Temporada Osesp: Denève e Grimaud
Hélène Grimaud
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
09 mai 13 quinta-feira 21h00
Jacarandá
10 mai 13 sexta-feira 21h00
Pequiá
11 mai 13 sábado 16h30
Ipê
QUINTA-FEIRA 09/MAI/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 10/MAI/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 11/MAI/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00


No dia 9 de maio, às 20h00, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Stéphane Denève regente
Hélène Grimaud piano
Programa
Ludwig van BEETHOVEN
Concerto nº 5 Para Piano em Mi Bemol Maior, Op.73 - Imperador
James MACMILLAN
O Sacrifício: Três Interlúdios
Albert ROUSSEL
Baco e Ariana, Op.43: Suíte nº 2

bis solista
quinta
Sergei RACHMANINOV
Trois Études Tableaux, Op. 33 nº 2 em Dó Maior

sexta
Frédéric CHOPIN

Trois Nouvelles Études: Estudo nº 1 em Fá Menor

sábado
Frédéric CHOPIN

Trois Nouvelles Études: Estudo nº 1 em Fá Menor
Christoph W. GLUCK / Giovanni SGAMBATI

Melodia de Orfeo e Euridice: Dança dos Espíritos Abençoados 

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa


Beethoven escreveu seu quinto e último concerto para piano e orquestra em Viena, em 1809, ao final de um período de intensa e genial produção. A estreia ocorreu em Leipzig, dois anos mais tarde, com a Orquestra do Gewandhaus, sob a regência de Johann Philipp Christoph Schulz e solos de Friedrich Schneider. Dedicado, como tantas outras peças, ao seu patrocinador, amigo e aluno, Arquiduque Rodolfo, o concerto teve reconhecimento imediato. Beethoven mesmo não pôde interpretá-lo em público já que a perda de sua audição se encontrava em estado avançado.
Em carta dirigida a seu editor em Leipzig, em julho de 1809, o compositor referia-se assim ao concerto: “Nada além de tambores, canhões, miséria humana”. De fato, o período de sua composição foi marcado por grandes turbulências. Aliando-se à Grã-Bretanha e à Espanha, a Áustria havia declarado, pela quarta vez em 18 anos, guerra contra a França. Naquele ano, o exército napoleônico havia se aproximado e cercado os subúrbios de Viena. Sua eficiente artilharia impôs pesados prejuízos à capital, obrigando a Imperatriz a abandoná-la temporariamente com sua família e seus serviçais da corte. Afirma-se que Beethoven vagou em meio a vidraças quebradas, desabamento de prédios, muito barulho e fogo, até alcançar abrigo e certa calma na residência de seu irmão. Não se pode dizer que esse clima tenha influenciado diretamente a composição, conquanto seja inevitável associá-la às palavras dirigidas a seu editor.
Não é estranho, igualmente, que o concerto tenha merecido um título — Imperador — cuja origem é obscura. Rumores sugerem que, por ocasião de sua estreia em Viena, um granadeiro que havia lutado na guerra franco-prussiana gritou ao final: “É o Imperador! É o Imperador!” Não se sabe exatamente qual o sentido preciso dessa afirmação. Dizem alguns que ela se referia ao Concerto nº 5 como o “imperador dos concertos”. Outros, porém, julgam que ela faria menção a Bonaparte. Nada disso foi comprovado e é pouco provável que Beethoven tivesse aprovado o apelido, ainda mais se o considerasse alusivo à figura de Bonaparte, este personagem histórico ambíguo, travestido de vetor das liberdades e, ao mesmo tempo, soberano absoluto.
O pianista Alfred Brendel, responsável por três memoráveis registros deste Concerto, descreve-o como tomado por “grande e radiante visão, uma nobre visão de liberdade”. Outros críticos não concordam com a ênfase, buscando distanciar a composição de uma espécie de libelo musical contra as formas de opressão. O Concerto nº 5 representa uma síntese entre essas duas visões — mais propriamente, entre tradição, inovação e modernidade.

Beethoven mantém a estrutura tradicional da forma concerto com piano solista, ainda que cada vez mais distanciado dos cânones mozartianos. No mesmo sentido, a tradição é forte ao resgatar as características do concerto militar francês, em especial sua natureza firmemente marcial, incluindo rufar dos tímpanos, trombones, trompas e trompetes como que anunciando a glória dos vitoriosos.
Com três acordes retumbantes, a orquestra anuncia os temas imponentes do primeiro movimento. A cada um desses acordes, o piano responde com uma cascata de escalas, arpejos e trinados. Nesse “Allegro”, o mais longo dentre os movimentos que compõem seus concertos para piano, o tema principal e as ideias derivativas são desenvolvidos mediante variações melódicas e figurações virtuosísticas que exigem do solista pleno domínio técnico, além de muita energia.
O movimento foi concebido para contrapor o piano e a orquestra, como se fossem duas forças em combate. Seu clímax se dá na parte central, quando o piano responde, com acordes densos e intensidade de volume, às provocações da orquestra para a continuidade da batalha. Seu final termina com longa coda, ao estilo do compositor, isto é, uma síntese do tema principal de abertura caminhando na direção de um tutti orquestral.
O segundo movimento propõe um delicado problema de interpretação. Trata-se de um adágio, porém nem tanto. O pianista Carl Czerny (1791-1857) advertia que “não se devia arrastá-lo”. Seu eixo central repousa sobre uma melodia lírica, ao que tudo indica extraída de um hino cantado por peregrinos austríacos, introduzida suavemente pelas cordas e seguida por uma delicada ária “cantada”, de forma expressiva, pelo piano.
O diálogo entre piano e orquestra caminha para um desfecho silencioso, um quase apagamento. Mas uma frase musical o liga sem interrupção ao terceiro movimento, cujo tema, baseado em uma dança alemã de ritmo bastante sincopado, ressurge em inventivas variações até a coda.
Outro signo de inovação é o fato de as cadenzas do Concerto nº 5 terem sido escritas pelo próprio Beethoven, inaugurando uma tradição que seria seguida pela maior parte de seus sucessores. A peça só teria sua edição completa em 1857, por Breitkopf & Härtel, permanecendo desde então no repertório dos grandes pianistas.
Sérgio Adorno é sociólogo e diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.






