Temporada Osesp: Guerrero e Ugorski
foto de David Bailey
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
06 jun 13 quinta-feira 21h00
Cedro
07 jun 13 sexta-feira 21h00
Araucária
08 jun 13 sábado 16h30
Mogno
QUINTA-FEIRA 06/JUN/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 07/JUN/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 08/JUN/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Eugene Ugorski violino
Giancarlo Guerrero regente
Programa
Jean SIBELIUS
Sinfonia nº 1 em Mi Menor, Op.39
Pyotr I. TCHAIKOVSKY
Concerto Para Violino em Ré Maior, Op.35

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Sibelius começou a planejar sua primeira sinfonia em Berlim, na primavera de 1898. O projeto inicial, de “um diálogo musical”, incluía um conceito programático. Assim, o mote do primeiro movimento seria “um vento gelado sopra do mar”.1 O segundo movimento se inspiraria no poeta alemão Heinrich Heine (1797- -1856): “O pinheiro do norte está sonhando com a palmeira do sul”. O terceiro seria “Um conto de inverno”, e o quarto, “Paraíso de Jorma” — uma referência ao romance Panu, de Juhani Aho (1861-1921), publicado em 1897.
O plano não foi executado e, ao que parece, não teve nenhuma influência sobre o que viria a ser a Sinfonia nº 1. Contudo, no mesmo caderno de rascunhos, encontramos referências entusiásticas a Hector Berlioz, sendo que um dos esboços, marcado como “Berlioz?”, acabou sendo incluído no último movimento da Sinfonia.
Na primavera de 1899, Sibelius dava os últimos retoques na partitura, em meio a uma situação política explosiva. O “Manifesto de Fevereiro”, divulgado pelo imperador da Rússia, visava restringir a autonomia do Grão-Ducado da Finlândia. O compositor reagiu com várias composições de protesto. [...]
O próprio Sibelius ficou insatisfeito com a peça, cuja versão original é desconhecida. Revisou a obra durante a primavera e o verão de 1900, para a turnê europeia da orquestra de seu amigo Robert Kajanus. A atmosfera da música era lúgubre, devido à perda da terceira filha do casal Sibelius, Kirsti, morta por doença pouco depois de completar um ano. Abatida pela perda, Aino, esposa do compositor, também adoecera.
Mesmo assim, a revisão se mostrou proveitosa. Durante a turnê, no verão de 1900, foi graças à Sinfonia nº 1 que Sibelius conquistou sucesso internacional. A obra foi aclamada pela crítica em Estocolmo, Copenhague, Hamburgo, Berlim e — em menor medida — Paris. Foi considerada tchaikovskiana, mas, acima de tudo, as pessoas ouviram nela a voz de um compositor novo e fascinante: “Sua Sinfonia, uma obra plena de força imoderada, de vivacidade ardente e assombrosa audácia é — digo sem rodeios — uma obra notável, que trilha novos caminhos, ou melhor, avança desabalada, como um deus embriagado”, escreveu o crítico Ferdinand Pfohl no Hamburger Nachrichten.
O início da peça é um dos mais originais na história da sinfonia. Um solo isolado de violino exala um sentimento desolador que, de tempos em tempos, é enfatizado pelo ribombo distante dos tímpanos.
A orquestra avança num vigoroso allegro energico, para então lançar-se no tema principal, que guarda notável semelhança com a Sinfonia nº 1, de Borodin. Podemos de fato sentir a música avançando desabalada como um “deus embriagado” — oscilando entre Sol Maior e Mi Menor.
O primeiro movimento envolve o ouvinte com a riqueza de seus motivos. Uma melodia melancólica, muitas vezes vista como tema secundário, repousa sobre um longo pedal em Fá Sustenido; seu parentesco com o tema principal é surpreendente.
Esse tipo de solução — além do desenvolvimento rapsódico que se segue — fez alguns analistas centro- -europeus pensarem que Sibelius estava fazendo uma mera colagem de invenções aforísticas, pois seu domínio do contraponto e da forma eram falhos. Contudo, os estudiosos logo demonstraram a existência de uma ligação entre os elementos aparentemente desconexos do movimento e os clarinetes da introdução inicial. [...]
O segundo movimento começa com uma melodia tranquila acompanhada de um longo pedal em Mi Bemol. Sibelius passa a dar um tratamento cada vez mais dramático a seu material. O motivo do fagote vem da introdução do primeiro movimento. A transição, com as trompas, é derivada do tema secundário; e as flautas logo começam a gorjear lembrando o “motivo do trinado dos pássaros” do primeiro movimento (expressão usada por Erik Tawaststjerna). No desenvolvimento desses materiais, o compositor provoca uma verdadeira tempestade orquestral — no meio de um movimento lento! Quando a tormenta cede, o tema principal pode retornar e o movimento se resolve.
O terceiro movimento, um scherzo, começa com os violinos em pizzicato. Tímpanos martelam o tema principal como disparos de canhão. As madeiras introduzem um tema de violino de caráter surpreendente e dançante, e logo nos vemos envolvidos num jogo ao estilo de um fugato. No Trio [seção central contrastante], a maneira como as trompas e as flautas evocam ideias de natureza guarda vaga semelhança com Bruckner. Com a volta do tema principal, o movimento avança a passos firmes para seu fim.
No último movimento, “Quasi Una Fantasia”, reencontramos os clarinetes da introdução do primeiro movimento, agora com uma orquestração arrebatada. Esse “tema do destino” tem nas flautas seu único complemento, mas o mítico crepúsculo primevo do primeiro movimento aparece transformado numa imagem musical de paisagem devastada após uma catástrofe.
A peça tem o mesmo tipo de organização cíclica encontrada nas últimas sinfonias de Tchaikovsky, mas Sibelius não se deixa aprisionar por seu tema do destino: pelo contrário, o retorno da introdução é usado para enriquecer um tema vigoroso e sua contraparte melancólica, uma das melodias mais memoráveis do compositor.
Ao final da Sinfonia, a organização cíclica é enfatizada, as questões levantadas no primeiro movimento são respondidas, e a obra se encerra com dois acordes em pizzicato.
A sinfonia conserva sua popularidade desde a primeira apresentação. Trata-se do adeus suntuoso e autoconfiante de Sibelius ao século XIX. O século XX trazia novos desafios, que ele estava agora pronto para aceitar.
VESA SIRÉN é jornalista, colaborador do jornal Helsingin Sanomat e editor do site www.sibelius.fi
Tradução de Ivan Weisz Kuck.




JEAN SIBELIUS [1865-1957]
Sinfonia nº 1 em Mi Menor, Op.39 [1899]
- Andante ma Non Troppo / Allegro Energico
- Andante (ma Non Troppo Lento)
- Scherzo: Allegro
- Finale (Quasi Una Fantasia)
38 MIN

PYOTR I. TCHAIKOVSKY [1840-93]
Concerto Para Violino em Ré Maior, Op.35 [1878]
- Allegro Moderato
- Canzonetta: Andante
- Finale: Allegro Vivacissimo
33 MIN

LER +
Endereço: Praça Júlio Prestes, nº 16 | CEP 01218 020 | São Paulo-SP
Telefone: (11) 3367 9500