresentado por ele para as plateias ocidentais. Testemunho privilegiado de sua fase criadora dos anos 1920, Choros nº 10 apresenta a síntese de uma brasilidade villa-lobiana — e que viria a constituir, no mundo da música erudita, sua representação de maior destaque.
Paulo Renato Guérios é professor no Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná e autor de Heitor Villa-Lobos — O Caminho Sinuoso da Predestinação (FGV, 2003)



WOLFGANG A. MOZART [1756-91]
Sinfonia nº 40 em Sol Menor, KV 550 [1792]
- Allegro Moderato
- Andante
- Menuetto
- Allegro Assai (Alla Breve)
35 MIN

BENJAMIN BRITTEN [1913-76]
Sinfonia Para Violoncelo e Orquestra, Op.68 [1963]
- Allegro Maestoso
- Presto Inquieto
- Adagio (Attacca)
- Passacaglia
35 MIN

HEITOR VILLA-LOBOS [1887-1959]
Choros nº 10 - Rasga o Coração [1926]
13 MIN

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