Temporada Osesp: Lehninger e Zanon
foto de Stu Rosner
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
02 mai 13 quinta-feira 21h00
Cedro
03 mai 13 sexta-feira 21h00
Araucária
04 mai 13 sábado 16h30
Mogno
QUINTA-FEIRA 02/MAI/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 03/MAI/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 04/MAI/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00


No dia 3 de maio, às 20h00, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marcelo Lehninger regente
Fábio Zanon violão
Programa
Claude DEBUSSY
Três Prelúdios
Joaquín RODRIGO
Concerto de Aranjuez
Ralph VAUGHAN WILLIAMS
Sinfonia nº 2 em Sol Maior - Londres

bis solista

quinta
Enrique GRANADOS

Dança Espanhola nº 5: Andaluza
 
sexta
Isaac ALBÉNIZ

Espanha – Capricho Catalão, Opus 165
 
sábado
Isaac ALBÉNIZ

Suíte Espanhola nº 2: Zambra Granadina, Opus 97


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

O
Concerto de Aranjuez, de Joaquín Rodrigo, é uma das obras concertantes mais conhecidas do século XX. Assim como o Bolero, de Ravel, ou o Trenzinho do Caipira, de Villa- -Lobos, ela extrapolou os limites da sala de concertos e entrou para a cultura popular, ouvida como tema de filmes, música de espetáculos de patinação, cantada pelo grupo Swingle Singers ou levada para o jazz por Miles Davies ou Chick Corea. Se, por um lado, essa popularidade pode parecer suspeita, por outro, ela nos faz esquecer que a obra atingiu este status icônico, antes de mais nada, por sua perfeição musical.


Nascido na costa valenciana em 1901, Joaquín Rodrigo ficou cego aos três anos de idade em decorrência da difteria. Ele mesmo reconheceu que a ausência de estímulo visual contribuiu para que desenvolvesse um estilo composicional evocativo, quase pictórico. Com bolsa do governo espanhol, passou longas temporadas como estudante em Paris.
Rodrigo casou-se com a pianista turca Victoria Kamhi em 1933, passando a lua de mel em Aranjuez. Ao sul de Madri, à beira do rio Tejo, Aranjuez abriga o palácio real de veraneio e um respeitável conjunto arquitetônico do século XVIII, cercado de jardins idílicos. O “aroma de magnólias, gorjeio de passarinhos e murmúrio das fontes”, belezas que um deficiente visual podia especialmente apreciar, retornaram, em 1939, na delicada atmosfera do Concerto de Aranjuez, composto num período muito difícil da vida de Rodrigo.
Com a Guerra Civil Espanhola, sua bolsa havia sido interrompida. Em Paris, num inverno severo e em meio a rumores de uma segunda guerra, Victoria ficou grávida. Durante um almoço com o violonista Regino Sainz de la Maza e o Marquês de Bolarque, surgiu a encomenda de um concerto para violão e orquestra.
O repertório de concertos para violão do início do século XIX ainda era pouco conhecido. Logo, essa formação era vista como uma novidade arriscada. Rodrigo abraçou o desafio com entusiasmo, mas, no sétimo mês de gravidez, Victoria perdeu o bebê e foi hospitalizada, correndo risco de vida. Uma amiga de família conta que Rodrigo retornou sozinho ao apartamento e, desconsolado, tocou uma melodia tão triste que lhe dava arrepios. Tratava-se do segundo movimento do Concerto de Aranjuez: ao mesmo tempo, uma evocação romântica e uma trajetória de suas emoções, uma saeta (canção fúnebre, cantada na semana santa) que vai do pesar à revolta contra os céus e, finalmente, à resignação. A ideia muitas vezes repetida de que Rodrigo teria composto o movimento como uma elegia para as vítimas de Guernica não tem qualquer fundamento histórico.
Este movimento ficou tão famoso que esquecemos que os outros dois são realizados com o mais fino artesanato. A peça de Rodrigo evoca compositores como Domenico Scarlatti (1685-1757) e Luigi Boccherini (1743-1805), com uma orquestração ágil e transparente, em que os movimentos rápidos têm uma propulsão rítmica obsessiva e um gesto formal unificado. As minúcias são inúmeras: o parentesco entre os temas dos três movimentos; a maneira como todos se expandem a partir do violão, cada um com um estilo de toque diferente; o final silencioso dos três movimentos; a maneira como o violão mimetiza a sonoridade do fagote, do corne inglês ou dos trompetes; o espírito clássico dos ritmos assimétricos do último movimento.
Rodrigo cruzou a fronteira da Espanha poucos dias antes da eclosão da 2ª Guerra. O Concerto foi estreado em Barcelona no final de 1940 e, imediatamente, colocou o compositor em outro patamar de reconhecimento público. O solista, Sainz de la Maza, teve o pesadelo recorrente de que o violão não seria ouvido, mas, ao final, um dos grandes triunfos da partitura foi o resultado acústico. Hoje em dia, entretanto, é mais comum que se toque com microfone.
Em pouco mais de 20 anos, o Aranjuez se tornou uma obra conhecida ao redor do mundo, trazendo fortuna ao compositor. Isso sem que jamais recebesse uma interpretação do violonista Andrés Segovia, aparentemente enciumado pelo fato de a obra ter sido dedicada a Sainz de la Maza. Rodrigo escreveu, sob encomenda, dezenas de concertos que nunca atingiram o mesmo reconhecimento. Isso não impediu que ele se tornasse um herói em seu país, recebendo do rei Juan Carlos o título de Marquês dos Jardins de Aranjuez. Hoje, os sinos da catedral da cidade tocam o tema do segundo movimento.
Fábio Zanon é violonista, professor visitante na Royal Academy of Music e autor de Villa-Lobos (Série “Folha Explica”, Publifolha, 2009).



Claude DEBUSSY [1862-1918]
Três Prelúdios [1909-13] [Orquestração de Colin Matthews – 2001-3]
- Ce qu'a vu le Vent d'Ouest (O Que Viu o Vento Oeste) [2001]
- Feuilles Mortes (Folhas Mortas) [2001]
- La Puerta Del Vino (A Porta do Vinho) [2003]
10 MIN

Joaquín RODRIGO [1901-99]
Concerto de Aranjuez [1939]
- Allegro Con Spirito
- Adagio
- Allegro Gentile
20 MIN

Ralph VAUGHAN WILLIAMS [1872-1958]
Sinfonia nº 2 em Sol Maior - Londres [1914-33]
- Lento - Allegro Risoluto
- Lento
- Scherzo (Nocturne)
- Finale - Andante Con Moto - Maestoso Alla Marcia -
Allegro - Lento - Epilogue
44 MIN

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