Temporada Osesp: Shipway e Lewis
foto de Clive Barda
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
13 jun 13 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
14 jun 13 sexta-feira 21h00
Sapucaia
15 jun 13 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 13/JUN/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 14/JUN/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 15/JUN/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Frank Shipway regente
Paul Lewis piano
Programa
Johannes BRAHMS
Concerto nº 1 Para Piano em Ré Menor, Op.15
Jean SIBELIUS
Sinfonia nº 4 em Lá Menor, Op.63
Finlândia, Op.26

bis solista
quinta, sexta e sábado
Franz SCHUBERT

Allegretto em Dó Menor, D.915


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa


O concerto para piano passou por profundas modificações ao longo do século XIX, envolvendo não apenas a questão das novas exigências técnicas e o papel da virtuosidade, mas também questões formais, harmônicas e de instrumentação. Os principais concertos do período romântico envolvem uma multiplicidade de estilos, abrangendo desde os modelos em que há um predomínio absoluto do solista, com a orquestra como mero coadjuvante (tal como em Chopin), até obras em que o piano está completamente integrado à textura orquestral. Em artigo publicado em junho de 1859, na Neue Berliner Musikzeitung, o crítico musical Carl Grädener escreveu: “Desde Beethoven, todo concerto genuíno é uma sinfonia com piano obbligato, um concerto-sinfonia”. É certamente nesse grupo que se incluem as produções de Johannes Brahms no gênero.
Seu Concerto Para Piano nº 1 possui uma história peculiar: ele foi concebido originalmente como uma sonata para dois pianos. Uma das primeiras menções a essa versão preliminar da obra data de 24 de maio de 1854, quando Clara Schumann registra em seu diário:“Ensaiei com Brahms três movimentos de uma sonata que ele escreveu para dois pianos”. Alguns dias mais tarde, ela volta a executar essa sonata e anota: “Voltei a tocá-la com o maior interesse e alegria. É uma obra excelente!”
Pouco se sabe a respeito dessa peça, cujo manuscrito está desaparecido. No entanto, pelo exame da correspondência de Brahms, pode-se depreender que o compositor não estava plenamente satisfeito com ela. Numa carta datada de junho de 1854 e endereçada a seu amigo, o grande violinista Joseph Joachim, Brahms afirma que, “na verdade, apenas dois pianos não são mais suficientes”. Brahms decide então retrabalhar a sonata, transformando-a numa sinfonia. As cartas entre Brahms e Joachim documentam todo o processo criativo e as inúmeras revisões pelas quais passou a obra. Mas, apesar dos esforços, Brahms continua profundamente insatisfeito com os resultados.
Em 12 de setembro de 1854, escreve a Joachim dizendo que ele fora excessivamente benevolente no julgamento da sinfonia: “Preciso modificá-la e melhorá-la completamente, ainda falta muita coisa no que diz respeito à composição, e eu não entendo muito de instrumentação, como se pode ver na peça”. A exacerbada autocrítica do compositor, somada talvez à imensa responsabilidade que implicava escrever uma sinfonia após a Nona de Beethoven, levaram-no a abrir mão desse projeto e pensar em uma solução intermediária entre a sonata e a sinfonia.
A resposta para o problema parece ter vindo a Brahms por meio de um sonho. Numa carta a Clara Schumann datada do início de 1855, o compositor escreve: “Adivinhe o que eu sonhei esta noite! Sonhei que tinha transformado minha malograda sinfonia em um concerto para piano e que o estava executando: um primeiro movimento, um scherzo e um fi nale — terrivelmente difícil e grandioso. Eu estava completamente entusiasmado!” Entretanto, muitos anos se passaram até que o concerto adquirisse a forma pela qual o conhecemos atualmente.
Somente em outubro de 1856 o compositor completaria o primeiro movimento. Escrito em forma-sonata, na tonalidade de Ré Menor e com indicação de andamento “Maestoso”, o movimento é marcado por uma gigantesca exposição orquestral, em cujo tema principal se destacam os tímpanos e o pedal 1 sustentado pelos contrabaixos. Segue-se a exposição do solista, que se inicia com uma melodia em sextas, expandindo um motivo exposto anteriormente na transição. O fato de Brahms suprimir a tradicional cadenza no final do movimento foi interpretado por alguns comentadores como indício de que a intenção de Brahms era a de compor uma obra de caráter “mais sinfônico do que virtuosístico, suprimindo a exibição de bravura técnica nos pontos em que esta seria mais esperada”,2 nas palavras do musicólogo

James Hepokoski.