Beethoven teve de lutar com o problema de viver em uma época de discórdia, cindida por rupturas e contradições, com muitas batalhas sendo travadas em várias frentes. As verdades que vigoravam num dia já estavam ultrapassadas no dia seguinte. Mas nada disso o impediu, doente e quase surdo, de aderir a seu universalismo musical. Ele estava preparado para derrubar velhas formas e convenções até descobrir algo novo. Não era o mundo que estava “fora dos eixos” [como dizia Hamlet], mas a linguagem utilizada para compreendê-lo.
Pode-se ouvir a luta em composições de Beethoven na forma como ele se debate com cada nota, com cada acorde. Ele concebeu o mundo de uma forma que me parece absolutamente contemporânea. Nós também vivemos em um mundo que não entendemos bem, em que a confusão excede a compreensão de suas complexidades imperiosas. Nós também buscamos, com desespero, dar forma a este mundo. Beethoven nos mostrou que trabalhar para reparar as fissuras e falhas na existência humana pode resultar em bela música. Em sua busca de um paraíso na terra, ele estava sempre preparado para virar o mundo do avesso.
Beethoven é um compositor fascinante, que transpõe dois períodos. É claro que ele foi formado por figuras clássicas da escola vienense, mas desenvolveu e inovou essas ideias no mais alto grau, sobretudo no Concerto nº 5 Para Piano.
Quando lemos suas cartas, entramos em contato com alguém com tendências misantrópicas, que muitas vezes reagia brusca e rudemente, pronto a se ofender e a se desiludir com os outros, mas que, ao mesmo tempo, em sua sensibilidade, desenvolveu uma força incrível. Por mais contestável que o comportamento de Beethoven possa às vezes parecer, ele acreditava firmemente que as coisas poderiam ser diferentes — que poderiam ser melhores. Sua música é marcada por essas afirmações e decepções, e por um senso quase inesgotável de esperança.
Ele articulou a ambivalência de cada indivíduo; é por isso que a música de Beethoven nos afeta de forma tão direta e desconcertante; mostrando um otimismo incorrigível.
Creio que a compreensão da música de Beethoven pode ser encontrada onde os extremos se chocam. Ela não é sobre um pathos oco, ou um heroísmo vazio ou inquestionável; não é sobre uma misantropia melancólica ou um afetado fastio do mundo.
O Concerto nº 5 é como um animal selvagem pelo qual temos incrível respeito. Esse respeito nos obriga a estudá-lo e, no final, esse animal revela-se um professor que nos desafia a considerar as coisas por nós mesmos. Um professor que, por meio da gigantesca estrutura formal com a qual o intérprete deve lidar, obriga-o a refletir sobre suas próprias contradições e manifestá-las de maneira pessoal, forçando-o a transcender seus próprios limites e a livrar-se de velhos preconceitos. Beethoven obriga o artista a adquirir conhecimento, pois, em sua música, o emocional deve ser desenvolvido a partir da lógica filosófica. A emoção, por si só, não leva muito longe.
Helène Grimaud, em depoimento para encarte do CD em que interpreta o Concerto nº 5, de Beethoven (DEUTSC HE GRAMMOP HON , 2007). Tradução de André Fiker.





O Sacrifício é minha segunda ópera, escrita para a Ópera Nacional de Gales e estreada em 2007. É baseada numa das histórias do Mabinogion, uma coleção de antigos mitos galeses. Trata-se de um conto de amor que ocorre durante uma guerra civil ou de clãs, e culmina num supremo ato de autossacrifício, curando o ódio coletivo, trazendo paz e renovando a esperança.
Há um certo número de interlúdios de orquestra que conectam as cenas num fluxo contínuo em cada um dos três atos. Três deles foram extraídos para compor a suíte que será apresentada hoje.

1) “A Separação”
Após um último encontro secreto, os dois amantes, Sian e Evan, se separam, antes do casamento que unirá as duas tribos. Foi arranjado que Sian se casaria com Mal, o líder do outro lado. Ambos estão de coração partido, mas assumiram o compromisso de cumprir o seu dever para selar a trégua.

2) “Passacaglia”
Os convidados dos dois grupos rivais se reúnem para a festa de casamento, que vai acabar em violência.

3) “A Investidura”
Sete anos mais tarde, outra tentativa é feita para unir as duas comunidades. Gwyn, o jovem filho de Sian e Mal, está prestes a ser “coroado” como o símbolo de uma unidade desejada. A multidão se reúne, e a cena termina com o assassinato do menino, cometido por Evan.
James MacMillan. Tradução de André Fiker.



Ludwig VAN BEETHOVEN [1770-1827]
Concerto nº 5 Para Piano em Mi Bemol Maior, Op.73 - Imperador [1809]
- Allegro
- Adagio un Poco Moto
- Rondo. Allegro
40 MIN

James MACMILLAN [1959]
O Sacrifício: Três Interlúdios [2005-6]
- The Parting (A Separação)
- Passacaglia
- The Investiture (A Investidura)
15 MIN

Albert ROUSSEL [1869-1937]
Baco e Ariana, Op.43: Suíte nº 2 [1930]
16 MIN


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