Como segundo movimento, ele escreve um “Adagio” (ao invés do scherzo inicialmente planejado, e cujo material temático Brahms irá utilizar no Requiem Alemão — interpretado pela Osesp em abril). O “Adagio” foi concebido por volta do final de 1856 e início de 1857. Numa carta a Clara, de 30 de dezembro de 1856, Brahms escreve: “Durante estes dias, tenho passado a limpo o primeiro movimento do concerto. Também estou pintando um meigo retrato de você, que deverá ser o ‘Adagio’.”
Escrito na tonalidade de Ré Maior, o “Adagio” possui a forma A-B-A. No entanto, como notou o musicólogo Carl Dahlhaus, “a simplicidade da forma aparece como suporte e, ao mesmo tempo, como contraparte de uma estrutura diferenciada. A construção dos períodos do tema principal é irregular, a versão solista do tema é mais uma dissolução do que uma variante, e a transição para a parte intermediária é quase imperceptível”.3 O movimento se encerra com uma breve cadenza ad libitum e uma coda, que remete aos três primeiros compassos do movimento.
O último movimento possui um caráter brilhante e enérgico. Podemos defini-lo como um “rondó- -sonata”, com o seguinte esquema formal: A-B-A- -C-A-B-A. A seção central “C” é a mais longa e a mais elaborada, fazendo uso de técnicas contrapontísticas. A influência de Beethoven é marcante em vários aspectos e, tal como ocorre em seu Concerto nº 3, também Brahms termina o movimento em modo maior.

O Concerto teve boa recepção por ocasião de sua estreia na cidade de Hannover, em 22 de janeiro de 1859, com o próprio compositor ao piano, sob regência de Joseph Joachim. No entanto, cinco dias mais tarde, numa apresentação na Gewandhaus de Leipzig, foi um fracasso completo: “Nem três pessoas se deram ao trabalho de aplaudir”, escreveu Brahms numa carta a Clara Schumann. Talvez isso se deva ao fato de se tratar de um concerto de proporções monumentais para a época, com tratamento motívico requintado e orquestração densa. Ao mesmo tempo, a concepção sinfônica da peça — que, apesar dos enormes desafios técnicos para o intérprete, evita sempre a exibição de virtuosismo técnico como um fim em si mesmo — pode ter sido um dos fatores que também contribuíram para a recepção fria da plateia e dos críticos de Leipzig.
É somente a partir da década de 1870, com sua reputação como compositor já completamente estabelecida, que Brahms irá retomar a escrita sinfônica. Dessa época, datam o Concerto Para Violino em Ré Maior (1878) [que será interpretado pela Osesp em setembro, com o solista Benjamin Schmid], o Concerto nº 2 Para Piano (1881) e o Concerto Duplo em Lá Menor (1887). Também nessas obras de maturidade, Brahms acentua a intenção de não produzir peças meramente virtuosísticas, considerando sempre o solista como parte da trama sinfônica.
MÁRIO VIDEIRA é professor do Departamento de Música da ECA-USP e autor de O Romantismo e o Belo Musical (Ed. Unesp, 2006).





JOHANNES BRAHMS [1833-97]
Concerto nº 1 Para Piano em Ré Menor, Op.15 [1854-7]
- Maestoso
- Adagio
- Rondo: Allegro Non Troppo
42 MIN

JEAN SIBELIUS [1865-1957]
Sinfonia nº 4 em Lá Menor, Op.63 [1911]
- Tempo Molto Moderato, Quasi Adagio
- Allegro Molto Vivace
- Il Tempo Largo
- Allegro
36 MIN

Finlândia, Op.26 [1899-1900]
9 MIN


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